Acordou com um bem estar inexplicável e algumas considerações avulsas sobre o tempo, esse rolo compressor que nos esmaga docemente. Depois sentiu um odor de antigamente, uma mistura de cheiros das brincadeiras, locais e pessoas da sua infância que se enleava com a memória de alguns acontecimentos perfeitamente casuais, como daquela vez em que caíra da bicicleta. Perseguiu essa mistura odorífica até à rua, sorrindo enquanto se preparava, com a imagem da bicicleta vermelha e a cicatriz que ainda o acompanhava, como se algo familiar o esperasse lá fora, mas nada apareceu. Apenas trapaças do seu cérebro. Por fim olhou o céu. Viu nos traços de condensação deixados pelos aviões as possibilidades que sempre o animavam, inspirou profundamente e sorriu.
"I have no idea to this day what those two Italian ladies were singing about. Truth is, I don't wanna know. Some things are best left unsaid. I'd like to think they were singing about something so beautiful it can't be expressed in words, and it makes your heart ache because of it. I tell you those voices soared, higher and farther than anybody in a grey place dares to dream. It was like some beautiful bird flapped into our drab little cage and made these walls dissolve away, and for the briefest of moments, every last man in Shawshank felt free."
Acredito que caminhamos para melhor. Nascemos boas pessoas, morremos boas pessoas. Pelo meio somos péssimas pessoas. Claro que os bebés também são péssimas pessoas, assim como os velhos, mas tanto uns como os outros têm desculpa: os primeiros porque não têm capacidade de decisão e os segundos porque garantiram ao longo da vida o direito a sê-lo - afinal, a velhice é um posto. Já os adultos, não têm desculpa, são péssimas pessoas não tanto por tomarem decisões erradas mas mais por não as tomarem. Porquê? Dúvidas e certezas. Ambas nos falham. As dúvidas paralisam-nos, as certezas acomodam-nos. Alienados ou viciados... entorpecidos pela e para a vida, conformismo na altura em que se abririam mais possibilidades. Conformando-se, os adultos tornam-se amargos e invejosos. Por isso são más pessoas! Há sempre espaço para melhorar, muito desse espaço depende da capacidade de tentar e falhar, ou seja, de escolher. Ninguém acerta sempre, ninguém erra sempre, temos sobretudo de arriscar. No fim, logo se verá.
Sabemos muito. Sabemos demasiado. Andamos uma vida toda a absorver informação e mais tarde ou mais cedo esse hábito vai tornar-se insustentável. E não é só conhecimento geral, de coisas que acontecem na nossa vida, na vida daqueles que conhecemos e no mundo. É um excesso de conhecimento técnico. Estamos a tornar-nos técnicos de tudo. A escola prepara-nos para uma profissão, afunilando o nosso conhecimento até à especialização, a vida faz o contrário.
Revistas com artigos de Psicologia, Sociologia, Saúde, educação, a televisão cheia de canais de ciência…
Se uma pessoa tiver a sorte (ou o azar) de ver o canal Discovery de madrugada, como eu um dia destes, é capaz de apanhar uma série de programas que se chama How Stuff Works. Aquilo dá a noite toda e ensina – daí o nome – como tudo funciona. Tudo. Eu sei como funciona um porta-paletes hidráulico, sei que é uma sequência de alavancas e que, como tal, uma força pequena aplicada numa longa distância equivale a uma força grande numa pequena distância. É assim. Vendo aquele programa, todos nós percebemos de mecânica, física, química, matemática, biologia, etc. Mas eu não consigo ser mecânico, físico, químico e isso tudo… Ninguém consegue! E isto acarreta duas consequências:
1ª – Conhecimento superficial; o nosso cérebro, embora cheio de potencial é incapaz de armazenar tanta informação de forma a que ela fique acessível integralmente, o que faz com que esqueçamos algumas coisas e baralhemos as outras. De técnicos generalizados, passaremos a analfabetos generalizados. 2 ª –Tique nervoso no sobrolho. É a consequência física visível que eu sinto quando ando com excesso de informação.
