Um grupo de bloggers junta-se e escreve sobre um tema. Parece interessante.
20/10/2009
01/04/2009
Os amantes, por Pedro Paixão na 1ª edição da Playboy portuguesa
Jantam à sexta-feira num restaurante chinês e decidem a casa para onde vão. Um pequeno almoço juntos e depois despedem-se , cada um partindo para seu lado, com o coração levemente aflito. Durante os dias em que não estão juntos, estão proibidos de se falarem ao telefone ou comunicarem de qualquer outra forma. Salvo uma emergência imprevisível – um incêndio na cozinha, a morte de um familiar, uma súbita fragilidade da alma.
Conheceram-se no liceu. Casaram-se tinham ambos 24 anos. Agora vaõ fazer trinta e um. É muito forte o amor que os une. Um amor só deles, que as pessoas não compreendem e por isso criticam. O amor precisa de ser protegido, abrigado, alimentado com todo o cuidado. O quotidiano é o pior inimigo. Corrói o imprescindível respeito pelo outro, por quem o outro é. Consome a distancia que é preciso manter para que o outro possa ser quem é. Começa a asfixia.
É um engano grande julgar que não se pode viver com esta pessoa mas que se poderá viver com outra, porque na maioria dos casos é a própria vida que nos abandona e afasta. No caso deles há um facto relevante. Nenhum deles quer ter filhos, fundar, como se diz, uma família. Trazer ao mundo uma vida não só é uma responsabilidade de que se conhecem os limites, como uma inconsciência para a qual nunca se está suficientemente preparado. Pelo menos por agora.
Ele tem uma casa junto ao mar, ela um apartamento no centro da cidade. Ele é um economista, ela editora de um jornal diário. Quando se encontram riem dos acidentes da semana, do ridículo comportamento dos humanos, dos problemas insolúveis. O trágico também pode ser visto de modo a merecer uma gargalhada.
Falam dos livros de lêem, e um programa passado na televisão ou na rádio, do concerto para o qual é preciso comprar bilhetes pela internet, de pequenas coisas sem verdadeira importância. Não se criam aqueles deprimentes silêncios quando já não se tem nada para dizer um ao outro e, dentro de um carro, cada um olha em frente com receito de olhar para o lado e deparar com um desconhecido.
Os pais não percebem, os amigos não percebem, ninguém percebe. Toda a gente conspira para que aquela frágil e preciosa relação termine. Quase todos têm pavor de ficar sozinhos, de morrer sozinhos. O que os agarra é o medo.
Por isso condenam-se aos piores compromissos . Eles, pelo contrario, sabem não só que há em qualquer humano uma solidão que nunca pode ser superada, como que só ela abre um espaço onde o coração pode viver livre. Os corações também precisam de respirar.
Todos os anos, em meses variáveis, fazem uma viagem juntos. No ano passado foram a Viena, esta ano pensam ir à Finlândia. Juntos decidem todos os pormenores, embora cada viagem deva ser uma aventura da qual não se conhece o desfecho. Juntos vêem-se coisas que de outro modo não se veriam, porque cada um aponta ao outro o que, a sós, lhe poderia passar despercebido. Aprende-se mais porque ao falar as palavras chamam pelas coisas tornando-as mais nítidas, mais presentes. Num casamento comum há sempre um que em determinado momento precisa de se calar. Ali não. Antes de adormecer, adoram relembrar o que viram, sentiram, descobriram. E o sexo vem e chega, sempre poderoso, transportando-os para íngremes paisagens, súbitos abismos. Como dois desconhecidos que se desejam loucamente dentro de um comboio e não se recusam ao mais premente prazer.
