06/09/2011
Ajudem a minha sobrinha a comprar um telemóvel
17/03/2011
Anúncios da Nike com o sobrinho
04/06/2010
Doce avozinha
Doce avzinha by Agrupamento Musical Lauro Palma
12/03/2010
Um barulho enlouquecedor no silêncio
Sua mãe bateu à porta do quarto, como de costume, e chamou-a.
Na sua cabeça chamava-lhe velha e não gostava dela.
Levantou-se na escuridão, percorrendo às apalpadelas os cinco passos até à casa-de-banho, para depois acender a luz. O seu retrato no espelho era neutro e ela olhava para ele como se procurasse algo… Talvez as caras das vozes com quem discutia na sua cabeça, o barulho enlouquecedor no silêncio.
Pegou na lâmina e fez um corte no antebraço. Funcionava para se acalmar, funcionava para acalmar as vozes. Ao lado da ferida no braço, cicatrizes, umas antigas outras recentes, mostrando as tentativas de lidar com o seu ‘problema’, e as veias azuis que ela contemplava profundamente, sentindo-as latejar, apertando a mão com força para que se vissem melhor.
Diagnosticada, internada, normalizada, passara dois anos fora de casa, entre quartos brancos e salas almofadadas que a impediam de se magoar… e a claridade opressiva. Por isso lhe era difícil encontrar lâminas pela casa, por isso a sua mãe entrava de rompante em certas ocasiões, por isso ela chorava sem emitir nenhum barulho ou líquido, sempre um olhar neutro e muita confusão na sua cabeça, como se a sua mente fosse o burburinho de uma cozinha atarefada de um restaurante popular.
O arrastar de móveis e o bater de portas na outra divisão indicava-lhe que tinha mais algum tempo de solidão. Apenas quando o barulho cessava é que sua mãe chegava, mas fazia tempo que não lhe investigava os braços, fazia tempo que ela se preocupara, afinal, bastava um sorriso para que a desculpasse das provas dos medicamentos tomados que antes lhe exigia severamente.
Como sua mãe, que regozijava com os progressos, ninguém na família alargada ou conhecidos em geral diriam que se passava algo com aquela rapariga, fingindo desconhecer que os problemas mais difíceis de todos nós são aqueles que nos atormentam por dentro. Para toda a gente basta uma aparência de felicidade nos outros, para toda a gente serve uma inócua pergunta, “tudo bem?”, seguida de uma resposta ainda mais inócua, “sim”. Não fossem as caixas de lítio compradas por sua mãe numa farmácia do outro lado da cidade de três em três meses e nenhum problema existiria. Daí a estranheza da população quando, após a hospitalização da mãe, aquela rapariga saiu à rua nua como uma criança inocente no seu corpo de 26 anos.
Claro que sua mãe morreu. As pessoas morrem sempre nestas histórias tristes que se contam de ouvir dizer. E naquele dia, antes mesmo de virem os senhores da segurança social e do hospital, apenas restou o silêncio na casa. Todas as janelas estavam fechadas. No quarto, sentada na beira da cama, olhando um espelho grande na parede, uma rapariga e uma lágrima apanhada com um dedo inquisidor para o qual olhou, vendo-o molhado, a prova de que apesar de tudo sentia.
(João Freire)
Tindersticks - Tiny Tears
Para o tema
02/12/2009
Bife em molho de pimenta num vestido branco
Nada do que se passava àquela mesa se assemelhava ao Natal. O natal não é, ou, como ela conjurava na sua mente, “não pode ser um grupo de recém-amigos, emparelhados em casais à volta de uma mesa, para comemorar uma data que não lhes diz nada!”
Lembrava-se de um outro natal, lembrava-se dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, de berros disseminados dos pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrava-se da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
Esse é que seria o verdadeiro Natal.
Olhava em redor e via caras desconhecidas, pintadas dentro dos contornos perfeitamente delineados a negro, que se contrapunham ao brilho da fileira de dentes branca que usavam como uma figura de estilo no requintado discurso; caras resplandecentes em cima de fatos alinhavados com mestria, pretos e cinzentos, ora camisa branca, ora vestido preto, gola engomada, salto alto, bainha, botões, relógio, decote, cinto, brinco e colar, cabelo, cabelo, gel e cabelo… mais cabelo, equilíbrio e gala. E lembrava-se ao mesmo tempo das suas próprias correrias ruborizadas e ofegantes de menina, do suor na testa que molhava o cabelo, da prima desdentada que se ria em desafio, apresentando ao mundo a ridícula soma de três dentes com a idade de 9 anos, as camisas desfraldadas, mais cabelo suado, uma palma de um adulto na testa com medo da febre e mais correrias, tudo isto enquanto sorria levemente, mexendo com o garfo no seu prato molhado de grãos de pimenta.