Por isso precisamos da parvoíce, por isso precisamos de rir, dessa ginástica da pele que rejuvenesce e dá saúde. Nada de humor inteligente, nada disso. Pura, estúpida e dura parvoíce.
Um daqueles projectos fenomenais, com participações de artistas consagrados, que valem pela genialidade das ideias, da música e dos vídeos. Estes dois vídeos (o primeiro mais recente, de 2007, o outro mais antigo, de 1998) são brilhantes exemplos disso.
"I came up with a new game-show idea recently. It's called the old game. You got three old guys with loaded guns onstage. They look back at their lives, see who they were, what they accomplished, how close they came to realizing their dreams. The winner is the one who doesn't blow his brains out. He gets a refrigerator."
Peguem num vídeo algo banal, juntem-lhe câmaras de alta-velocidade, filtros de câmara catitas e profissionais competentes e obtêm uma obra cinematográfica digna de estudo.
prologue Confesso que pelo nome, pensei tratar-se de mais um filme de terror sobre o Apocalipse e é claro que só depois de saber quem o tinha realizado, pude ficar na dúvida. Mesmo assim, tive que ver o trailer, antes de ver o filme.
chapter one: grief O Anticristo de Lars Von Trier ("Ondas de Paixão"; "Dancer in the Dark"; "Dogville"...) é mais um filme de autor, e não digo isto com desprezo!
chapter two: pain (chaos reigns) Quem conhece este realizador dinamarquês, sabe que ele é capaz de provocar em nós um mal-estar profundo, (que pode levar muita gente ao desligar do "play" ou à saída permanente, da sala de cinema) e que começa pela tremenda tristeza/dor que tão bem consegue mostrar na tela e transportar para fora da mesma, ao mesmo tempo que nos brinda e alicia com fantásticos planos de câmara e música a condizer, conseguindo fazer com tudo isto, arte. (aqui permiti-me este laivo de excessividade porque por vezes ao gostar de uma coisa, consigo ser demasiado parcial :)
chapter three: despair (gynocide) O filme relata a história de um casal. Ela uma historiadora obcecada pelo seu ensaio e ele um psiquiatra que toma a sua mulher como objecto de estudo. Ambos sofrem pela perda do único filho, e tentam de tudo para exteriorizar e expurgar a dor com sessões de "terapia caseira".
chapter four: the three beggars Com uma fotografia estrondosa, um desempenho fantástico de Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe e uma teia metafórica que nos vai puxando mais a cada piscar de olhos, o Anticristo é talvez, como muitos dizem, um filme-consequência da depressão por que passou o realizador, que pensava já não conseguir fazer filmes. Uma, quiçá, expurgação do demónio...
epilogue "A grieving couple retreat to ’Eden’, their isolated cabin in the woods, where they hope to repair their broken hearts and troubled marriage. But nature takes its course and things go from bad to worse…"
Ps: O filme tem cenas tremendamente chocantes e pormenores de sexo explícito. Beware! :|
Amanhã, no Vaticano, mais um Português a subir aos altares. Nuno Álvares Pereira foi uma das mentes por trás da Batalha de Aljubarrota (em português com link respectivo em português) ou Batalla de Aljubarrota, (em Castelhano, com link respectivo em castelhano) na qual enfrentou 30 mil espanhóis de Castela, franceses e italianos, com a companhia de 6 mil portugueses e arqueiros ingleses, numa diferença de cinco para um atenuada pela estratégia e inteligência dele e de outros. Já a parte do milagre da oftalmologia... Sou espiritualmente desconfiado, com tendências para o agnosticismo e ateísmo, mas até posso conceder que quero acreditar em algo... mas porque é que os milagreiros não evitam simplesmente a tragédia? Será para testar a fé, mas não há melhores maneiras de testar a fé do que com azeite a ferver? E milagres com pessoas amputadas, porque é que não há registo deles? Serão os amputados filhos de um deus menor?
Admiro a generosidade sacrificial com que as abelhas honram a sua mestra, o seu grupo. Há uma maldade naquele insecto, na forma como ataca sem descrição tudo o que se aproxima da colmeia, mas é uma maldade doce: um pequeno ferrão e uma pequena picadela - que até faz bem a quem a recebe, e que se torna no último gesto em vida da abelha. O seu último gesto é pelos outros, os que ficam.
