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03/02/2011

Coisas que vou aprendendo nestes dias

Sobre a Justiça
Os julgamentos resolvem-se sempre com uma refeição e um acordo entre a defesa e a acusação A diferença entre o sistema português e, por exemplo, o americano, é que neste último a refeição acontece antes da papelada, do tempo perdido e do dinheiro gasto.

Sobre festivais
Super Bock Super Rock (SBSR) ou Optimus Alive? Até agora, o SBSR está à frente.

Sobre o acordo ortográfico
Alguma comunicação social diz que há problemas no Egipto, outra parte diz que há problemas no Egito e há outra parte ainda que, mais precavida nestas discussões, diz que há problemas no Cairo.

Sobre o Facebook
 Tenho recebido avisos de que fui inscrito em grupos de várias pessoas, na sua maior parte grupos elogiosos, como "top" "amigos", etc. Não sabia que a constituição desses grupos era pública. Felizmente que não pus em prática a constituição dos meus grupos "amigos" e "pessoas que não interessam nem ao menino Jesus".

Sobre passeios
Já passeei com cães, já passeei com sobrinhos, mesmo bebés... mas o sorriso delas é sempre mais aberto quando nos vêem de braço dado com a avó.


No Hay Problema - Pink Martini Orchestra

02/12/2009

Bife em molho de pimenta num vestido branco

“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – pensou –, como reagiria ela e o seu namorado informático ao ver este molho escuro espalhado naquele vestido branco?”

Nada do que se passava àquela mesa se assemelhava ao Natal. O natal não é, ou, como ela conjurava na sua mente, “não pode ser um grupo de recém-amigos, emparelhados em casais à volta de uma mesa, para comemorar uma data que não lhes diz nada!”
Lembrava-se de um outro natal, lembrava-se dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, de berros disseminados dos pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrava-se da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
Esse é que seria o verdadeiro Natal.
Olhava em redor e via caras desconhecidas, pintadas dentro dos contornos perfeitamente delineados a negro, que se contrapunham ao brilho da fileira de dentes branca que usavam como uma figura de estilo no requintado discurso; caras resplandecentes em cima de fatos alinhavados com mestria, pretos e cinzentos, ora camisa branca, ora vestido preto, gola engomada, salto alto, bainha, botões, relógio, decote, cinto, brinco e colar, cabelo, cabelo, gel e cabelo… mais cabelo, equilíbrio e gala. E lembrava-se ao mesmo tempo das suas próprias correrias ruborizadas e ofegantes de menina, do suor na testa que molhava o cabelo, da prima desdentada que se ria em desafio, apresentando ao mundo a ridícula soma de três dentes com a idade de 9 anos, as camisas desfraldadas, mais cabelo suado, uma palma de um adulto na testa com medo da febre e mais correrias, tudo isto enquanto sorria levemente, mexendo com o garfo no seu prato molhado de grãos de pimenta.
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – tornou –, como reagiria ela e o seu namorado informático?”
Sorriu com malícia.
Reminiscência após reminiscência, evocava aqueles dias de Dezembro, podia jurar que sempre iguais, com a mãe a passar ferro, o irmão bebé a brincar com algo novo e insignificante, o outro irmão na rua a desmontar uma bicicleta nova para arranjar uma mais velha que estava pendurada na parede da garagem, o pai sempre a trabalhar, uma panela de pressão no bico maior do fogão, a missa na televisão, o lume na lareira e tudo sempre assim, porque a missa não podia nunca estar na lareira, nem a panela na televisão, da mesma forma que o seu irmão não podia manter algo novo intacto por muito tempo, a natureza das coisas, portanto! E ela a pedir à mãe para ir aos tios, que ainda faltava receber presentes, sem, no entanto dizer que ainda faltava receber presentes, mentindo-lhe que tinha uma coisa para dizer à prima, e depois nem via a prima, entregando um saco com prendas que também não via, aguando os olhos até receber o seu saco (e dos seus irmãos), com as suas prendas, e sempre uma boneca, sempre coisas para pintar e uma agenda, uma agenda que morreria com uma entrada apenas:
“19 de Fevereiro:
Hoje nevou.
Eu e os meus irmãos fomos brincar para a rua.
Foi divertido."
E sempre muitos papéis e o seu barulho.
- Mas só em casa – exclamava a tia de dedo em riste.
E só em casa é que abriam. E brincavam, riscavam, sujavam, esperavam pela neve, brincavam de novo até as rodas do carro se gastarem, o cabelo da boneca se arrancar, as folhas do bloco de desenhar se riscarem, muitas vezes sem a neve aparecer.
- E a neve sem aparecer – dizia alguém.
E continuavam, ao contrário do pai que se sentava ao lume e ria…
- É meu – dizia um.
- É meu – dizia o outro.
…E ralhava.
Eventualmente seria dela – recordava, num assomo de superioridade perante os irmãos –, mas os irmãos nunca se importam com juízos de facto no que diz respeito à posse de brinquedos.
Depois os avós, “mais uma boneca, uma nota, uma pista de carros para os dois idiotas, um par de meias” e sempre as mesmas contas de somar e subtrair, para comparar com o ano anterior.
E tudo igual.
Podia jurar que era sempre igual, que recebia sempre os mesmos presentes embrulhados no mesmo papel e que os dias eram sempre iguais e a mãe a passar a ferro, os miúdos à volta dela já com os brinquedos, o pai a trabalhar e a neve… às vezes neve, outras vezes sem neve, mas sempre igual.
E enquanto se lembrava disto começou a chorar. O seu namorado (também) informático perguntou-lhe, discretamente, o que se passava.
- Opá – disse, emocionada, para que todos a ouvissem – estava aqui a lembrar-me do Natal em minha casa quando era miúda.
E todos, sem excepção se lembraram dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, dos berros disseminados de pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrando-se também da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.

