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14/11/2011

Voar

Num tempo em que duvidamos de tudo, importa não esquecermos do que somos capazes de fazer.



Há mais vídeos, nomeadamente este, em que ele passa junto a uma montanha através de uma catarata, e este, a sua última proeza, em que atravessa uma gruta numa montanha na China. Espectacular.

30/08/2011

Fujam... cá para dentro.

Toda a gente gosta de ver fotografias das férias das outras pessoas. Toda a gente! Ou não...

Uma cabra.


Um jardim.


Uma tentativa de suicídio com mortal encarpado à retaguarda


A foto da praxe!


Um calhau.


Dois calhaus.


Calhaus organizados de forma a impressionar uma mulher.


... um calhau voador, vá.


Um buraco de onde extraem calhaus.


Uma paragem para descansar e uma vaca.


Sumo de lima... ou algo com lima.


Uma estrada ladeada de flores.


Um cão a guardar uma praça.


Montras em Braga... ou Barga.


Uma nuvem esquisita.


Um pterodáctilo.


Mais calhaus.


Água fria.


Um calhau congelado... e com dor de cabeça.


Uma cadela a sacudir a água.


Casal romântico em plena observação de baleias ao largo dos Açores.


Amigos... mais ou menos.


Um chapéu.



The Naked And Famous - Young Blood 


Para o desafio de Agosto da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Fugir".

P.S. - Convém dizer que o mérito das fotos é repartido por Bruno Carvalho (Deco), Luis Filipe (Hulk), Ricardo Dias (Ricardinho) e Inês Vilela, sem alcunha, porque as gajas nunca têm.

17/08/2010

Life's a rollercoaster

Talvez a vida seja uma montanha-russa*... ou talvez seja um parque de diversões. Se for, que seja o Port Aventura, que é o único que eu conheço, cheio de montanhas russas para escolher ou nos calhar em sorte, trazendo-nos de volta aquele sorriso de criança. Não é esse, é o outro. Há perigos, há subidas íngremes e descidas vertiginosas... ou nem por isso, porque já somos adultos, e tudo acaba muito rápido, mas há diversão certamente... como na vida!

Dragon Khan
"...el día de su inauguración batió el récord de inversiones con ocho, y el vertical loop más alto del mundo con 38 metros"

Furius Baco
De 0 a 135 Km/h em 3 segundos
"Fue la montaña rusa más rápida de Europa desde su inauguración hasta agosto del 2009, y una de las de mayor aceleración del mundo."

Hurakan Condor
"Es una de las más altas del mundo y rápidas, e incorpora un sistema único de carros inclinables."

*Pearl Jam - Everyday (cover)

20/06/2010

Assim é. Assim seja.

«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»


José Saramago em Viagem a Portugal




Retirado do blogue Os outros cadernos de Saramago

13/05/2010

Essa mala condición de estar rodeada por el mar por todos lados


Estava a olhar para ela, é verdade, mas também não é menos verdade que estava a olhar para outras duas. Será habitual em mim esta dispersão no olhar, ainda que, normalmente, isso redunde em nada. Pessoas que eu mal conhecia diziam para ir ter com ela, diziam aliás que qualquer uma das três valeria a pena, a cerveja ajudaria, mas perante a indecisão foi ela que veio ter comigo. Lembro-me perfeitamente do ritmo na pronúncia, quase como uma canção.
- Por qué me hás estado mirando toda la noche – perguntou ela.
Devo ter respondido, disso não me lembro, mas lembro-me bem (talvez não me lembre bem, mas lembro-me) do que aconteceu depois.
Ela estava com uma irmã, essa irmã teria o nome de um rio russo (?), depois falou-me das sobrinhas, acho que eram duas mas não tenho a certeza, disse que trabalhava num banco e finalmente disse que queria ir para outro lado. Eu disse que sim. Fomos a um bar, bebemos algumas cervejas, dançámos, trocámos carícias e beijos acalorados e no fim, quando decidíamos o que fazer e aonde ir para terminar a noite, explicou que teria todo o gosto, mas que precisava da minha ajuda para um problema no seu local de trabalho. No dia seguinte teria de repor 70 euros (aproximadamente). Disse-lhe que não pagava – a verdade é que também já não tinha esse dinheiro – até porque “se alguém tivesse de pagar" seria ela, uma vez que poderia "desfrutar de um macho latino”. Eu estava bêbado, o humor não daria para mais e a verdade nua e crua é uma: ela sorriu. A irmã apareceu, tentando explicar a situação, que não era nada do que eu estava a pensar, mas ela disse-lhe que não valia a pena e depois, com alguma tristeza no olhar, despediu-se de mim com um beijo enquanto era puxada no braço pela irmã, olhando-me com ternura. Saí com um sorriso nos lábios, percorrendo sozinho e ligeiramente embriagado as ruas desconhecidas de Havana, sentido-me de certa forma aliviado.
Continuo a querer acreditar que não era uma puta.


