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27/08/2023

Os químicos da felicidade

Habituámo-nos a estar sozinhos. A ideia de uma relação para a vida toda entre um homem e uma mulher que víamos nos filme e livros já não nos parece atraente e a facilidade de uma relação à medida que podemos pesquisar facilmente nos telemóveis de acordo com parâmetros pré-estabelecidos, é muitas vezes apenas aparente. As vontades muitas vezes não coincidem, a individualidade impera, surgem novas complicações que vão desde o simples iniciar da conversa, passando pela consideração que agora temos de ter com os pronomes, o género, a sexualidade, o tipo de alimentação, a filiação política entre milhares de outras coisas para as quais estamos mal preparados e que causam mais ansiedade do que interesse. É por isso que muitas vezes perdemos mais tempo na escolha do que na conversa e no desenvolvimento das ligações em si e apostamos mais em procurar pessoas para momentos, seja para viajar, para sexo casual, orgias, swinging, para jogar Quiz Planet ou apenas para conversar do que para relações a longo prazo. E mesmo quem acha que procura relações 'tradicionais' muitas vezes pondera se não estará melhor sozinho, porque dormir acompanhado parece uma boa ideia até que nos lembramos que tínhamos uma cama só para nós e porque a ideia de ter roupa ou pêlos espalhados por todo o lado assusta qualquer um, mas também porque, com tanta escolha à nossa disposição, é mais difícil aceitarmos qualquer comportamento por mais pequeno que seja que não compreendemos ou do qual não gostamos. E é por tudo isto que, apesar de contraditória, neste mundo tão ligado, parece haver uma tendência para a solidão. A solidão é cómoda. Não temos de nos preocupar com ninguém, partilhar nada, ajudar ninguém, fazer compromissos, nem sequer arriscar conhecer os familiares e se é verdade que não temos as regalias desse tipo de relações, também é verdade que não temos as complicações e arranjamos alternativas, chamemos-lhes sucedâneos da felicidade, seja a família, amigos, animais de estimação, o trabalho, as idas ao ginásio, as partilhas que fazemos nas redes e aplicações sociais ou o onanismo, claro, e que nos permitem as doses diárias daqueles químicos que nos fazem sentir bem.

(João Freire)

