04/07/2007

Fischerspooner - Just Let Go

02/07/2007

She Wants Revenge - These Things



Havia uma versão com a Shirley Manson, que era a que estava aqui, mas desactivaram-na e pus esta em vez da outra.

PIM!

"O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias p'ra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!"

(José de Almada-Negreiros)

Bicameralismo

No seu livro "The Origin of Consciousness in the Breakdown of the Bicameral Mind" Julian Jaynes sugere que até há alguns milhares de anos atrás, o homem não era consciente, como o somos hoje. Com isto, não quer dizer que o homem não pensava, mas sim que não o fazia conscientemente.
Jaynes descreve este estado, como algo similar ao sonambulismo, estado esse em que não estamos cientes de "estar" de "ser", mas sim, um ego que "executa" realmente uma actividade. Julian Jaynes, aponta que muita da nossa actividade que fazemos quando acordados também não é consciente, neste sentido. Quando nos levantamos de uma cadeira ou executamos várias rotinas diárias , não estamos a fazê-las conscientemente. Elas acontecem por si só, por assim dizer. Diz ainda que a consciência como a conhecemos é uma coisa relativamente nova, e que aconteceu simultaneamente com o colapso na comunicação entre as duas metades do cérebro.

Mas afinal o que é o Bicameralismo?

Baseando a sua teoria na história psico-cultural de várias civilizações antigas, (egípcia, hebraica, grega e asiática) Jaynes chegou à conclusão que a maior parte das pessoas destas civilizações não eram conscientes subjectivamente.
Focando principalmente a cultura grega, Julian Jaynes declara frontalmente, que a Ilíada de Homero não tem consciência. Os personagens não têm mentes conscientes nem introspecção, como conhecemos hoje no humano moderno. Tanto Aquiles como Agamemnon, não têm sentido de subjectividade. Ambos eram "manipulados" pelos deuses como robots. E aqui, Jaynes diz que, estes heróis que ouviam "vozes" ou discursos e direcções dos deuses teriam diagnóstico igual ao de epilepsia ou esquizofrenia, hoje.

No cérebro humano existem 3 áreas para o discurso, para muitos no hemisfério esquerdo:

1 - Córtex Pré-motor

2 - Área de Broca

3 - Área de Wernicke

A Área de Wernicke é a zona do cérebro que é crucial para a linguagem e é aqui e no corpo caloso, que Julian Jaynes foca a sua atenção. (corpo caloso é a estrutura responsável pela conexão entre os dois hemisférios cerebrais)
No cérebro humano, o corpo caloso é uma espécie de pequena ponte, uma fita de fibras transversais (...) E foi esta ponte que que serviu como veículo pelo qual, os "deuses" que permaneciam num hemisfério do cérebro humano davam as suas "direcções" ao outro hemisfério. É como pensar que os dois hemisférios do cérebro são dois indivíduos . Daqui a mente Bicameral.



http://www.conknet.com/~mmagnus/Jaynes&Language.html

http://www.bizcharts.com/stoa_del_sol/conscious/conscious3.html



01/07/2007

Liberdade

"It's only after you've lost everything," Tyler says, "that you're free to do anything."

(Chuck Palahniuk, Fight Club)

Stone Temple Pilots - Lady Picture Show

Aeroporto para valverde

Na sequência da discussão crescente sobre a localização de um novo aeroporto, apresento a seguir o excerto mais procurado e publicado do momento: A acta de 2 de Outubro de 1919 da Junta de freguesia de Valverde.

Mais do que verdadeiro, isto é verídico.

"Aos dois dias do mês de Outubro de 1919 na sala das sessões da Junta de Freguesia reuniu em sessão extraordinária a Junta de Freguesia para apreciar e deliberar sobre o alvitre apresentado pelo cidadão B. A. A. e que consiste no seguinte: Como é sabido, todas as nações estão, neste momento, fazendo convergir as suas atenções para um dos problemas máximos da actualidade - a aviação. E mais restritamente, entre nós, vem-se constatando dia a dia um patriótico movimento em favor do desenvolvimento da aviação. Assim vemos as Câmaras Municipais de todo o país acorrerem pressurosas ao apelo lançado pelo importante Jornal “O Diário de Notícias” oferecendo todo o seu concurso moral e material em prol da aviação. Nesta ordem de ideias lembrava o referido cidadão a conveniência de esta Junta pôr à disposição da Câmara Municipal do Fundão o terreno necessário para a construção de um campo de aterragem de aeroplanos no sítio denominado o Carvalhal do Povo e que é propriedade desta Junta. Foi este alvitre posto à discussão e apreciação pelo Presidente, deliberando esta Junta por unanimidade ceder à referida Câmara Municipal do Fundão no sítio denominado o Carvalhal do Povo o terreno necessário para a construção do dito campo de aterragem “.

in Diário XXI

Homer em inglês

Tersites (Ilíada de Homero) era um homem feio e tagarela.

