22/04/2008

Sei o que quero, mas não sei se o diga

Diz-se por aí que devemos visualizar os nossos sonhos, que devemos saber o que queremos e dizê-lo ao nosso cérebro através de um texto que relemos ou de um quadro para o qual olhamos todos os dias. Será necessário fazer um projecto da nossa vida, centrado nos objectivos e sonhos, para que o cérebro o estruture nos processos a desencadear para nos guiar até ele. Pois bem, eu sou tão aberto às tretas new age como qualquer um e o raciocínio até me parece lúcido o suficiente para o fazer. Tanto que o fiz. Comecei a fazer isso no ambiente de trabalho do meu computador, colocando todas as coisas que quero emular ou conseguir ao longo da minha vida, mas reparei de imediato que ao fazer isso já estava com medo de ficar aquém daquilo a que me propunha e em vez de ambicionar ter, por exemplo, um super carro (um Porsche 911 Turbo, um Audi R8, um Mercedes C63 AMG ou um BMW M3), comecei a decrescer nas minhas exigências. "Para quê um Mercedes de 6 litros se um de 2 já é mais que suficiente!"
Ora… Há aqui um processo de readaptação que, por si só, já quererá dizer alguma coisa. Este plano só funcionará se formos conseguindo o que nos propomos ao longo do tempo, pois se as coisas começarem a ficar inevitavelmente para trás, pode dar-se o efeito contrário de depressão e insucesso constante. E se, por acaso, daqui a cinquenta anos olhar para o quadro que fiz e vir que não consegui nada daquilo a que me propunha? Será pior não ter expectativas ou ficar aquém delas?
A propósito desta discussão, lembro-me de um filme e, mais uma vez com muito trabalho para traduzir e legendar, desta cena:



E depois disto já não sei se deva fazer o tal quadro dos sonhos.
Será bom termos sonhos e objectivos, mas não sei até que ponto será útil concretizá-los como metas, que, quer se queira quer não, definirão o nosso sucesso enquanto indivíduos.

(João Freire)

Reaproveitado para o desafio de Novembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Sonhos".


P.S. - A cena é do filme Confessions of a Dangerous Mind, de George Clooney

5 comentários:

ipsis verbis disse...

"Será bom termos sonhos e objectivos, mas não sei até que ponto será útil concretizá-los como metas"

Eu penso que, criar várias metas, a curto prazo é útil para a concretização de objectivos. Sonhos não sei... Eu tenho vários, mas nenhum sobre carros, dinheiro, grandes casas ou fama... acho que estes começarei a tê-los quando, parte de certos objectivos meus, estiverem concretizados.
Por outro lado, considero "sonho" um eufemismo para a palavra crua e pragmática, "objectivo".

Não sou boa a planear. Planear qualquer coisa com terceiros, para mim, é sufocante. E quanto mais longo for o prazo, e mais pessoas estiverem envolvidas no processo, menor a probabilidade de eu pensar sequer em construir um mapa sobre o assunto.

99% de situações planeadas por mim com terceiros é falível.

Entre mim e eu, crio mini-planos mentais.
Em 5 minutos faço aquilo que depois me leva àquilo e assim sucessivamente. E projecto a minha vida (o espaço de 4min e 59 segs)em função do êxito da cadeia de mini-metas. (isto resulta sempre se não aparecer ninguém pelo caminho)

Quando o que tinha programado, é influenciado por intervenção de terceiros, deixando de fazer sentido, "readaptando-se", ou então, não chegando sequer a acontecer, é aqui que tudo abana, oprimindo-me moralmente e deixando-me aflita e desassossegada.


Fiquei com vontade de rever o filme. Muito bom

Por entre o luar disse...

=) Sempre acreditei nos sonhos com uma meta a alcançar, mas isso é porque talvez como dizes ainda sou muito nova e vivi muito pouco! mas hoje e cada vez mais me vou apercebendo que é bom sonhar, mas já não estabeleço esses sonhos como metas mas sim como um empurrão para concretizar aquilo que penso que me fará feliz!

**

johny disse...

Acredito nas metas como etapas, pequenos passos de criança, que vamos ulrapassando, elevando a fasquia pouco a pouco. É mais seguro, é mais fácil e ajuda no desenvolvimento de um plano de vida.

(sei que funciona como plano de exercícios: "100 flexões! Se chegar lá faço 120... e se chegar faço 150!"

... E a verdade e que nunca fico a meio!

Briseis disse...

Essa das flexões é genial... porque é isso mesmo! Antes de começar, o objectivo parece inatingível, mas se colocarmos a fasquia um pouco mais ao alcance é fácil a partir dái ganhar um novo fôlego e ir em busca de mais. Os sonhos são para ser tomados com cuidado e moderação. Não deixar que eles nos oprimam ou se tornem obcessivos é importante.

Johnny disse...

Briseis, Como dizia a letra de uma banda de uns rapazes que a minha irmã costumava ouvir quando eu tinha prái uns dez anos, é preciso fazer as coisas "step by step... uh baby" :)

http://youtu.be/MkAkskxdqV4