- Como seria se atirasse este bife ao vestido branco da Rita?

(João Freire)

Texto subordinado ao tema "Natal" num desafio da "Fábrica de Letras".

28/06/2009

Curtas - Vende-se

Sobre Futebol
Num dia em que descobri, via afectado, isto. importa dizer que nem tudo no futebol português vai mal. O meu Benfica contratou um excelente jogador (Saviola). Não obstante, parece-me que aquele gajo - Matías Fernández - que o Sporting contratou é capaz de ainda ser melhor!

Sobre ténis
Wimbledon. Depois de Michael Llodra se ter lesionado de forma insólita, Tommy Haas não quis deixar que os espectadores fossem para casa sem que vissem um pouco mais de ténis e desafiou um apanha-bolas para jogar com ele mais um pouco. É por estas e por outras que dizem que o ténis é o desporto dos cavalheiros.

Sobre automobilismo e outros cavalheiros
A forma como o Hirvonen, logo no fim de uma especial do segundo dia, comenta a prova, que se revelou uma das mais rápidas de sempre, dizendo que foi fantástica ("We were absolutely flat out the whole day... whoa! It was fantastic... fan-tastic!"), sorrindo como um miúdo e a resiliência de Loeb que ainda consegui pontuar após ter falhado 4 especiais que lhe valeram 20 minutos de penalização por um acidente com uma raiz de uma árvore, mostram a alegria e competitividade salutar que pode e deve existir no desporto.

E por falar em carros... vale a pena tentar
Quero trocar de carro - e já me ofereceram uma quantia por este carrinho aqui em baixo - mas vendendo-o por mim fico com mais espaço de manobra nas negociações. Não é uma situação de desespero, mas se houver alguém interessado...

Características:

Marca: Renault Clio 1.5 Dci (65 Cv, 5p)
Ano: 2002
Quilómetros: 140 mil
Extras (?): Caixa de 6 cd
Avarias desde a compra, entretanto resolvidas:
- Injectores, por deficiência de origem da série de 2002 anterior a Junho (Substituídos à razão de um por ano)
- Bloqueador de ignição, por desgaste da chave - ainda bem que há duas!
- Luz do Air-bag do passageiro (comprei outro - posso oferecer o antigo também)
- Rotura de um dos tubo do gasóleo (substituído)
- Rotura do tubo de recuperação de gases para o Turbo (substituído)
Gasta pouco e anda bem.