Em Viena, o que mais a impressionou foi uma exposição das obras do último ano de vida de Picasso, uma gigantesca e heróica luta contra a morte. Ele, o que mais apreciou foi visitar a casa de Freud, um lugar onde se conspirou contra a sufocante normalidade dos costumes. Nenhum deles sabe até quando aquela relação poderá durar. Pode não se conseguir continuar. Pode acontecer uma paixão imprevisível. O amor é um trabalho pelo qual se tem e lutar e o que já se conseguiu dissipa-se no passado. Eles estão preparados para o fim. O que importa é acreditar no que ainda há-de vir, no indomável Se assim não fosse não valeria a pena. Faz parte o amor não saber quando pode acabar. Sempre aquela pequena dor que acompanha o verdadeiro amor."
Pedro Paixão in Playboy
I - Não comprei nem vou comprar a Playboy. Apesar de achar piada à Mónica Sofia e a raparigas nuas as much as the next guy, acho que há coisas mais interessantes a fazer com o dinheiro e com o tempo - até porque tudo o que aparece nessas revistas acaba por aparecer na Internet, tal como este texto - o qual nem sei se é verdadeiro. Descobri o texto na secção de comentários do blogue do Júlio Machado Vaz num post sobre o tenista Frederico Gil (?)
II - Pedro Paixão é um autor relativamente desconhecido - ouvi falar dele pela primeira vez através dos programas do Fernando Alvim - e a verdade é: apesar de falar de Pedro Paixão a todos os meus amigos, aconselhando-os vivamente a ler qualquer coisa dele, nunca li um livro completo dele, tendo-me remetido apenas a alguns textos e excertos.
Sim, sou uma besta.
11/12/2008
Crónica sei lá sobre o quê
– Assine aqui
garatujo a hora, garatujo o nome, carregam no botão do elevador, somem-se e eu com aquilo nos braços. Vou deixando os ramos não importa onde: não há esquife aqui, não os posso encostar ao defunto. A voz da minha mãe ao telefone, a gritar como sempre. Coitada, tem passado algumas aflições com os filhos. Olho para ela e vem-me à ideia que a velhice depena as pessoas, tira-lhes bocados, às vezes dá-
-me a impressão que à minha mãe falta um pedaço da crista quando a vejo sentar-se à mesa ou que o tempo, como uma borracha, lhe apagou parte das feições, quebrou um bocadinho a voz, poliu os dedos que se tornaram sedosos, frágeis. Ali está ela a olhar para dentro, por vezes numa espécie de sorriso, quer dizer não é a boca que sorri, o sorriso à frente da boca, a flutuar sozinho. Eu na outra ponta da mesa, no lugar do meu pai a pensar
– Como é que o garfo vai atravessar o sorriso?
com medo que o garfo o leve para o prato e não leva, o sorriso continua intacto, perfeito, e é por baixo dele que a minha mãe mastiga. Chama-se Margarida. Em criança julgava que as pessoas, à medida que o tempo ia correndo, mudavam de nome. Por exemplo Rita assenta bem numa rapariga, não assenta tão bem numa senhora de idade e então trocavam o Rita por Clotilde ou Leopoldina, por exemplo Joana não calha numa ruiva e então muda-se para Beatriz e ao começar a fazer madeixas recupera o Rita, por exemplo Hermes desafina num bébé de maneira que fica à espera que o bébé tenha cinquenta anos e entretanto dizemos Pedro, mas a minha mãe foi Margarida sempre e não a concebo Fortunata nem Elisa nem Cátia embora para mim fosse
– Mãe
e estava encerrada a questão. E lá vai o garfo sem amolgar o sorriso. A única pessoa que não usava o
– Mãe
era o meu pai e as empregadas não
– Mãe
nem
– Margarida
as empregadas
– Senhora
o que me parecia um pleonasmo, como pôr ketchup em cima das rodelas de tomate. Os meus colegas de escola davam igualmente
– Mãe
às mães deles, o que eu achava estranho até perceber que