08/03/2022

 As mulheres são malucas dos cornos

Costumamos dizer que as mulheres são malucas dos cornos quando elas exageram nas suas reações ou pelo menos quando não se comportam da maneira que os outros - normalmente os homens - esperam delas. Mas nunca se diz que os homens sao malucos dos cornos quando fazem algo inesperado. E nós tendemos a justificar esse preconceito com as diferenças biológicas e sobretudo com a visão da mulher como um poço de hormonas que determina todos os seus comportamentos sem qualquer tipo de espírito crítico que possa sobrepor-se. Haverá bases cientificas para se dizer que as mulheres são mais emotivas, sensíveis e irritadiças quando, por exemplo, estão com o período, claro, até pelo simples facto de que tal condição provoca dor, mas também há estudos que dizem que em casais de lésbicas o síndrome da tensão pré-menstrual é menos evidente, nalguns casos até inexistente, o que poderá indicar alguma culpa do que normalmente rodeia uma mulher nesse, perdoe-se a redundância, período. Julgadas pela aparência, consideradas obsoletas a partir dos 40 no cinema, na televisão, na moda e em todos os trabalhos que vendem a juventude, nascem numa sociedade que ainda educa com preconceito, impede o acesso ao trabalho, remunera de maneira diferente, decreta o seu papel na família, no local de trabalho e na sociedade em geral com a pressão acrescida de ter de corresponder a expectativas irrealistas de beleza, até pode parecer fácil de compreender o porquê de se indignaram tanto, mas tal não significa que lhes possamos dizer que compreendemos porque é que são malucas dos cornos. Não funciona. E eu, por uma ou outra razão, meio a brincar ou a sério, sempre fui alinhando neste estereótipo, muito por causa de não perceber alguns comportamentos que me eram dirigidos. Sempre... até começar a notar, nesta minha busca incessante e chata de tentar (ter/compreender/arranjar) mulheres - e apesar de ter aprendido pouco -, que para além das desigualdades inerentes à condição feminina, há comportamentos que, aos olhos dos homens, parecem não fazer qualquer sentido mas com os quais qualquer mulher se identifica. O que nós achamos que é paranóia, obsessão, controlo ou irracionalidade por vezes é uma reacção perfeitamente justificável em determinadas situações que dizem respeito à sua própria segurança, algo que não passa pela cabeça de nenhum ou quase nenhum homem, mas que todas as mulheres já experienciaram no seu dia a dia desde desconhecidos que as seguem, a conhecidos que se acham no direito de lhes tocar sem respeito pelo seu espaço pessoal, passando por mensagens impróprias em que se insinuam e exigem reciprocidade, para não falar de casos mais exagerados de carros a meio da noite a circular devagar, de chips localizadores, agressões, violações e mortes. E nenhum homem sente isto. Nenhum homem pensa que talvez seja melhor cobrir alguma parte do corpo porque alguém pode pensar que o está a provocar. E sentir que pode ser qualquer um, desde o colega de trabalho de quem todos gostam, ao amigo virtual que é muito engraçado nos comentários do Facebook, por muito seguro que possa parecer, pobre ou rico, analfabeto ou ou instruído, gera desconfianças e receios que trespassam todos os relacionamentos. Há coisas concretas que diferenciam os sexos e que parecem estranhas a quem é diferente. Há estudos que comprovam este facto. E eu sei que dizer "há estudos que comprovam" não quer dizer nada, até porque os há para tudo e o seu contrário mas admitamos isso, que somos diferentes não por causa dessa dicotomia limitativa dos dois sexos, mas nas diferenças ilimitadas que nos tornam únicos, tentando compreender o outro sem condescendência e paternalismo - mais difícil para alguns, depois de escreverem textos como estes, do que para outros - mas com empatia (que é o que eu retiro do olhar do Jake Gyllenhaal para a Rihanna) não porque é homem ou mulher, mas, precisamente, porque é o outro. Feliz dia das mulheres e, como eu digo todos os anos na esperança de que se torne o lema oficial do dia das mulheres, que se fodam as mulheres! Mas bem, porque mal já estão elas fartas de o ser há muitos milénios.

31/03/2012

Em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade


Foi por volta do meio-dia de 1 de Fevereiro de 1968 que o General Nguyen Ngoc Loan executou sumariamente um prisioneiro Viet Cong nas ruas de Saigão, durante a Ofensiva de Tet. Quase por acaso, Eddie Adams, um fotógrafo da AP, captou a fotografia que viria a ser uma das mais icónicas da guerra e a perfeita analogia para o desconforto que tal guerra causava entre a opinião pública mundial. (Também há o vídeo, captado por Vo Suu para a NBC).
O que a fotografia e o vídeo mostram à primeira vista é o à vontade do General, um esgar de raiva do soldado que observa no canto esquerdo e o medo patente no rosto do jovem indefeso, com as mãos algemadas, perante uma indiferença generalizada dos que os circundam, num acto de total desumanidade e desrespeito pelos mais básicos valores e direitos humanos. Mas a realidade nunca é bem assim. Não se sabe ao certo o nome da vítima (frequentemente apontada como Nguyem Van Lem), mas, independentemente do seu nome, sabe-se que era um 'oficial' norte-vietnamita, que comandaria uma brigada da morte, que tinha sido apanhado a matar não só oficiais sul-vietnamitas, próximos do general Loan, como as respectivas famílias.
"O general matou o Viet Cong; eu matei o general com a minha câmara. As fotografias são a arma mais poderosa no mundo, as pessoas acreditam nelas, mas as fotografias mentem, mesmo sem manipulação. Elas são apenas meias-verdades... o que a fotografia não disse foi: o que é que você faria se fosse o general naquela altura e lugar, naquele dia quente, e apanhasse o dito mauzão depois dele matar um, dois ou três americanos?"
Eddie Adams
Para o desafio de Março da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Fotografia"