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – tornou –, como reagiria ela e o seu namorado informático?”
Sorriu com malícia.
Reminiscência após reminiscência, evocava aqueles dias de Dezembro, podia jurar que sempre iguais, com a mãe a passar ferro, o irmão bebé a brincar com algo novo e insignificante, o outro irmão na rua a desmontar uma bicicleta nova para arranjar uma mais velha que estava pendurada na parede da garagem, o pai sempre a trabalhar, uma panela de pressão no bico maior do fogão, a missa na televisão, o lume na lareira e tudo sempre assim, porque a missa não podia nunca estar na lareira, nem a panela na televisão, da mesma forma que o seu irmão não podia manter algo novo intacto por muito tempo, a natureza das coisas, portanto! E ela a pedir à mãe para ir aos tios, que ainda faltava receber presentes, sem, no entanto dizer que ainda faltava receber presentes, mentindo-lhe que tinha uma coisa para dizer à prima, e depois nem via a prima, entregando um saco com prendas que também não via, aguando os olhos até receber o seu saco (e dos seus irmãos), com as suas prendas, e sempre uma boneca, sempre coisas para pintar e uma agenda, uma agenda que morreria com uma entrada apenas:
“19 de Fevereiro:
Hoje nevou.
Eu e os meus irmãos fomos brincar para a rua.
Foi divertido."
E sempre muitos papéis e o seu barulho.
- Mas só em casa – exclamava a tia de dedo em riste.
E só em casa é que abriam. E brincavam, riscavam, sujavam, esperavam pela neve, brincavam de novo até as rodas do carro se gastarem, o cabelo da boneca se arrancar, as folhas do bloco de desenhar se riscarem, muitas vezes sem a neve aparecer.
- E a neve sem aparecer – dizia alguém.
E continuavam, ao contrário do pai que se sentava ao lume e ria…
- É meu – dizia um.
- É meu – dizia o outro.
…E ralhava.
Eventualmente seria dela – recordava, num assomo de superioridade perante os irmãos –, mas os irmãos nunca se importam com juízos de facto no que diz respeito à posse de brinquedos.
Depois os avós, “mais uma boneca, uma nota, uma pista de carros para os dois idiotas, um par de meias” e sempre as mesmas contas de somar e subtrair, para comparar com o ano anterior.
E tudo igual.
Podia jurar que era sempre igual, que recebia sempre os mesmos presentes embrulhados no mesmo papel e que os dias eram sempre iguais e a mãe a passar a ferro, os miúdos à volta dela já com os brinquedos, o pai a trabalhar e a neve… às vezes neve, outras vezes sem neve, mas sempre igual.
E enquanto se lembrava disto começou a chorar. O seu namorado (também) informático perguntou-lhe, discretamente, o que se passava.
- Opá – disse, emocionada, para que todos a ouvissem – estava aqui a lembrar-me do Natal em minha casa quando era miúda.
E todos, sem excepção se lembraram dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, dos berros disseminados de pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrando-se também da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
- Como seria se atirasse este bife ao vestido branco da Rita?
(João Freire)
Texto subordinado ao tema "Natal" num desafio da "Fábrica de Letras".
03/05/2009
16/04/2009
Parabéns Ricardo!
Muitas felicidades, muitos anos de vida.
Beijos & Abraços mano! :)
15/04/2009
Parabéns Mãe!
Muitas felicidades, muitos anos de vida!
Beijos e abraços :)
04/01/2009
Desafio dos desejos
1º - Experimentar
Voar num caça (avião), saltar de pára-quedas ou conduzir a mais de trezentos quilómetros por hora num super carro. Pode ser um qualquer destes três ou até outro desde que o nível de radicalidade seja abundantemente satisfatório.
2º - Sentir
Andar à porrada, de preferência com um gajo maior, e - aspecto muito importante do desejo - ganhar.
3º - Conhecer
Viajar pelo maior número de países possível, conhecendo as pessoas mais interessantes do mundo. Acho que mais de 50 países estaria muito bem, mas não me queixaria se visitasse 200. Quanto às pessoas, qualquer uma desde que as considerasse mesmo interessantes.
4º - Receber
Felicidade. Desejo a minha e a dos outros. A minha envolverá sempre a saúde, a família os amigos por perto e algum dinheiro. A dos outros que seja conforme a sua vontade.
5º - Dar
Ser ou fazer regularmente qualquer coisa de útil para a sociedade, desde ajudar uma idosa a atravessar a rua a resolver o conflito israelo-palestiniano.
6º - Fazer
Escrever.