– Mãe
era o nome mais vulgar em Portugal. Curto, rápido, preciso e fácil de gritar durante o horrível suplício do corte das unhas, sobretudo o mindinho que uma tesoura feroz atacava magoando-me sempre, ou então era o medo que me magoasse que me magoava. Horas tremendas
– Que horror essas unhas
ordens horríveis
– Chega-te mais para a luz
conselhos tenebrosos
– Não te mexas agora
e isso, o arrancar dos pontos pretos com o aviso
– Está quase
seguido da exibição de uma coisa microscópica na ponta do indicador, sem mencionar a sopa
(– Quem não tem fome de sopa não tem fome de doce)
e a lavagem dos dentes, constituíram os suplícios cardinais da minha infância. Entretanto acho que me desviei do princípio desta crónica, ou seja de ficar sempre espantado com a vida das pessoas, os seus desejos, as suas ambições, os seus medos, as suas minúsculas querelas. E as folhas das jarras a desprenderem-se dos caules. Se me deitasse no chão da sala acabavam por cobrir-me por inteiro e eu debaixo delas dando pela empregada a abrir a porta, a olhar para aquilo e a varrer-nos na direcção da pá: lá vou eu para o contentor dentro de um saco plástico, cheio de perfumes moribundos como os das tias-avós, rodeadas de essências vagas e tristes. Claro que se eu chamar a dona Olívia não liga: não acredita que as plantas falem e para o caso de se atreverem a falar nada melhor do que empurrá-las com força para o fundo. O que os outros se agitam, tanta pressa sempre, e eu quieto.
Sou um narciso, uma begónia, uma túlipa, ou antes restos de narcisos, de begónias, de túlipas, tão doces, tão pálidas. Mas não terei olhos ocos nem aflitos, apenas um caule tranquilo e por cima sacos plásticos dos vizinhos. Hoje voltei para casa, a seguir ao jantar, atrás de um bêbado.
Ia de um lado ao outro do passeio,
majestoso, lento. A certa altura parou a fazer chichi contra uma parede, um chichi interminável, uma abundância de fonte. Lembrei-me do bêbado de Pedro Páramo
– Ai vida não me mereces
e de caminho dei-lhe uma palmada no ombro que por pouco não o fez desmoronar-se, caindo tijolo a tijolo na rua mal iluminada, com grandes manchas de sombra que afogavam os automóveis estacionados, os prédios. Jantei sozinho num restaurantezito onde uma rapariga de cabelo pintado de loiro jantava sozinha. Ao levantar-me tinha saído.
Para onde? O que fará agora?
Sentada diante da televisão, com uma revista esquecida nos joelhos? A ler? À espera de um telefonema que não chega? Na janela em frente dois homens penduram um quadro na parede, afastam-se a observar o efeito, endireitam-se. Vinte e três horas e vinte e três minutos, vinte e três horas e vinte e quatro minutos. Hoje de manhã a televisão holandesa a entrevistar-me: deve ser uma estucha para os jornalistas porque não falo da minha vida e muito menos dos meus livros, eles que se defendam sozinhos. A certa altura silêncio e a produtora a perguntar-me o que pensava eu. Não respondi. Para quê?
É que se respondesse dizia-lhe que não pensava em nada, pensava no vácuo.
(António Lobo Antunes, Crónica da Visão de 23 de Outubro de 2008)
06/12/2008
Parvoices
(António Lobo Antunes in Crónica Com Um Sorriso, Visão 6 de Dezembro de 2008)
28/11/2008
Ai a memória...
(Gordon Brown)
Fala a Loucura:
"O fim da blogosfera", mas o que é isto?! Nem no meu dicionário online nem no meu corrector ortográfico do blog a palavra "blogosfera" aparece! Sendo assim, como pode acabar algo que nem sequer existe?! (Ah! Valha-nos a Wikipédia) Então existe e não é coisa pequena para vir um iluminado qualquer dizer que está para acabar, pois assim lhe foi dito conforme as escrituras.

