Queria estar errada
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Quando o Trump ganhou as eleições eu temi que fosse o rastilho para a
terceira guerra mundial.
Porquê?
Há pessoas que conseguem analisar a sua saúde men...
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10/12/2009
24/11/2009
É a história de um homem que por ciúme mata o seu próprio irmão. É a história de um homem que por ter matado o seu próprio irmão é marcado, por deus, com um sinal na testa. É a história de um homem, que por ter matado o seu próprio irmão e ter sido marcado na testa por deus, vagueia pelo mundo à procura de uma explicação. É a história de um homem que, por ter matado o seu próprio irmão e ter sido marcado na testa por deus, vagueando pelo mundo à procura de uma explicação, se encontra envolvido em muitas outras histórias de muitos outros homens em diferentes tempos e lugares. É a história de um outro viajante magnífico. (um viajante no tempo)
É a história de Caim contada por Saramago. Uma história cheia de peripécias, humor e muitos factos bíblicos.
"O caminho subia e subia, e o jumento, que, bem vistas as coisas, de burro não tinha nada, avançava aos ziguezagues, ora para cá, ora para lá, supõe-se que devia ter aprendido o genial truque com as mulas, que nesta matéria de ascensões alpinas a sabem toda. Uns quantos passos mais e a subida acabou. E então, ó surpresa, ó pasmo, ó estupefacção, a paisagem que caim tinha agora diante de si era completamente diferente, verde de todos os verdes alguma vez vistos, com árvores frondosas e cultivos, reflexos de água(...) Era como se existisse uma fronteira, um traço a separar dois países, Ou dois tempos, disse caim sem consciência de havê-lo dito, o mesmo que se alguém o estivesse pensando em seu lugar. Levantou a cabeça para olhar o céu e viu que as nuvens que se moviam na direcção donde viemos se detinham na vertical do chão e logo desapareciam por desconhecidas artes. Há que levar em consideração o facto de caim estar mal informado sobre questões cartográficas, poderia mesmo dizer-se que esta, de certo modo, é a sua primeira viagem ao estrangeiro, portanto é natural surpreender-se, outra terra, outra gente, outros céus e outros costumes.
(...)
Então estamos no futuro, perguntamos nós, é que temos visto por aí uns filmes que tratam do assunto, e uns livros também. Sim, essa é a fórmula comum para explicar algo como o que aqui parece ter sucedido(...)
Já as palpebras tinham começado a pesar-lhe quando uma voz juvenil, de rapaz, o fez sobressaltar, Ó pai, chamou o moço, e logo uma outra voz, de adulto de certa idade, perguntou, Que queres tu, isaac, Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o sacrifício, e o pai respondeu, O senhor há-de prover (...) Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito a abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim.
(...)
Depois atou o filho e colocou-o no altar, deitado sobre a lenha. Acto contínuo, empunhou a faca para sacrificar o pobre rapaz e já se dispunha a cortar-lhe a garganta quando sentiu que alguém lhe segurava o braço (...) Sou caim, sou o anjo que salvou a vida a isaac. Não, não era certo, caim não é nenhum anjo, anjo é este que acabou de pousar com um grande ruído de asas e que começou a declamar como um actor que tivesse ouvido finalmente a sua deixa, Não levantes a tua mão contra o menino, não lhe faças nenhum mal, pois já vejo que és obediente ao senhor (...) Chegas tarde, disse caim, se isaac não está morto foi porque eu o impedi. O anjo fez cara de contrição, Sinto muito ter chegado atrasado, mas a culpa não foi minha, quando vinha para cá surgiu-me um problema mecânico na asa direita, não sincronizava com a esquerda, o resultado foram contínuas mudanças de rumo que me desorientavam, na verdade vi-me em papos-de-aranha para chegar aqui, ainda por cima não me tinham explicado bem qual destes montes era o lugar do sacrifício, se cá cheguei foi por um milagre do senhor, Tarde, disse caim, Vale mais tarde que nunca, respondeu o anjo com prosápia, como se tivesse acabado de enunciar uma verdade primeira, Enganas-te, nunca não é o contrário de tarde, o contrário de tarde é demasiado tarde, respondeu-lhe caim.
(...)
Outro presente, disse. Pareceu-lhe que este devia ser mais antigo que o anterior, aquele em que havia salvo a vida ao rapazito chamado isaac, e isto poderia mostrar que tanto poderia avançar como voltar atrás no tempo, e não por vontade própria, pois para falar francamente, sentia-se como alguém que mais ou menos, só mais ou menos, sabe onde está, mas não aonde se dirige(...)Lá longe, vinda mesmo a propósito, na beirinha do horizonte, distinguia-se uma torre altíssima (...)