(João Freire)


Buena Vista Social Club - Chan Chan



Recordado para o tema "Paixão" num desafio da "Fábrica de Letras"

21/02/2010



Fotografias tiradas por João Freire e Márcia Esteves

06/02/2010

Ana Moura no Theatro Circo em Braga


Foi esta mulher, ontem, que me levou aos fados.

Ana Moura - Os Búzios


Ana Moura - O fado da Procura


Ana Moura - O que foi que nos aconteceu 

(Só faltou esta)

Foto retirada daqui

02/12/2009

Bife em molho de pimenta num vestido branco

“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – pensou –, como reagiria ela e o seu namorado informático ao ver este molho escuro espalhado naquele vestido branco?”

Nada do que se passava àquela mesa se assemelhava ao Natal. O natal não é, ou, como ela conjurava na sua mente, “não pode ser um grupo de recém-amigos, emparelhados em casais à volta de uma mesa, para comemorar uma data que não lhes diz nada!”
Lembrava-se de um outro natal, lembrava-se dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, de berros disseminados dos pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrava-se da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
Esse é que seria o verdadeiro Natal.
Olhava em redor e via caras desconhecidas, pintadas dentro dos contornos perfeitamente delineados a negro, que se contrapunham ao brilho da fileira de dentes branca que usavam como uma figura de estilo no requintado discurso; caras resplandecentes em cima de fatos alinhavados com mestria, pretos e cinzentos, ora camisa branca, ora vestido preto, gola engomada, salto alto, bainha, botões, relógio, decote, cinto, brinco e colar, cabelo, cabelo, gel e cabelo… mais cabelo, equilíbrio e gala. E lembrava-se ao mesmo tempo das suas próprias correrias ruborizadas e ofegantes de menina, do suor na testa que molhava o cabelo, da prima desdentada que se ria em desafio, apresentando ao mundo a ridícula soma de três dentes com a idade de 9 anos, as camisas desfraldadas, mais cabelo suado, uma palma de um adulto na testa com medo da febre e mais correrias, tudo isto enquanto sorria levemente, mexendo com o garfo no seu prato molhado de grãos de pimenta.
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – tornou –, como reagiria ela e o seu namorado informático?”
Sorriu com malícia.
Reminiscência após reminiscência, evocava aqueles dias de Dezembro, podia jurar que sempre iguais, com a mãe a passar ferro, o irmão bebé a brincar com algo novo e insignificante, o outro irmão na rua a desmontar uma bicicleta nova para arranjar uma mais velha que estava pendurada na parede da garagem, o pai sempre a trabalhar, uma panela de pressão no bico maior do fogão, a missa na televisão, o lume na lareira e tudo sempre assim, porque a missa não podia nunca estar na lareira, nem a panela na televisão, da mesma forma que o seu irmão não podia manter algo novo intacto por muito tempo, a natureza das coisas, portanto! E ela a pedir à mãe para ir aos tios, que ainda faltava receber presentes, sem, no entanto dizer que ainda faltava receber presentes, mentindo-lhe que tinha uma coisa para dizer à prima, e depois nem via a prima, entregando um saco com prendas que também não via, aguando os olhos até receber o seu saco (e dos seus irmãos), com as suas prendas, e sempre uma boneca, sempre coisas para pintar e uma agenda, uma agenda que morreria com uma entrada apenas:
“19 de Fevereiro:
Hoje nevou.
Eu e os meus irmãos fomos brincar para a rua.
Foi divertido."
E sempre muitos papéis e o seu barulho.
- Mas só em casa – exclamava a tia de dedo em riste.
E só em casa é que abriam. E brincavam, riscavam, sujavam, esperavam pela neve, brincavam de novo até as rodas do carro se gastarem, o cabelo da boneca se arrancar, as folhas do bloco de desenhar se riscarem, muitas vezes sem a neve aparecer.
- E a neve sem aparecer – dizia alguém.
E continuavam, ao contrário do pai que se sentava ao lume e ria…
- É meu – dizia um.
- É meu – dizia o outro.
…E ralhava.
Eventualmente seria dela – recordava, num assomo de superioridade perante os irmãos –, mas os irmãos nunca se importam com juízos de facto no que diz respeito à posse de brinquedos.
Depois os avós, “mais uma boneca, uma nota, uma pista de carros para os dois idiotas, um par de meias” e sempre as mesmas contas de somar e subtrair, para comparar com o ano anterior.
E tudo igual.
Podia jurar que era sempre igual, que recebia sempre os mesmos presentes embrulhados no mesmo papel e que os dias eram sempre iguais e a mãe a passar a ferro, os miúdos à volta dela já com os brinquedos, o pai a trabalhar e a neve… às vezes neve, outras vezes sem neve, mas sempre igual.
E enquanto se lembrava disto começou a chorar. O seu namorado (também) informático perguntou-lhe, discretamente, o que se passava.
- Opá – disse, emocionada, para que todos a ouvissem – estava aqui a lembrar-me do Natal em minha casa quando era miúda.
E todos, sem excepção se lembraram dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, dos berros disseminados de pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrando-se também da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.