De resto... música...
... E uma das melhores músicas de sempre por um dos melhores intérpretes de sempre

Starman - David Bowie

...Let the children boogie


(João Freire)

25/04/2009

Curtas

Pepe
Esta semana, o Pepe... aquele segundo pontapé... Nem adianta!!!!

Loiras e Chuck
A Telma Monteiro aparece aqui, para além do facto de ser do Benfica e de ter conquistado a medalha de ouro no Campeonato da Europa na categoria de -57kg, por causa daquele rabo de cavalo que anda por todo o lado da sua cabeça. É muita pinta e eu acho-lhe piada por isso.


E esta senhora, que até se chama Yvonne, aparece por ser uma revelação para mim e de se ter tornado numa das personagens femininas que mais razões me deu para ver uma das séries que mais razões me dá para ligar a televisão ou o computador, basta ver a forma como se divertem nas gravações.
E depois, também, porque são as duas... sei lá, devem ser os olhos.


Nuno Álvares Pereira
Amanhã, no Vaticano, mais um Português a subir aos altares. Nuno Álvares Pereira foi uma das mentes por trás da Batalha de Aljubarrota (em português com link respectivo em português) ou Batalla de Aljubarrota, (em Castelhano, com link respectivo em castelhano) na qual enfrentou 30 mil espanhóis de Castela, franceses e italianos, com a companhia de 6 mil portugueses e arqueiros ingleses, numa diferença de cinco para um atenuada pela estratégia e inteligência dele e de outros.
Já a parte do milagre da oftalmologia... Sou espiritualmente desconfiado, com tendências para o agnosticismo e ateísmo, mas até posso conceder que quero acreditar em algo... mas porque é que os milagreiros não evitam simplesmente a tragédia? Será para testar a fé, mas não há melhores maneiras de testar a fé do que com azeite a ferver? E milagres com pessoas amputadas, porque é que não há registo deles? Serão os amputados filhos de um deus menor?

25 de Abril
E claro... hoje é 25 de Abril, dia de celebração de um acontecimento apesar de tudo bastante positivo. Para contrariar, porque gosto de ser do contra, escolho a primeira senha da revolução, a que deu o sinal de preparação a todos os intervenientes, uma canção de Paulo Carvalho emitida por volta das 23:00 de 24 de Abril de 1974 e que sempre ficou na sombra da Grândola Vila Morena, a segunda senha da revolução (aqui na versão da Amália, que, por sua vez, sempre foi considerada intíma do Regime - com o que quer que isso queira dizer)

Paulo de Carvalho - E depois do Adeus

26/02/2009

O misantropo

depois de quase 4 anos sem sair de casa. fechado do mundo que antes o rodeava e fazia menos feliz. tomou o primeiro café do dia (a tal marca que a vizinha de baixo teimava em comprar em vez da que ele lhe dissera por escrito, numa carta que lhe deixou à porta, da última vez que subiu as escadas do seu prédio) e decidiu ligar o telemóvel. seria hoje o dia em que se aventuraria a sair do clausuro que ele próprio concebera. (mas não sozinho. nunca sozinho) resolvido, enviou mensagens a todos os seus amigos com quem já não mantinha contacto desde há quase 4 anos e aguardou respostas sentado no sofá de sua sala, olhando para a rua. teriam passado apenas alguns minutos quando a mensagem chegou. seria a única, mas era o que lhe bastava. nervoso, só pegou no telemóvel algumas horas depois. ao abri-lo, leu: tmn o saldo disponível no seu cartão, já não lhe permite efectuar chamadas ou enviar mensagens...


com roaming

12/02/2009

Dos Dentes

"Propper etiquette while flossing"



Mais curtas deste senhor, aqui.


"Is this real life?!"



Podia ter posto aqui o link para um outro vídeo do David, passados alguns meses depois da ida ao dentista, já com o seu novo dente, a contar uma piada sobre um pirata. Mas o miúdo sem químicos, é apenas um miúdo normal, previsível e sem grande piada.