À medida que se aproximava, o rumor das vozes, primeiro ténue, ia crescendo e crescendo até se transformar em perfeita algazarra. Parecem malucos, doidos varridos, pensou caim. Sim, estavam doidos de desesperação porque falavam e não conseguiam entender-se (...) Falavam línguas diferentes (...)A sorte foi ter dado logo com um homem que falava hebraico, língua que lhe tinha calhado em sorte no meio da confusão criada e que caim já ia conhecendo, com gente a expressar-se, sem dicionários nem intérpretes, em inglês, em alemão, em francês, em espanhol, em italiano, quem o imaginaria, em português. Que desacordo foi esse, perguntou caim (...)
Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste, dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."
in Caim de José Saramago
É a história de Caim contada por Saramago. Uma história cheia de peripécias, humor e muitos factos bíblicos.
"O caminho subia e subia, e o jumento, que, bem vistas as coisas, de burro não tinha nada, avançava aos ziguezagues, ora para cá, ora para lá, supõe-se que devia ter aprendido o genial truque com as mulas, que nesta matéria de ascensões alpinas a sabem toda. Uns quantos passos mais e a subida acabou. E então, ó surpresa, ó pasmo, ó estupefacção, a paisagem que caim tinha agora diante de si era completamente diferente, verde de todos os verdes alguma vez vistos, com árvores frondosas e cultivos, reflexos de água(...) Era como se existisse uma fronteira, um traço a separar dois países, Ou dois tempos, disse caim sem consciência de havê-lo dito, o mesmo que se alguém o estivesse pensando em seu lugar. Levantou a cabeça para olhar o céu e viu que as nuvens que se moviam na direcção donde viemos se detinham na vertical do chão e logo desapareciam por desconhecidas artes. Há que levar em consideração o facto de caim estar mal informado sobre questões cartográficas, poderia mesmo dizer-se que esta, de certo modo, é a sua primeira viagem ao estrangeiro, portanto é natural surpreender-se, outra terra, outra gente, outros céus e outros costumes.
(...)
Então estamos no futuro, perguntamos nós, é que temos visto por aí uns filmes que tratam do assunto, e uns livros também. Sim, essa é a fórmula comum para explicar algo como o que aqui parece ter sucedido(...)
Já as palpebras tinham começado a pesar-lhe quando uma voz juvenil, de rapaz, o fez sobressaltar, Ó pai, chamou o moço, e logo uma outra voz, de adulto de certa idade, perguntou, Que queres tu, isaac, Levamos aqui o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o sacrifício, e o pai respondeu, O senhor há-de prover (...) Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito a abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrifício a mim sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim.
(...)
Depois atou o filho e colocou-o no altar, deitado sobre a lenha. Acto contínuo, empunhou a faca para sacrificar o pobre rapaz e já se dispunha a cortar-lhe a garganta quando sentiu que alguém lhe segurava o braço (...) Sou caim, sou o anjo que salvou a vida a isaac. Não, não era certo, caim não é nenhum anjo, anjo é este que acabou de pousar com um grande ruído de asas e que começou a declamar como um actor que tivesse ouvido finalmente a sua deixa, Não levantes a tua mão contra o menino, não lhe faças nenhum mal, pois já vejo que és obediente ao senhor (...) Chegas tarde, disse caim, se isaac não está morto foi porque eu o impedi. O anjo fez cara de contrição, Sinto muito ter chegado atrasado, mas a culpa não foi minha, quando vinha para cá surgiu-me um problema mecânico na asa direita, não sincronizava com a esquerda, o resultado foram contínuas mudanças de rumo que me desorientavam, na verdade vi-me em papos-de-aranha para chegar aqui, ainda por cima não me tinham explicado bem qual destes montes era o lugar do sacrifício, se cá cheguei foi por um milagre do senhor, Tarde, disse caim, Vale mais tarde que nunca, respondeu o anjo com prosápia, como se tivesse acabado de enunciar uma verdade primeira, Enganas-te, nunca não é o contrário de tarde, o contrário de tarde é demasiado tarde, respondeu-lhe caim.
(...)
Outro presente, disse. Pareceu-lhe que este devia ser mais antigo que o anterior, aquele em que havia salvo a vida ao rapazito chamado isaac, e isto poderia mostrar que tanto poderia avançar como voltar atrás no tempo, e não por vontade própria, pois para falar francamente, sentia-se como alguém que mais ou menos, só mais ou menos, sabe onde está, mas não aonde se dirige(...)Lá longe, vinda mesmo a propósito, na beirinha do horizonte, distinguia-se uma torre altíssima (...)
