22/09/2010

I had a parrot. The parrot talked, but it did not say "I'm hungry," so it died*

"Chegou o fim, adeus, gostei muito, a vida é mesmo assim, até à próxima... Adeus!”
Assim.
Muitos fins anunciados se têm visto por aí.
Ainda que num mundo em crise, nunca houve um tempo em que a fartura e facilidade desempenhassem um papel tão presente e importante na nossa vida. A facilidade com que conhecemos e contactamos pessoas, algumas a milhares de quilómetros de distância, e lhes mostramos o que fazemos e gostamos é apenas comparável à forma como tudo isso pode desaparecer.
Decidir o fim de algo não é fácil. O fim exige muita coragem, mas exige acima de tudo certezas. Aprecio quem tem a coragem de anunciar o fim, mas questiono as suas certezas.
Não gosto de fins. Os fins afastam-nos.
Uma amiga, a Ana, sempre que nos despedíamos e lhe dizia adeus, pedia-me que não lhe dissesse essa palavra, que era “muito definitiva”, dizia ela.
Compreendo-a bem.
Ninguém sabe o que o futuro reserva, talvez até nos reserve o fim, mas não precisamos de estar a anunciá-lo.
Tudo morre da mesma forma: de velhice, de exaustão, de doença, de fome, de acidente... no esquecimento, numa ligeira brisa, deixando os seus restos mortais para quem melhor os aproveitar. Isto é verdade para a vida como é verdade para um blogue.

(João Freire)

Archive - Waste

Archive - Again


 *Citação de Mitch Hedberg

38 comentários:

anouc disse...

cofi*

ipsis verbis disse...

Então?

Catsone disse...

Epá, ó João. Também tu?

Lala disse...

vou fingir que não li isto. vou ali. já venho.


...




(dasssssss! 'atão' mas afinal...?)

anouc disse...

:D

Johnny disse...

Acho que me expliquei mal... ou vocês não leram até ao fim.

Pronúncia disse...

Quase ninguém gosta de fins, estão normalmente associados à sensação de perda. Mas tudo, mesmo tudo, tem um fim, é inevitável...

Eu gosto de pensar que à dor de um fim (com excepção da morte) segue-se sempre a alegria de um novo começo...

Johnny disse...

Pronúncia, eu começo a achar que gostam de fins, porque cada vez se vêem mais... e anunciar o fim tem algo de pedido de ajuda ou de grito de dor... ou de grito, só!

Basicamente, escrevi isto porque não compreendo os fins que por aí se vêem (maioritariamente em blogues) e não porque não haja razões para eles....

... se calhar isto é muito confuso, mas é da hora tardia.

Pronúncia disse...

johnny, já pensaste que no caso dos blogues pode ser mesmo cansaço, falta de inspiração e aquela sensação de "obrigação" que começa a tomar o lugar da novidade e do prazer com que inicias um blogue?!

Johnny disse...

E a solução é logo o fim, Pronúncia? Como digo, parece muito definitivo... para mim, nessas ocasiões é deixá-lo em paz. Nunca se sabe quando pode vir a dar jeito.

Pronúncia disse...

johnny, é uma opção.

No meu caso, confesso que quando passo mais que 2-3 dias sem publicar (por falta de assunto e de vontade de escrever) fico um pouquinho triste por me lembrar de quando escrevia todos os dias, a caixa dos comentários era animada, e aí ponho em causa a existência do blogue.

Moyle disse...

é como eu digo sempre: não vale a pena levar a vida demasiado a sério porque não sairemos vivos dela.

Lala disse...

voltei. bem me parecia que tinha lido mal. deve-me ter escapado uma vírgula. faz toda a diferença.




...





(pregaste-me cá um cagaço, pá!)

Lala disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
meldevespas disse...

Acho que partilho desta especie de desapontamento. Um blog-suicidio ´´e desnecessario, ate porque a erosao natural das coisas encarrega-se de apagar as coisas, em dias, meses, anos quem sabe. Por mim, chego a passar meses sem publicar nada, principalmente no Sapo, mas gosto de saber que ele esta ali. Prefiro o envelhecimento inevitavel da coisa, ate porque abomino o definitivo.
Beijo

Salvador disse...