*Citação de Boake Carter


Nine Inch Nails - The Great Below

03/12/2011

A liberdade de sonhar

"I have no idea to this day what those two Italian ladies were singing about. Truth is, I don't wanna know. Some things are best left unsaid. I'd like to think they were singing about something so beautiful it can't be expressed in words, and it makes your heart ache because of it. I tell you those voices soared, higher and farther than anybody in a grey place dares to dream. It was like some beautiful bird flapped into our drab little cage and made these walls dissolve away, and for the briefest of moments, every last man in Shawshank felt free."


Os condenados de Shawshank - Sull'Aria (As bodas de Fígaro) de Mozart

14/11/2011

Voar

Num tempo em que duvidamos de tudo, importa não esquecermos do que somos capazes de fazer.



Há mais vídeos, nomeadamente este, em que ele passa junto a uma montanha através de uma catarata, e este, a sua última proeza, em que atravessa uma gruta numa montanha na China. Espectacular.

12/02/2010

Uma breve história da democracia em Portugal

Mário Soares foi o primeiro. Apoiou-se na fama conquistada após a revolução de Abril, aliou-se depois ao CDS e não durou mais do que três anos, devido a desentendimentos entre os dois partidos que constituíam o governo. Ramalho Eanes nomeia então Nobre da Costa, num período conturbado de constantes Moções de Confiança rejeitadas pela Assembleia da República, que viria a vitimar ainda Mota Pinto, sucedido por Maria de Lourdes Pintasilgo, vítima da dissolução da Assembleia da República. Seguiu-se-lhe Sá-Carneiro, outro coligante, que viria a falecer no contexto que se conhece, sendo substituído interinamente por Freitas do Amaral, e depois por Pinto Balsemão, aquele que seria o primeiro a apresentar a sua demissão ao Presidente-da-República. Segue-se Mário Soares, o omnipresente, num governo a dois com o PSD, que viria a decidir o seu fim antes da chegada do grande e do único a completar, não um mas, os dois mandatos: Cavaco Silva. No entanto, também ele saiu do poder debaixo de críticas relativamente ao controlo da comunicação social, nomeadamente da televisão pública. Louvemos apenas a capacidade de acabar o segundo mandato, pois nunca, até hoje, isso foi conseguido. Guterres, afundado no pântano que ajudou a criar, demitiu-se, abandonando o país mais tarde para um alto cargo nas Nações Unidas. Durão Barroso durou dois anos no país da tanga, fugindo assim que pôde para a Presidência da Comissão Europeia. Santana Lopes nem aqueceu o lugar, apesar de ter deixado no curto espaço de tempo em que esteve à frente do Governo o mesmo rasto de dúvidas e suspeições relativamente à promiscuidade entre a política e os grandes grupos económicos que os outros governantes. Depois veio Sócrates e tudo permaneceu igual, com um primeiro mandato tranquilo, em que as suspeições e o número de casos foram escalando, até ao segundo mandato que agora agoniza e que, de certeza, não vai tardar em capitular.

A história da democracia em Portugal é curta. Seria bom que esse facto explicasse tudo o que de mal se passa no nosso país, nomeadamente na sua componente pública. A verdade é que não se vislumbram melhoras. A promiscuidade entre o poder político e o económico é tal que se alimentam um ao outro – os políticos de amanhã são os altos funcionários das grandes empresas de ontem e os altos funcionários das grandes empresas de amanhã são os políticos de ontem.
Sendo assim, uma democracia que tende a ser uma democracia para toda a gente, apenas o é na base de uma democracia ocidental baseada em demasia na assistência-social, com tudo o que de bom e mau isso acarreta, uma democracia que corre sempre o risco de fomentar a alienação e a não acção, nivelando por baixo, afundando assim um país numa espiral descendente que apenas deixa escapar os bem preparados e os "bem preparados".