7º - Viver e Amar
Ser melhor todos os dias do que nos dias anteriores e morrer aos 128 anos, na forma de um homem de 50 anos em boa forma, seis minutos depois de adormecer, após ter feito sexo com a minha mulher de sempre, com uma idade próxima à minha, mas na forma de uma trintona sensual (em espectacular forma física), que morreria calmamente como eu, acompanhando-me assim na viagem até ao céu, onde o paraíso seria uma realidade, Deus existiria mesmo e tudo o que de bom se pudesse imaginar aconteceria pela eternidade fora.
P.S. - Sim, o desafio consistia na divulgação de 8 desejos, mas como tentei ser o mais abrangente possível, não precisei sequer de usar os 8 (Se virmos bem as coisas, terei utilizado mais de 20 desejos, mas quem está a contar?) Dou o último desejo a quem mais precisar.
26/05/2008
O nome Freire


Variações alemãs e inglesa da grafia do sobrenome incluem: Freer, Fryer, Frier, Frere e muitos mais.
Estudos indicam que os primeiros Freires apareceram na antiga Prússia. Mas os primeiros registos do nome vêm de Lothian, na Escócia onde viveram muito tempo e os seus registos aparecem nos rolos dos censos levados pelos Reis da Inglaterra para determinar a taxa dos impostos destes.
Alguns dos primeiros colonos com este sobrenome e algumas de suas variantes foram: Martin Freer, que residiu na Pensilvânia em 1773; Walgrave Freer, que residiu em Charleston S.C. em 1718; George Frier, que residiu em Virgínia em 1764.
Entre os nomes familiares que emergiram das névoas do tempo, uns são da Holanda e Bélgica como a posteridade antiga do sobrenome Freire ou Freer. A história distinta deste sobrenome está entrelaçada dentro do tapete colorido das crónicas antigas da Inglaterra. Alguns falaram em dialecto francês velho e eram conhecidos como " Walloons " que vem da Bélgica meridional.
A presença Flamenga e Holandesa na Inglaterra começou aproximadamente no ano 1150 D.C., e contribuiu mais a desenvolvimento industrial britânico que qualquer outra raça, Os Flamengos eram artesãos industriais nos países baixos e foram recrutados primeiramente na Escócia para desenvolver a indústria escocesa. Eles tornaram-se patriotas escoceses ardentes, tanto que quando se fortificaram com barricadas no Corredor Vermelho com tal teimosa e resistência, todos os homem foram mortos.
Investigadores profissionais tem guardados tais manuscritos antigos como o Ragman Rolls (1291-1296), um registo de homenagem feito reverenciando o Rei Edward 1º de Inglaterra, a Cúria Rolos de Regis, O Tubo Rola, o Forno Rola, baptismos, registos de imposto e outros
documentos antigos, e o primeiro registo do nome Freire ou Freer, encontra-se em Lothian onde eles foram assentados em tempos remotos e os primeiros registos deles apareceu nos rolos do censo levados pelos Reis da Inglaterra para determinar a taxação dos seus impostos.
Durante o começo e meio da fase de desenvolvimento do nome, foram achadas muitas
ortografias diferentes nos arquivos pesquisados. Embora o nome, Freer, aparecesse em muitos manuscritos, de vez em quando o sobrenome era escrito como era soletrado, Fryer, Frier, Frere, e estas variações frequentemente soletradas aconteceram, até mesmo entre pai e filho. Era comum para uma pessoa nascer com um desses nomes, casado com outro e ainda outro, para aparecer na lápide dela. Os escriturários e os oficiais da igreja, escreviam o nome como soletravam, como eram falado por eles.
O nome de família Freer emergiu com uma notável família inglesa em Lothian, onde eles foram registados como uma grande família da antiguidade, assentaram com um solar e propriedades naquele condado, quando William Frere se tornou Bispo de Lothian.
Enquanto isso uma filial inglesa do nome começa a aparecer em Staffordshire e pode ter sido conectada com o Professor William Frere.
Na Inglaterra os Flamengos começaram o comércio de fazer papel, publicando livros, soprando vidro, fabricando de roupa, fazendo luvas, e muito mais. Muitos deles subiram de oficial de escritório para se tornarem sócios do Peerage, incluindo o Conde de Radnor, e o Conde de Clancarty.
Durante os séculos 16º, 17º e 18º a Inglaterra foi saqueada através de conflito religioso. O Puritanismo, o fervor político recentemente achado Cromwellianism, e a Igreja Romana rejeitaram todos os descrentes e lutaram para a supremacia e no meio deste tumulto religioso da Idade
Media, os Freires migraram, alguns voluntariamente para a Irlanda, outros principalmente para a Inglaterra. Alguns também se mudaram para o continente europeu, e outros povoaram a Austrália, Nova Zelândia, as Carolinas, Virgínia, Nova Escócia e a Índia Ocidental.
Notáveis contemporâneos deste sobrenome incluem muitos contribuintes distintos Charles Freer, Reverendo; Air Marshall Freer; Alexander Frere, Diplomata; James Frere, Cirurgião; Professor Sheppard Frere, Arqueologista.