É... não há necessidade de antecipar a ordem natural das coisas. É deixar correr...

Catsone disse...

Johnny, o meu estaminé tem 5 anos. Já perdi a conta das vezes em que pensei em assassiná-lo...
Na montanha russa das vontades, agora ele está numa descida mas pronto a voltar a subir.

Porta-te.

Por entre o luar disse...

Acho que o fim só mesmo na Morte e mesmo assim.... E quase sempre esta chega sem tempo para anunciar o Fim ! Gostei *

Johnny disse...

Pronúncia, mas não acabes com ele, está bem?

Moyle, como costume, bem dito.

Lala, peço desculpa pelo cagaço :)

Mel, exactamente como eu penso. Os acentos é que continuam em má forma :)

Salvador, exactamente.

Catsone, é como tudo o resto... como nós próprios, por exemplo, que também costumamos andar nessas mntanhas-russas. Eu porto.

Por entre o luar, a ver vamos, como diz o outro...

MZ disse...

E quem sabe do fim?
Uma doença terminal é um fim anunciado, aqui não há volta. Só espera e agonia.
A falta de vontade em permanecer na blogosfera ou em outro lado qualquer nunca pode ser um fim anunciado. A qualquer momento podemos regressar mais vivos, mais renascidos. Contudo, é sempre uma incerteza.

Johnny, no início pensei que era uma despedida subtil.
Mas não é, pois não?

É mais um texto, mais uma reflexão...


(é o 3º comentário q faço a este texto, os outros dois perderam-se)

Johnny disse...

MZ, nunca se sabe, mas de certeza que não será nos próximos tempos :)

Quando sair, ninguém vai saber ;)

MZ disse...

Ainda bem que vamos poder contar com os teus pensamentos, as tuas palavras, a tua música... pedacinhos soltos do que queres transmitir a quem te lê.

E com a resposta que deixaste, estou a ver que não gostas de despedidas. Será como tu desejares e ponto(final)!

Johnny disse...

Não é não gostar, não gosto de lhes dar importância. Há pessoas que lidam com essas coisas de forma diferente.
A minha avó, por exemplo, chora sempre que se despede de alguém... como se fosse a última vez.

Conheço um senhor que, quando a filha, o genro e os netos vão de viagem nunca se despede, perguntando sempre a que horas vão para se ausentar nessa hora subrepticiamente.

Talvez seja uma coisa da idade...

MZ disse...

Talvez, Johnny... talvez...
Olha sabes uma coisa?
Acho que vou escrever hoje sobre a palavra "adeus".


Beijokitas

Johnny disse...

Então adeus :)

Dylan disse...

Anda lá Johnny. Tens muitos festivais dos chocalhos para percorrer! Não assustes o pessoal...

Juana disse...

O fim de uma etapa pode acontecer, mas a vida continua e o tempo ajuda! (tão cliché) É preciso tempo... Obrigada pela visita.

Johnny disse...

Juana, o teu blogue é o exemplo perfeito do que eu entendo. Houve uma altura em que "acabou", mas depois... acabou por não acabar e agora voltaste. Isso eu entendo, não entendo é as portas que se fecham definitivamente, porque como dizes, o tempo pode mudar tudo.

Anónimo disse...

eu acho que os fins podem ser óptimos lenitivos e o eterno recomeço muito confortável e desresponsabilizante.....!não obstante, partilho da opinião da "ana", tb não gosto nada de dizer adeus!! Dorothy

Johnny disse...

Dorothy, mas imagina que - hipoteticamente - tinhas um blogue, faz-de-conta que se chamava brique-a-braque ou qualquer coisa do género, e que havia gente que gostava de o acompanhar... imagina tu que acabavas com ele... imagina tudo isso e imagina o que as pessoas que o acompanhavam sentiriam ao saber que ias acabar com ele. Nada de mais, claro... essas coisas passam, mas continuo a achar que é uma forma desnecessária e até algo egoísta de resolver as coisas.