Vivemos num país governado pelas informalidades. É a cunha, a mão negra… navegamos na zona da incerteza, numa zona em que o interesse pessoal impera. Assim se explicam os atentados às liberdades pessoais, assim se explicam os abusos de poder e o tráfico de influências, assim se explicam - ao menos isso - todas as suspeições. Não é só quem tem olho que é rei, porque todos vemos o que acontece e todos sabemos o que acontece, mas é sim quem tem olho e poder económico para agir ou para apoiar a acção.
Virá o tempo em que o mercado, depois de regular-se em benefício próprio, devorando tudo à volta, começará a devorar-se a ele próprio, deixando o nada, porque se é verdade que existe uma mão invisível para impedir que a crueldade impere (Adam Smith), também é verdade que essa mão invisível necessita de uma ética de mercado e de um conjunto de valores na sociedade (Adam Smith) que vão escasseando.
Num mundo de globalização total, em que a vida de um país é definida por leis extrínsecas e os números imperam sobre as pessoas, é difícil haver ética, é difícil haver um conjunto de valores que identifique a base do mercado, os clientes, e os seus reguladores. Sem valores, impera a crueldade. Isto é verdade para qualquer país, mas é mais verdade num país com uma curta história democrática.


(João Freire)

Deolinda - Movimento Perpétuo Associativo


Alguns dados, nomeadamente os nomes e ordem cronológica dos Governantes, foram recolhidos da Wikipédia, na página dos Governos Constitucionais de Portugal

06/01/2009

Cântico Negro

Somos todos iguais, cada vez me convenço mais disso. Nada em nós ou no nosso comportamento conseguirá ser minimamente original. Talvez um pé na areia inexplorada... Todos olhamos para dentro com uma visão optimista que redundará no pouco ou no nada. Também nós vamos fracassar. Como não poderíamos fracassar, ainda que bem sucedidos, quando a míriade de possibilidades que se desenrolam à nossa frente desde o dia do nosso nascimento é irreal? Apenas podemos tentar e, mais que não seja, imaginar que, num belo poema, nós não somos aqueles que chamam os outros para um caminho mais fácil e confortável, mas sim o outro que, apesar das dúvidas relativas ao seu destino, tem a certeza que não vai por lá, pelo caminho mais fácil por onde o chamam.
E é assim que, num dia de estranha e inexplicável melancolia, recordo o MEU poema:





"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!Eu amo o
Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

14/08/2008

Sem conseguir respirar

Saltou.
A primeira coisa que sentiu foi uma descarga de adrenalina.
Sempre discutira se seria um acto de fraqueza ou de coragem. Podia finalmente afirmar que era um acto de coragem... pelo menos ali, no abismo que era aquela janela, naquele último impulso.
Não pensou em muita coisa naqueles segundos de viagem. Pensara em tudo o que havia para pensar antes de saltar.
Lembrou-se dos pais ou do pouco que tinha para se lembrar deles após aquela noite em que a avó o levou, a ele e aos quatro irmãos (duas raparigas e dois rapazes), para o quarto, depois de um guarda entrar na casa, já muito tarde, retirar o boné, sentar-se na cozinha e pedir para falar a sós com ela, enquanto ela começava a chorar. Lembrou-se também dos seus irmãos, não aqueles que tinha agora, de quem não sabia nada para além do nome das suas profissões, mas dos outros, com menos 25 anos, a brincar em todo o lado, a invocar o inferno pela casa da avó. Depois, por fim, tentou lembrar-se da namorada, mas não conseguiu ao certo. Pensou numa, noutra... em duas ou três caras de amores esparsos que pouco lhe diziam agora e que o resolviam com mais força. No fundo, todo o presente ou o passado mais próximo era uma mistura indistinta de caras, sítios e coisas. Nada ficava, nada valia a pena.
Antes de viver, é preciso sobreviver, mas quando a nossa vida se resume a isso, a sobreviver, deixa de ter sentido. Tudo naquele homem era uma luta constante... jurava mesmo que lhe custava mais acordar, levantar-se, vestir-se e fazer alguma coisa do que ficar na cama quatro dias seguidos sem comer, mesmo com as dores da imobilização que o atacavam na zona dos rins. Acho que foi por isso que não pensou em mais nada - ou talvez nem tenha tido tempo - do que o sol a bater na cara, das sensações que isso lhe provocava sempre, e do vento, barulhento mas ao mesmo tempo tranquilizador, que lhe empurrava a respiração para cima, atrasando qualquer movimento. Foi já perto do fim que teve algum medo.