- Como seria se atirasse este bife ao vestido branco da Rita?

(João Freire)

Texto subordinado ao tema "Natal" num desafio da "Fábrica de Letras".

23/09/2009

Uma noite no Insólito Bar, em Braga

Braga, mais do que uma cidade onde fui muito feliz ou muito triste… ou muito bêbado, é a cidade que me ensinou mais sobre a vida.
- Ver Braga por um canudo - diziam-me.
Mas mais do que ver Braga por um canudo de licenciado, foi lá que, para o bem e para o mal, me transformei no homem que sou.
Por isso, sempre que lá volto e olho os sítios por onde passei e vejo algumas das pessoas que por lá me acompanharam, mesmo os que não conhecia, não consigo deixar de lembrar o rapazinho que era (ao ponto dos meus colegas de casa não acreditarem que eu iria ficar com eles no dia em que cheguei), assim como não consigo deixar de sentir uma certa nostalgia pelo tempo que vivi lá como estudante. Nunca mais vai ser o mesmo!
Ficam, no entanto, as pessoas, a cidade e tudo o que aprendi… para sempre.



(No fim da parte sobre Braga, que é relativamente curta, há uma surpresa musical)


(João Freire)

13/08/2009

Festivais de Verão e El Mago

Nine Inch Nails em Paredes de Coura

Visitados neste blogue aqui, aqui, aqui e aqui.


Faith No More no Sudoeste


Visitados neste blogue aqui, aqui, aqui e aqui.
(Para além destas pérolas musicais isoladas que se podem encontrar pelo Youtube, também existe um concerto parecido àquele que deram no Sudoeste, que pode ser encontrado na íntegra aqui.)

...Ainda há bandas de jeito a fazer música de jeito. O Rock está salvo... por enquanto.


*fotografias retiradas do blitz

P.S. - Enquanto estava a ver os Faith No More, acho que o Benfica também deu um festival.

05/08/2009

Braga


Sou um homem de rotinas, poder-se-ia dizer que sofro de uma desordem obsessiva-compulsiva, mas dizê-lo pode parecer pretensioso e por isso não o digo. Digo apenas que tenho formas diferentes de fazer as coisas, algumas que me irritam, outras que me acalmam.
Acordo todos os dias Às 6:38. Se mudo o horário do despertador, faço-o sempre para uma hora que acabe em 8 ou 4, de resto, nunca termino as coisas sem chegar ao ponto que previamente estabeleci, seja a página de um livro ou o número de flexões que faço antes de tomar banho. Faço isto, ainda que demore mais um quarto de hora no trabalho para terminar algo ou meia hora na casa-de-banho para acabar um capítulo do António Lobo Antunes. Depois, sempre que viajo, tenho de comprar coisas específicas para os meus irmãos (um instrumento musical para ele e pins para ela - penso que ela já nem os suportará) e tenho de tirar sempre duas fotografias (estas não vou explicar, mas são sempre duas fotografias em situações específicas). Depois, por último, há algo que eu faço sempre e que é a coisa mais saborosa que posso fazer, que é a rotina da francesinha sempre que vou a Braga. Nunca falho e, apesar de me dizerem que "na Regaleira é que é" ou que "as da Foz são as melhores", eu não dispenso as do 053*, ao lado da Gulbenkian, em Braga, claro.

(João Freire)

* 053 deve-se à referência do indicativo do telefone de Braga. Antes era o 053, agora é o 253. As francesinhas continuam a ser no 053

Reaproveitado para o tema de Dezembro de 2010 sobre Objectos, pessoas, sítios e acontecimentos, num desafio da "Fábrica de Letras".

16/07/2009

Viagens

40 anos passados sobre o início daquela que seria a maior viagem do ser-humano*...

"Não esqueças que a viagem é como a roupa: a mais excitante é a interior."



* A alunagem, aquela viagem famosa do pequeno passo para o homem e do salto gigantesco para a humanidade
** Fotografia tirada na missão Apollo 8, pelo membro da tripulação Bill Anders


Para o tema "Uma longa viagem..." num desafio da "Fábrica de Letras"