In Bruges
In Bruges é um dos melhores filmes que vi. E como podia não o ser? Assassinos contratados de férias, Irlandeses palavrosos, um anão viciado em tranquilizante de cavalos, prostitutas holandesas, um casal de ladrões, uma grávida dona de um hotel e uma cidade medieval perdida na Bélgica são todos os ingredientes que qualquer filme deve ter. Colin Farrel, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes estão brilhantes no filme. Para além do mais, embora seja uma forma diferente de ver um filme, acabei de descobrir que está no Youtube. Vale mesmo a pena!
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constituído pel...
20 anos que ficam
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Hoje é o meu último dia como Diretor de Programas da Rádio Comercial.
A partir de amanhã, abraço outro papel na Bauer Portugal, mantendo a
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Un bruit du diable
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Bom dia, Cláudia, minha velha amiga
Vim para dois dedos de conversa
Porque uma visão insinuou-se
e deixou uma sementinha enquanto dormia
E a visão que me ...
Observadora.
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Cegonha-branca (Ciconia ciconia)
Todas as palavras nos meus olhos e, tornei-me sem culpa, uma espiã de
momentos. Observadora de bichos de asas negras...
Happy Memorial Day Gifs, Memes, Images 2022
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O carrinho do supermercado está cheio de caixas de bolachas, algumas de
limão e outras de laranja. Também tem algumas cotonetes de plástico e latas
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Estou a gostar tanto do La La Land que
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já fiz duas máquinas de roupa, organizei umas papeladas e fui comprar
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Non ou a vã glória de comprar casa
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Desiludam-se. Comprar casa não é giro, divertido ou estimulante. O processo
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uncensored-minds | bengkel cargo lift
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uncensored-minds adalah team support bengkel cargo lift yang bergabung
mulai hari senin tanggal 4 bulan april tahun 2016 semoga team support
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isian istimewa. Berlimpah warga yang sering jadikan hidangan risoles
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Whales vencem a 21ª Edição do Festival Termómetro
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Renasceram há pouco mais de meio ano e são os novos vencedores do Festival
Termómetro, revelados que foram os resultados na madrugada deste sábado, no Ma...
Presidenciais 2016 - Comentário na RTP3
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partir do minuto 28:25) sobre as próximas eleições presidenciais.
Jean-Michel Basquiat
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Jean-Michel Basquiat foi um artista americano, nascido em Nova Iorque em
1960.
Ganhou popularidade primeiro como um pintor de graffitis na cidade onde
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Simplesmente Amor...
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Guardo numa das gavetinhas da memória, a minha primeira experiência sexual.
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Fábrica de Letras: o regresso com o tema CASTANHAS
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Após mais de um ano com o blogue em "suspensão" , nada melhor como o dia de
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Foi o silêncio que me contou
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Há momentos em que surge assim.
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Salinas, quando este sente na carne o desespero do anacronismo feito h...
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*FIM*
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still a pulse...
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Hoje, como acontece regularmente de 6 em 6 meses, lembrei-me deste estranho
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estórias da bola quarenta e sete
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a vinda de vercauteren para o 'sporting', como treinador, recordou-me uma
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Tudo na vida obedece a ciclos.Tudo tem um princípio, um meio e um fim.
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Faz já uns meses que este blogue perdeu o fulgor que tinha e aos poucos foi
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Apesar do passadoApesar da distânciaApesar do silêncioGuardarei para sempre
preciosos bocadinhos teus com todo o coração e carinho.Um beijo muito
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Fazer Filmes
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Posso dizer sem grande erro, que provenho de uma família parca em recursos
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A menina sentada no banquinho de madeira esperava impaciente que a senhora
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pequena p...
Adónis, o cowboy
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Adónis levantou-se assim que o sono retalhado lhe permitiu ver a claridade
que começava a tomar conta do quarto. Olhou satisfeito para a moldura em
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Constelaçoes
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*I *
António era pastor. Rapaz alto e seco como o sol de Agosto, mas robusto
como as rochas onde descansava das noites perdidas. António era pastor, m...