(João Freire)


Archive - Again


Para o tema "Abismo" da "Fábrica de Letras"

21/05/2008

E aquilo que parecia uma boa ideia...

O estacionamento exclusivo para mulheres, no centro comercial 8.ª Avenida, em S. João da Madeira, continua a provocar contestação. Depois dos reparos de muitos cidadãos, foi a vez da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) considerar que esses lugares (quatro), mais largos e pintados de cor-de-rosa, representam uma atitude "discriminatória". Esta posição aconteceu em consequência de uma denúncia do Bloco de Esquerda (BE). Em Novembro, um mês após a abertura do 8.ª Avenida e de o JN ter noticiado os espaços exclusivos para mulheres, o BE apresentou uma queixa à CIG por considerar que a iniciativa "atrasa o direito à igualdade". A CIG diz agora que "partilha e subscreve o protesto", por entender "inteiramente justificada e discriminatória a reserva de lugares de estacionamento para veículos conduzidos só por mulheres". Ainda segundo o mesmo documento, a disponibilidade do estacionamento exclusivo para as mulheres revela-se "atentatória da promoção de uma efectiva igualdade entre homens e mulheres e dos direitos da pessoa humana". As críticas estendem-se ao "subjacente estereótipo de género de que as mulheres são menos capazes, também a conduzir e a estacionar (...) subalternizando-se desta forma as mulheres e as suas capacidades e interesses". São, ainda, lançadas dúvidas sobre a legalidade da criação daquele tipo de estacionamento,"nomeadamente, quanto à sua conformidade com os regimes legais de licenciamento e condições de utilização dos parques de estacionamento, bem como da reserva e sinalização de lugares admitida dos mesmos" diz a CIG. A CIG adianta que irá informar a Sonae Sierra, proprietária do 8.ª Avenida, e o presidente da Câmara de S. João da Madeira, recomendando que ambos tomem "as diligências possíveis para acabar com esta situação." O responsável pela superfície comercial, José Duarte Glória, justificou, na altura, ao JN, que se trata apenas de uma "gentileza" para com as clientes. "Queremos que as senhoras e outros clientes se sintam bem no centro comercial", explicou.

in jn.sapo.pt


Reaproveitado para o tema de Janeiro de 2011, Preconceito, num desafio da "Fábrica de Letras".

12/10/2007

A lieratura e a paz homenageadas

Doris Lessing ganhou o prémio Nobel da literatura e Al Gore ganhou o prémio Nobel da paz.