Lembro-me do "Elogio da Loucura" do Erasmo de Roterdão, um livrinho pequeno, coberto de sátira, e que aconselho a todos aqueles que ainda se consideram espantados de existir :)
Deixo o final do ensaio, que me parece demasiado actual e propositado:
AVISO PARA QUEM AINDA NÃO LEU: CONTÉM SPOILERS!
"Acontece que voltam os seus sentimentos? Protestam que positivamente não sabem de onde vêm nem se existem somente na alma ou também no corpo, nem se estarão acordados ou dormindo. E de tudo depois que viram, ouviram, disseram, ou não se recordam ou fazem uma ideia tão confusa como se tivessem sonhado. Só sabem de uma coisa: que se acham felicíssimos no seu delírio. Eis porque sofrem a convalescença do cérebro e tudo sacrificariam de bom grado para serem perpetuamente loucos nessas condições. No entanto, toda essa felicidade não passa de uma tenuíssima migalha da mesa celeste: imaginai, agora, o que não será o eterno banquete!
Mas parece que, sem refletir no que sou, vou ultrapassando há bastante tempo todos os limites. Por conseguinte, se tagarelei demais e com demasiada ousadia, lembrai-vos de que sou mulher e sou a Loucura. Ao mesmo tempo, porém, não vos esqueçais deste antigo provérbio dos gregos: Muitas vezes, também o homem louco fala judiciosamente. A não ser que pretendais que, nesse provérbio, não estejam incluídas as mulheres, pois eu disse homem e não mulher.
Esperais um epílogo do que vos disse até agora? Estou lendo isso em vossas fisionomias. Mas, sois verdadeiramente tolos se imaginais que eu tenha podido reter de memória toda essa mistura de palavras que vos impingi. Em lugar de um epílogo quero oferecer-vos duas sentenças. A primeira, antiquíssima, é esta: Eu jamais desejaria beber com um homem que se lembrasse de tudo. E a segunda, nova, é a seguinte: Odeio o ouvinte de boa memória. E, por isso, sede sãos, aplaudi, vivei, bebei, oh celebérrimos iniciados nos mistérios da Loucura."
18/11/2008
A vergonha de não ter vergonha na cara
Manuel Sebastião viria mais tarde a adquirir um apartamento nesse prédio, entretanto remodelado.
Em Março deste ano, o ministro da Economia Manuel Pinho nomeou Manuel Sebastião presidente da Autoridade da Concorrência. A lei exige que a Autoridade da Concorrência seja um "regulador independente". A possibilidade de ela entrar em conflito com o Governo é elevada, sendo no mínimo discutível que um ministro nomeie um amigo pessoal - e seu inquilino - para desempenhar tal cargo. Certamente por achar que não havia nada para esclarecer neste caso, o Partido Socialista chumbou, na sexta-feira, a audição a Manuel Pinho e Manuel Sebastião no Parlamento, pedida pelo CDS-PP.
Estes são os factos. Confrontado com eles, o que é que o primeiro-ministro de Portugal decidiu comunicar ao País? Que não encontra no que foi publicado "nada que seja contra a lei". O que até é bem capaz de ser mentira, mas admitamos que possa ser verdade. Só que José Sócrates não ficou por aí. E acrescentou também não ter encontrado "nada que seja criticável do ponto de vista ético". Ora, isto são declarações absolutamente vergonhosas, e só mesmo por vivermos num país onde a mentira na política é aceite com uma espantosa tolerância é que um primeiro-ministro pode dizer uma barbaridade destas e sair de mansinho.