À medida que se aproximava, o rumor das vozes, primeiro ténue, ia crescendo e crescendo até se transformar em perfeita algazarra. Parecem malucos, doidos varridos, pensou caim. Sim, estavam doidos de desesperação porque falavam e não conseguiam entender-se (...) Falavam línguas diferentes (...)A sorte foi ter dado logo com um homem que falava hebraico, língua que lhe tinha calhado em sorte no meio da confusão criada e que caim já ia conhecendo, com gente a expressar-se, sem dicionários nem intérpretes, em inglês, em alemão, em francês, em espanhol, em italiano, quem o imaginaria, em português. Que desacordo foi esse, perguntou caim (...)
Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste, dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."
in Caim de José Saramago
21/08/2009
Compromissos comerciais para quem...
Para quem gosta de música
Para quem gosta de dança e cantar à chuva
Para quem gosta de poesia
Para quem gosta de cinema
Para quem gosta de sonhar
05/08/2009
Braga
Sou um homem de rotinas, poder-se-ia dizer que sofro de uma desordem obsessiva-compulsiva, mas dizê-lo pode parecer pretensioso e por isso não o digo. Digo apenas que tenho formas diferentes de fazer as coisas, algumas que me irritam, outras que me acalmam.
Acordo todos os dias Às 6:38. Se mudo o horário do despertador, faço-o sempre para uma hora que acabe em 8 ou 4, de resto, nunca termino as coisas sem chegar ao ponto que previamente estabeleci, seja a página de um livro ou o número de flexões que faço antes de tomar banho. Faço isto, ainda que demore mais um quarto de hora no trabalho para terminar algo ou meia hora na casa-de-banho para acabar um capítulo do António Lobo Antunes. Depois, sempre que viajo, tenho de comprar coisas específicas para os meus irmãos (um instrumento musical para ele e pins para ela - penso que ela já nem os suportará) e tenho de tirar sempre duas fotografias (estas não vou explicar, mas são sempre duas fotografias em situações específicas). Depois, por último, há algo que eu faço sempre e que é a coisa mais saborosa que posso fazer, que é a rotina da francesinha sempre que vou a Braga. Nunca falho e, apesar de me dizerem que "na Regaleira é que é" ou que "as da Foz são as melhores", eu não dispenso as do 053*, ao lado da Gulbenkian, em Braga, claro.
(João Freire)
* 053 deve-se à referência do indicativo do telefone de Braga. Antes era o 053, agora é o 253. As francesinhas continuam a ser no 053
Reaproveitado para o tema de Dezembro de 2010 sobre Objectos, pessoas, sítios e acontecimentos, num desafio da "Fábrica de Letras".
14/12/2008
Fantasticable. o vídeo
Dá para ver em melhor qualidade (opção que se pode activar no cantinho esquerdo imediatamente abaixo da janela do vídeo na página do youtube), algo que se recomenda.
09/12/2008
Fantasticable
06/12/2008
gamepro - 5 out of 5
ign - 9.3 out of 10
playstation the official magazine - 4.5 out of 5
e acerca do que se "estrelou":
e ainda,
(quando vi este segundo vídeo, e apesar de ter ficado também com pele de galinha, pensei: "mas que raio fizeram aos gráficos?!"... depois inspirei, contei até 3, expirei, e porque estava demasiado curiosa para ver o modo de jogo, vi isto...
... e pensei mais uma vez: "Fdx, isto está lindo e o BD look até é na boa!")
"The magic is what makes Prince of Persia all worth it. The world, both in its destroyed mode and its rejuvenated one is just… amazing. You’ve never seen anything this striking in a videogame, ever. Artistically and design-wise it will continue to floor you as the game progresses." (ign, team xbox reviews)
27/10/2007
Quais cogumelos quais varinhas!
"A música é mágica."
(Alguém)
(Alguém)
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30/04/2007
Fight Club
Durden: "I look around. I look around. I see a lot of new faces."
Club: [risos]
Durden: "Shut up! Which means a lot of you have been breakin' the first two rules of Fight Club. Man, I see in Fight Club the strongest and smartest men who have ever lived. I see all this potential, and I see it squandered. Goddammit, an entire generation pumping gas, waiting tables, slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man; no purpose or place. We have no Great War, no Great Depression. Our Great War is a spiritual war. Our Great Depression is our lives. We've all been raised by television to believe that one day we'd all be millionaires and movie gods and rock stars. But we won't; and we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off."
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