08/10/2007

O Super-Juiz

Baltasar Garzón Real (Torres, 26 de outubro de 1955) é um Magistrado-Juiz Central de instrução do tribunal penal de máxima instância na Espanha, a Audiência Nacional. Garzón é conhecido na Espanha como "super-juiz" ou "juiz-estrela" e ficou conhecido mundialmente ao emitir uma ordem de prisão em desfavor do ex-presidente do Chile Augusto Pinochet pela morte e tortura de cidadãos espanhóis, utilizando como base o relatório da Comissão Chilena da Verdade (1990-1991), por ter manifestado o desejo de investigar o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger pela sua relação com a denominada Operação Condor e por trabalhar num processo de genocídio por parte de diversos militares argentinos aquando do desaparecimento de cidadãos espanhóis durante a ditadura argentina (1976-1983).
Em 2001, solicitou permissão ao Conselho da Europa para processar o Primeiro Ministro italiano Silvio Berlusconi, então membro da Assembléia parlamentar do Conselho. Em dezembro desse mesmo ano, investigou, por suspeitas de lavagem de dinheiro, contas no exterior (off-shore) do conglomerado financeiro BBVA (segundo maior banco da Espanha). Em janeiro de 2003, criticou enfaticamente o governo dos EUA pela detenção ilegal, na base de Guantánamo (Cuba), de suspeitos de pertencerem ao grupo terrorista Al Qaeda. Nesse mesmo ano, participou de campanhas contra a guerra no Iraque. Em Espanha, ainda nos anos 80, atuou em processos contra diversos narcotraficantes, inclusive altos dirigentes das máfias galega, turca e italiana. Comandou investigações sobre lavagem de dinheiro no litoral espanhol (região de Málaga) e falsificação de moeda (derrame de notas de 100 dólares). Foi jurado de morte por diversos traficantes e mafiosos e por isso passou a ser conduzido em carros blindados e a viver com escolta policial. Em 1993, participou da política espanhola, entrando na lista de candidatos à Câmara dos Deputados pelo PSOE. Chegou a comandar o Plano Nacional Anti-Drogas, porém renunciou após um ano de trabalho, queixando-se do excesso de corrupção no governo. Ao retornar à magistratura, deu seguimento às investigações do caso GAL (Grupos Anti-terroristas de Liberação), grupo de extermínio que, conforme ficou comprovado, foi criado durante o primeiro governo do PSOE, ainda nos anos 1980, com a finalidade de assassinar membros e simpatizantes do ETA. Várias autoridades foram condenadas em virtude do caso, inclusive o ex-Ministro do Interior José Barrionuevo. Posteriormente, todos foram indultados no governo de José Maria Aznar. Atuou também contra os terroristas bascos do ETA. Em 2002, conseguiu suspender o funcionamento, por 3 anos, do partido Batasuna, ao demonstrar suas relações com o grupo terrorista. Dessa ação resultou também o fechamento dos jornais Egin e Egunkaria, além da rádio Egin Irratia. Angariou com isso o ódio dos nacionalistas bascos, que consideram que atacou a cultura basca e não o terrorismo.
Dada a extensão de sua atuação, o PSOE e o PP chegaram a planejar uma reforma do judiciário que limitasse as suas atribuições legais.
Em março de 2003, Garzón suspendeu as atividades do Partido Comunista de España Reconstituido (PCE-r), em função de suas atividades ilícitas de apoio ao GRAPO, tais como a "fixação da tática e da estratégia da luta armada, escolha de objetivo, montagem de infra-estrutura, provimento de recursos econômicos, seleção dos responsáveis pelas ações armadas e dos membros dos auto-denominados comandos militares".

Fonte: Wikipédia

17/07/2007

Exemplo de vida 2

Aimee Mullins nasceu em 1976 nos estados unidos e com apenas 1 ano, foi-lhe diagnosticada hemimelia fibular, (malformação rara e complexa, com alterações ósseas e articulares envolvendo o joelho) o que fez com que ambas as pernas fossem amputadas.
Hoje é atleta, actriz e modelo.

Como atleta



Como modelo



Como actriz

01/07/2007

Liberdade

"It's only after you've lost everything," Tyler says, "that you're free to do anything."

(Chuck Palahniuk, Fight Club)

06/06/2007

Jornal do Fundão

O Jornal do Fundão, durante a ditadura de Salazar e Marcelo Caetano, era alvo de uma vigilância apertada pela polícia política, e em 1965, esteve suspenso durante seis meses.

Fonte: Goooooooogle

31/05/2007

Génio

"A única diferença entre um génio e um louco é a de que eu não sou louco."

(Salvador Dalí)

24/05/2007

Licença de isqueiro

No tempo de salazar era necessário deter uma licença de isqueiro para o poder utilizar e transportar.

(in algum velho qualquer)

08/05/2007

Sentimentos negativos?

"Nenhum pássaro permite à morte dominar o azul do seu canto. Faz como eles: dança de ramo em ramo."

(Eugénio de Andrade)

07/05/2007

Injustiça

"Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo
é também na cadeia."

(Henry David Thoreau)

06/05/2007

Rir

"Rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa dos estúpidos."

(Erasmo de Roterdão)