Se José Sócrates encontrasse um dos seus ministros a tentar arrombar um cofre com um berbequim diria aos jornais que ele estava só a apertar um parafuso. Afinal, também no caso da sua licenciatura o primeiro-ministro não viu nada de eticamente duvidoso nem de moralmente reprovável. Ora, o que me faz impressão não é que esta gente que manda em nós atraia a trafulhice como o pólen atrai as abelhas - isso faz parte da natureza humana e é potenciado por quem frequenta os corredores do poder. O que me faz impressão é o desplante com que se é apanhado com a boca na botija e se finge que se andava só à procura das hermesetas. É a escola Fátima Felgueiras, que mesmo condenada a três anos e meio de prisão dava pulinhos de alegria como se tivesse sido absolvida. Nesta triste terra, parece não haver limites para a falta de vergonha.
João Miguel Tavares in Diário de Notícias Online
05/11/2008
Forty Acres

Out of the turmoil emerges one emblem, an engraving
an emblem of impossible prophecy, a crowd
dividing like the furrow which a mule has ploughed,
parting for their president: a field of snow-fleckedcotton
forty acres wide, of crows with predictable omens
that the young ploughman ignores for his unforgotten
cotton-haired ancestors, while lined on one branch,
is a tense court of bespectacled owls and, on the field's
receding rim a gesticulating scarecrow stamping with rage at him.
The small plough continues on this lined page
beyond the moaning ground, the lynching tree, the tornado's
black vengeance, and the young ploughman feels the change in his veins,
heart, muscles, tendons, till the land lies open like a flag as dawn's sure
light streaks the field and furrows wait for the sower.
(poema para Barack Obama pelo Nobel da Literatura Derek Walcott no Times online)
Para fora do tumulto emerge um emblema, uma gravura
um jovem Negro ao amanhecer de chapéu de palha e jardineiras,
um emblema profético impossível, uma multidão dividida
como o sulco que uma mula lavrou,
fazendo nascer o seu presidente: um campo de neve-pontilhado de algodão
numa extensão de quarenta hectares, de corvos com presságios previsíveis
que o lavrador jovem ignora para os seus inesquecíveis
antepassados de cabelo de algodão, enquanto que alinhada num ramo,
está uma tensa corte de corujas de óculos e,
na borda do campo um espantalho gesticula revelando-lhe a sua raiva.
O arado pequeno continua nesta página pautada
para lá da terra que geme, a árvore cortada, vingança negra
do tornado, e o jovem lavrador sente a mudança nas suas veias,
coração, músculos, tendões, até que a terra se abre como uma bandeira
como a luz do amanhecer que toca no campo e os sulcos esperam pelo semeador.
07/10/2008
Se é para fazer, é hoje!
Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
(Dalai Lama)
04/10/2008
28/09/2008
Failure to communicate
The Captain, desempenhado por Strother Martin
"What we've got here is a failure to communicate."
Luke, o recluso desempenhado por Paul Newman
Ambas as citações pertencem ao filme O Presidiário
21/09/2008
A beleza
Ditado popular pela voz de Amélia Vieira
19/09/2008
Nós temos os pacotes de açúcar Nicola e os espanhóis, o tabaco de enrolar Golden Virginia
Mi nevera no iba a ser menos, es una expresíon de mi pasíon por los clásicos del cine."
Fridge Costumised by Elena Galani
13/09/2008
09/09/2008
Entendermos as coisas por nós próprios
Samuel Becket in What Where
04/09/2008
Play the blues
Bono in Silver and Gold (Rattle and Hum)
28/08/2008
De qualidades
(Henry David Thoreau)
25/07/2008
Duros, mas ternos
Ernesto Guevara de la Serna (Che Guevara)
22/07/2008
Afinal descobri isto.
- This is fictional work
- DHL did not transport the GPS at any time.
- DHL has kindly allowed me to film parts of their facilities and distribution.
- This is a personal graduation project.
Also, there has been some discussions if this is a copy of another project - theworlismycanvas.com. That is not the case. This project was already in progress when theworldismycanvas went live.
All the best,
Erik Nordenankar."
21/07/2008
Negação
Voltage spikes
Throw your keys in the bowl
Kiss your husband goodnight
Radiohead, "House of cards"