16/01/2009

Curtas

"The world is thinking"

Fora Tv é o nome de um site de vídeos sobre palestras e seminários para quem gosta de pensar e aprender... ou apenas divertir-se. Vale muito a pena. Para ir lá directamente, é carregar aqui.

Gasóleo

Quando o preço do barril descia, era necessário uma queixa do Automóvel Clube de Portugal (ACP) à Comissária da Concorrência da Comissão Europeia para que os combustíveis descessem também, agora... enfim... digo apenas que sei que o preço do barril está a subir porque o preço dos combustíveis está a subir diariamente.

O drama dos albinos

Li este e este post, que remetiam para esta notícia sobre a distribuição de telemóveis a albinos da Tanzânia a fim da salvaguarda das suas próprias vidas, não - como seria de esperar - devido aos problemas inerentes a tal condição genética, mas sim pelo brutal assassinato de albinos para a colheita de orgãos e outras partes corporais para a prática de bruxaria.

O político profissional

José Sócrates é um político profissional. Arrebatador na retórica, exímio nos debates, impecável na apresentação, é o produto da excepcionalidade política. E é precisamente por isso que eu não confio nele.

Uma nota de 100 triliões de dólares

No Zimbabwe, a terra daquele maluco sem escrúpulos que nem vale a pena nomear, existe agora, por criação do Banco da Reserva lá do sítio, uma nota de 100 triliões de dólares. Mais uma vez, vi esta notícia aqui.

29/12/2008

De resto, com o aproximar do novo ano...

Estou a ficar velho. Concedo mais e zango-me menos. Aprendo a gostar de coisas que, pensava eu, nunca iria gostar. Aconteceu com Buraka Som Sistema...
- Wegue, wegue
E agora com a versão do Rui Reininho da música das Doce "Bem Bom". Continuo a não gostar, mas já não mudo de estação e, tirando o refrão, até dou por mim a trauteá-la no carro. Se, daqui a uns dias, afirmar que gosto de uma música que anda para aí a passar do Tim, mato-me… ou dou autorização para que me matem.

O Programa do Aleixo, na Sic Radical e Ultimate Survival, no Discovery Channel, são as coqueluches da minha programação televisiva actual.

Há uma banda, que se chama João e a Sombra, que tem uma ou duas músicas engraçadas. São originais, o que, nos tempos que correm, já é muito bom. Para além disso, são bons músicos.

Mais uma guerra no Mundo. “Depois da operação, nenhum edifício do Hamas ficará em pé em Gaza”, dizem eles.

A inflação no Zimbabwe atingiu os 231 milhões por cento
(isto já não é notícia, é só... caricato!)

04/10/2008

Curtas da semana

    • O preço do gasóleo

O barril do petróleo anda a tentar baixar dos 90 Dólares. Lembremo-nos que já esteve perto dos 150. Entretanto, o senhor das bombas de gasolina que atestou com 80 litros de gasóleo o carro que eu conduzia, disse que “anteontem [isto foi no dia 4 de Outubro, o que aponta para dia 2 de Outubro de 2008] a Galp tinha subido em 2 cêntimos de Euro o preço do Gasóleo". Razão? Não deve haver. Parece que fazem as coisas de forma a possibilitar o maior lucro, depois vêm à janela a ver o que acontece. Se ninguém se queixa deixam estar, se as pessoas se queixam muito baixam um bocadinho o preço, atenuam a raiva, controlam os danos… e depois vêm à janela novamente. O mercado funciona quando há concorrência e não quando uma empresa detém 80% da distribuição de combustíveis em Portugal. Importa também salientar que nada disto foi noticiado devidamente, havendo até um link para esta notícia na RTP que já não está disponível.

P.S. – Não são aqueles 80 litros que servem de modelo, mas só o fiz porque é o carro da empresa e é (vá lá) necessário. O meu carro, de uso pessoal, já vai para mais de uma semana sem ver gasóleo. Façam o mesmo e melhor e protestem e divulguem e façam barulho!