Anónimo disse...

tens razão, há algum egoísmo nestas coisas dos adeus peremptórios! mas também há algumas vezes uma grande consciência de si mesmo, ou, rectior, a consciência de que nada aumenta ou exclui com aquilo que escreve - nos casos dos blogues - ou é - no caso da "vida", como disseste - apesar disso, como nos apaixonamos por um escritor um músico por qualquer coisa que nos transmite algo, imagino que,e respondendo à tua pergunta, também não gostaria nada que um tal de valnada inc acabasse, porque tem uns posts bem interessantes e que me deixam quase sempre com a sensação "ah... pois... é isto mesmo" :) em haja aqui ao estaminé!! ;)

caminhante disse...

um fim é sempre um novo começo [mesmo na chamada "morte"]... despedi-me do meu primeiro blog porque a minha vida tinha dado um volta de 180º. não me revia mais naquele espaço que tinha sido o meu refúgio durante mais de um ano.

sinto alguma tristeza, confesso, quando um blog que sigo se despede. porque [apesar de ser uma péssima seguidora - raramente comento porque, maior parte das vezes, os textos são tão bons que eu não consigo acrescentar mais nada] eu sinto uma espécie de proximidade com o autor. como se fosse alguém que eu conhecesse há muito tempo, um companheiro de viagem. e sinto-me um pouco mais sozinha.

fico feliz por saber que este post é somente um exercício literário...

[também não gosto de dizer "adeus"...]

até de repente...

e um beijinho.

Sílc disse...

Johnny, vim até sua Casa e me encantei. Por conta do MZ.E agradeço a indicação. Lindo Texto. O teu e o dele. ADEUS no sentido de até mais, atpe breve... já postei sobre lá na Casa do MZ. Já estou te seguindinho também. E encantada. Lindas canções, de encantar. Volto sempre.
Se desejar, ficarei honrada com sua visita lá na Minha humilde e ainda neném Casa. Eu e MZ temos muito em comum na escrita.Contadores de hist´roias de vidas!
Fique bem e te espero.
Com amor e carinho
Sílvia
http://www.silviacostardi.com/

Johnny disse...

Anónimo (que penso que seja a Dorothy) dá graxa ao cágado... :) mas a verdade é que deixaste de escrever e de aparecer - mesmo os comentários são raros - e sente-se sempre a falta de algo (ainda que pequenino) que existiu e deixou de existir numa coisa assim tão pequena, quanto mais numa maior de um blogue que se segue há muito tempo!
Ou seja, volta lá a escrever no blogue (porque, como dá bem para ver neste comentários, dizes coisas interessantes) e adapta-te aos tempos modernos e escreve no facebook, manda links, etc. aparece... nem que seja só por aqui.

Caminhante, como disse, compreendo quem acaba com os blogues, da mesma forma que compreendo quem sai de uma relação, quem decide pôr um fim em algo, mas sinto que esse fim acaba sempre por fazer danos colaterais, no caso do blogue os seus leitores e acompanhantes... e foi só isso que eu lamentei.
Até de repente soa-me bem :)
Beijinho.

Sílc, obrigado pela visita, volte sempre e cuidado com o encantamento que às vezes nos limita a visão!
A ver se dou uma vista de olhos por lá.

pinguim disse...

Ainda bem que cheguei no fim, pois entendi que neste caso não há fim.
Ainda bem!!!!

Brown Eyes disse...

johnny parece que há muito para ler e pela vsita de olhos que dei são assuntos que me interessam bastante. Começando pelo fim, também não gosto da palavra Adeus e em vez dela digo um até já. Um Adeus, para mim, é um fim. Fins? dei alguns na minha vida, definitivos, sem volta atrás, é assim que vejo um fim, nunca diria um Fim e depois voltaria. Ora bem como um fim para mim não tem volta penso bem antes de o proferir mas há muita gente que não. DEtesto e fico com má impressão de alguém que profere algo sem certezas, tenho ideia que não sabe bem o que anda a fazer e é manipulável. Beijinhos

Johnny disse...

Acredito que existam fins, Mary, acredito que seja em situações limite e acredito que os teus tenham sido assim, no limite e muito ponderados, mas há fins que não valem a pena, mesmo aqueles que à primeira vista parecem definitivos... o tempo é uma ferramenta muito importante da inteligência e sempre evita essas más impressões de quem avança e recua conforme o estado de espírito.

Johnny disse...

Pinguim, claro que não.