A concessão mais antiga de um brasão encontrada, foi:
Negro com um chaveirão prateado entre três golfinhos.
A Crista era: Um golfinho.
NOMENCLATURA MUNDIAL USADA PARA O NOME FREIRE
1.FREER em Inglês: o apelido para uma pessoa piedosa ou para alguém empregado num mosteirio, o frade frere, o monge (do Latim irmão fraterno )
2. Em Flamengo : Cognome de Frederick.
Variações: Fre(e)ar, Frere, Frier, Fryer, Frade,
Cognomes: Espanha: Freire, Fraile. Portugal: Freire.
Patronímicos: Inglaterra.: Frears(on), Frierson.
De acordo com Richard Hollier de Nova Zelândia que continua a fazer a pesquisa sobre a Família Freer, o lema para a Crista Freer é " Aime Ton Frere" " ou " Amor de Irmão ".
Pesquisar também:
http://www.houseofnames.com/xq/ASP/sId./qx/honsurnamesearch.htm
http://www.genealogiafreire.com.br/origem_da_familia_freire_da_inglaterra.htm
http://home.cc.umanitoba.ca/~sfreer/frereped.html
http://home.cc.umanitoba.ca/~sfreer/toc.html
http://home.cc.umanitoba.ca/~sfreer/scotfrer.html
http://home.cc.umanitoba.ca/~sfreer/blaby.html
08/11/2007
Os Hoyts - Um silêncio transformado em grito
Mr. Hoyt: "Se não fosse pelo "peso extra", eu não teria participado"
Durante o parto, Rick sofreu danos físicos sérios resultantes do estrangulamento com o cordão umbilical. Como consequência dessas complicações, Rick perdeu a capacidade física de controlar o seu corpo e ficou confinado a uma cadeira de rodas impossibilitado de mover-se e de falar. Os médicos informaram Dick que não havia muita esperança para o seu filho. afortunadamente, as capacidades mentais de Rick não foram afectadas com os problemas do parto.
Enquanto crescia, Rick desenvolveu uma forma de comunicar com o mundo, batendo a cabeça contra um sensor de forma a identificar palavras, num processo árduo e moroso, que teve a ajuda de uma universidade local. a primeira coisa que escrevu: "go Bruins", nome da equipa local. Depois, enquanto progredia na juventude, entrando na idade adulta, as coisas começaram a mudar. O seu pai, Dick, reparou que Rick começou a exprimir um elevado grau de emoção quando o envolvia nalguma actividade física. Fosse quando batia um taco de óquei na sua cadeira de rodas, quando percorria o bairro empurrando a sua cadeira numa tentativa de imitar os seus ídolos desportivos ou quando o carregava em braços por caminhadas na natureza, as emoções de Rick mudavam visivelmente.
Foi então que um dia um amigo de família, que por acaso era corredor da maratona, convenceu Dick Hoyt a empurrar o seu filho numa cadeira de rodas na distância de uma maratona local. No intervalo de cinco curtos anos, Dick e Rick Hoyt passaram de correr em maratonas locais a competir nas mais difícil provas de triatlo do mundo. Dick e Rick completaram cada etapa do triatlo (natação, bicicleta, corrida) graças a invenções de Dick que lhes permitiam competir juntos. Dick Hoyt tinha cinquentas e muitos nesta altura. Correndo com o pai a puxar pelo filho, conseguiram acabar apenas trinta minutos atrás do vencedor!
Aproveitado para o tema "Silêncio" da "Fábrica de Letras"
14/10/2007
Os degraus do cabeço da avó Irene
(Mas falava eu sobre os degraus.)
Eram eles, os degraus, que separavam os dois níveis da propriedade e que da última vez que lá estive, me pareceram pequeníssimos. É engraçado como a ideia que temos de uma coisa muda com a idade, com o crescimento. Quando somos pequenos tudo nos parece maior, maior e mais lento, pois também me lembro do tempo interminável que demorava a percorrer esse pequeno terreno.
Mas que medo eu tinha do poço e de cair lá dentro, enleado no verdete e nos ramos caídos e como eram grandes os degraus.
- Eram enormes, vó!
Lembro-me de os descer e de ter de me apoiar nas paredes que o próprio terreno e a casa do motor a gasóleo constituíam. Sempre que torno a visitar o cabeço vejo a minha avó a vir na minha direcção, cada vez mais devagar.
(Todas as avós caminham mais devagar com a idade, com o crescimento.)
O balde vermelho, o lenço preto, o sorriso algo cansado, os últimos afazeres e a boleia que lhe dou até casa.
- Vamos embora, vó?
(João Freire)
30/04/2007
Ensaio sobre um lugar-comum: “Nenhum homem é uma ilha isolada”
(João Freire)