    • A crise

A crise do sistema financeiro é grave - vai prejudicar muita gente e também muita gente pobre -, mas, a longo prazo, o mal que aconteceria (rotura económica) valeria muito mais do que o bem que agora querem forçar (a sustentabilidade das instituições em crise por intemédio de ajudas estatais financeiras). A crise já causou a descida do preço dos combustíveis, dos carros e das casas. Até agora a crise só me beneficiou. Se os bancos falissem muita gente ficaria sem dinheiro, mas muita gente ficaria sem dívidas. Os bancos estão sem dinheiro mas cheios de carros e casas que roubaram a pessoas a quem facilitaram empréstimos sabendo que essas pessoas nunca poderiam suportá-los. Os Estados de diversos países (nomeadamente os mais ricos) vão ajudar os bancos, porque os bancos mantêm a economia de um país em funcionamento, mas porque é que os bancos e o Estado nunca ajudam as pessoas comuns? Dêem-me uma crise momentânea que acabe de vez com os bancos, sociedades de investimento, companhias de seguros e afins empresas que visam o lucro cego e eu dou-lhes o céu. As grandes empresas dizem que os pequenos negócios apenas morrem por falta de mais-valia e capacidade de concorrência com as grandes superfícies. Dizem eles que o que é bom não morre. Pois bem, eu acredito que as boas empresas também não morrem, principalmente aquelas que baseiam a sua política no serviço do cliente, respeitando o trabalhador, ou seja, outras que não estas. É uma visão simplista do mundo, mas foi a complexificação do mundo que exigiu a existência de bancos e companhia limitada.

    • O programa de televisão
JP Simões é uma daquelas pessoas que não precisa de aprovação. Admiro-o sem precisar de muitas e demoradas justificações. Gosto de o ouvir falar, gosto da música que faz (da maior parte, pelo menos) e gosto de um programa que vi hoje (Sábado*). O programa chama-se “Quilómetro Zero e visa acompanhar a história de algumas bandas pouco conhecidas do país. O apresentador/entrevistador viaja pelo país admitindo ao público as bandas, a sua cidade e a sua história, enquanto estas mostram o seu trabalho em salas locais ou nas próprias salas de ensaio. Pelo que vi, é um programa bom.

*Fica a nota que o programa passa aos Sábados às 19:30 na RTP2


    • Um facto curioso

Um senhor do Fundão, que seguia no seu jipe, foi atropelado por um comboio quando atravessava uma passagem de nível sem guarda. Quantos casos destes acontecem, diariamente, em Portugal? Dezenas! E a mim isto causa-me estranheza, porque parece que há coisas que ninguém quer ver, ou melhor, nem serão coisas que ninguém quer ver, tanto mais coisas que ninguém sabe. Em Portugal há a tradição de apenas descobrirmos que as coisas não funcionam apenas quando precisamos delas. Vemos isso quando ligamos para o 112 a requisitar uma ambulância, vemos isso quando precisamos de ir às finanças por causa do imposto único do automóvel, vemos isso por todo o lado e esta é mais uma situação desse tipo.
Sendo assim, passo a explicar, bastando apenas que fça e responda a uma pergunta prévia: O que é que está escrito nas passagens de nível sem guarda? “Pare, escute e olhe” mas querem eles dizer para sair do carro ou fazer isso dentro do carro? Porque parece-me que apenas a parte do parar é fácil, já que escutar um comboio quando vamos dentro do carro é difícil – embora o consigamos ouvir quando ele está já muito perto – e olhar ainda é mais difícil porque em muitos casos temos de estar em cima da linha para vermos se lá vem algo ou não e, segundo as leis da construção de carros com motor á frente e as próprias leis da física, para eu olhar para o lado já tenho de ter a parte da frente do meu carro enfiada na dita passagem. Não sei. Sempre foi algo que me pareceu estranho e que hoje recordei e partilhei.

    • IMAGO

Por último, importa referir que começou um dos mais importantes festivais de cinema do País, o Imago, que decorre no Fundão entre os dias 4 e 12 de Outubro. Cinema, música (com os facilmente reconhecíveis Badly Drawn Boy), animação cultural... quem sabe aparelhagem sonora do Alfredo Farinha e muito mais. Sem dúvida, a não perder.

(João Freire)