Fonte: Ilíada

1,2,3... SOM!

"O som é um sentido muito especial. Não podemos manipulá-lo. Não podemos empurrá-lo. Não podemos virar-lhe as costas. Podemos fechar os olhos, tapar o nariz, afastá-lo do tacto, recusar prová-lo. Não podemos tapar os ouvidos, mas sim abafá-los. O som é o menos controlável de todos os sentidos... Estamos portanto perante um problema de considerável profundidade e complexidade."


(Julian Jaynes)

Para uma perspectiva diferente

A ideia de Carl Sagan em ver o nosso mundo como um “pálido ponto azul” na vastidão do espaço pode fornecer alguma perspectiva sobre a forma como vivemos nele.



Conseguem identificar o planeta terra?



Imagens: JPL/NASA.

O excerto seguinte foi inspirado pelas imagens anteriores, feitas após sugestão de Sagan, pela Voyager 1 em 14 de fevereiro de 1990. Enquanto a nave espacial saía da nossa vizinhança planetária para as franjas do sistema solar, os engenheiros espaciais fizeram-na girar em seu redor para um último olhar ao seu planeta. Voyager 1 encontrava-se aproximadamente a 6.4 mil milhões de quilómetros de distância e 32 graus acima do plano da eclíptica quando capturou este retrato de nosso mundo. Travado no centro dos raios claros dispersos (resultado de tirar a fotografia tão perto do sol), a terra aparece como um ponto minúsculo da luz, um crescente de 0.12 pixel em tamanho.



"Olhe outra vez para aquele ponto. Aquilo é aqui. Aquilo é casa. Aquilo somos nós. Nele se encontram todos os que você ama, todos os que você conhece, todos aqueles de quem você ouviu falar, todos aqueles seres humanos que alguma vez existiram, vivendo suas vidas. O agregado de toda a alegria e sofrimento, os milhares de confissões religiosas, as ideologias e as doutrinas económicas, cada caçador e cada peça de caça, cada herói e cobarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada par novo no amor, cada mãe e pai, a criança esperançosa, o inventor e o explorador, cada professor da moralidade, cada político corrupto, cada “superstar,” cada “líder supremo,” cada santo e pecador na história da nossa espécie viveram lá: num monte da poeira suspenso num raio de sol.

A terra é um palco muito pequeno numa arena cósmica muito vasta. Pensar dos rios do sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores de modo que, na glória e no triunfo, pudessem transformar-se nos semhores momentâneos de uma fracção de um ponto. Pensar nas crueldades infinitas visitadas pelos habitantes de um canto deste pixel nos habitantes mal definidos de algum outro canto desse mesmo ponto e em como são frequentes seus enganos, quão ansiosos estão por se matarem um ao outro e como ferve o seu ódio.

A nossa postura, a nossa auto-importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo, são desafiados por este ponto da luz pálida. Nosso planeta é apenas um grão na obscuridade cósmica que nos envolve. Na nossa obsuridade, em toda esta vastidão, não há nenhuma sugestão de que a ajuda virá de outra parte para nos conservar.

A terra é o único mundo conhecido que permite abrigar a vida. Não há, pelo menos no futuro próximo, outro para o qual a nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Assentar, ainda não. Gostemos ou não, para já a terra é onde marcamos a nossa posição.

Diz-se que a astronomia nos torna mais humildes e nos forma o carácter. Não há talvez nenhuma demonstração melhor da loucura a que chega o convencimento humano do que esta imagem distante de nosso mundo minúsculo. Para mim, esta imagem sublinha a nossa responsabilidade em negociar uns com os outros de forma mais amável e preservar e estimar o pálido ponto azul, o único repouso que nós conhecemos sempre."

Carl Sagan, "Ponto azul", 1994

Para o desafio de Outubro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Viagens".