13/06/2007

Sou de todas as cores

Se vocês soubessem como eu sou brilhante… Se conseguissem ver a forma como eu entendo o mundo e o analiso, a forma como compreendo as pessoas, os seus comportamentos e até aquilo em que pensam… Tudo o que vai cá dentro, tudo o que eu sei e todas as coisas que só eu percebo tornam-me num ser extraordinário. Só eu observo uma serra no fim de tarde como alguém que descobre o sentido da vida. Sou preto, branco, amarelo, vermelho… sou de todas as cores. Sou velho e novo, homem e mulher… sou eu e tu… nós! Tenho dúvidas – não sou perfeito – não sei o que esperar do amor e não compreendo a morte talvez porque estejam muito longe e muito fundo. Mas penso nisso. Penso em tudo até à exaustão. Tento aprender e ser melhor, cuidar de mim… comer vegetais e peixe. Sou único e interessante como todos. Qualquer pessoa é um romance à espera de ser escrito. Quero conhecer toda a gente, beber a individualidade e o brilhantismo de todos, mesmo que às vezes corra o risco de morrer à sede (tudo o que não compreendo está muito longe e muito fundo) e quero-o porque sou eu, porque só eu observo uma serra no fim de tarde como alguém que descobre o sentido da vida. Sou preto, branco, amarelo, vermelho… sou de todas as cores. Sou velho e novo, homem e mulher… sou eu e tu… nós!


(João freire)

Reaproveitado para o tema de Janeiro de 2011, Preconceito, num desafio da "Fábrica de Letras".

8 comentários:

ipsis verbis disse...

eu por outro lado, observo "o sentido da vida" como alguém que descobre uma serra no fim de tarde. tb quero ser preta. mas para isso o sol terá q aparecer!

ipsis verbis disse...

ah... e sou mais mate que brilhante. mas há sempre o óleo johnson! =D

B disse...

Que hedonismo delicioso! E que bom que é não haver cor ou forma ou cheiro ou vista que nos definam!

Johnny disse...

Pode ser delicioso, B, mas é amargo... é como o chocolate negro :)

Por entre o luar disse...

Deve ser bom conseguir-se ser tudo ao mesmo tempo ... *

Johnny disse...

É extenuante, Por entre o luar, é extenuante.

Por entre o luar disse...

extenuante é não o ser ... não saber ver os outros como seres que no fundo são iguais a nós e mesmo assim os descriminamos !

Johnny disse...

Não ser nunca é extenuante, porque para "não ser" basta não fazer.