19/12/2010

Não se lamenta o sexo que não se pode ter

Com o advento dos trinta anos acabou um sonho. Não será muito correcto chamar-lhe um sonho, talvez chamar-lhe um objectivo seja mais adequado ou algo que gostava de experimentar fazer, digamos, sem saber no entanto se gostaria ou não de o fazer, porque só temos a certeza se gostamos depois de experimentarmos... Não interessa! Chamemos-lhe um sonho para simplificar! O que interessa é que está posto de parte. E apesar de tudo custou. Não é a primeira vez que um sonho é posto de parte, afinal eu também queria ser jogador de futebol como todas as crianças, mas nos sonhos, tal como no sexo, não lamentamos as possibilidades que nos passaram ao longe, essas são tão distantes que mal pensamos nelas, lamentamos sim as possibilidades que nos passaram mesmo ao lado e as quais pudemos saborear ao ponto de quase sabermos como seria se as realizássemos. Voltando ao sexo, não lamentamos o que não pudemos ter com a Scarlett Johansson, lamentamos sim o sexo que não tivemos com a empregada do café da esquina que um dia nos sorriu e piscou o olho e que, no máximo, tem uma boca que faz lembrar a Scarlett Johansson.

(João Freire)

Faith No More - Midlife Crisis


Para o tema de Dezembro de 2010 sobre Objectos, pessoas, sítios e acontecimentos, num desafio da "Fábrica de Letras".

18/12/2010

De 15 de Novembro a 26 de Dezembro de 1980, esta era a música que estava no Nº1 da Billboard.



30 anos depois, de 11 a 18 de Dezembro, esta que não vai ter direito a vídeo, é a top billboard.
(e conseguiram estragar um clássico da minha juventude)

Depois de horas à procura da música perfeita para oferecer ao maninho, estas foram as escolhidas. Não são as perfeitas, mas sim as que pelo cansaço ficaram no meu top 2...






PARABÉNS JOÃO!


13/12/2010

Um homenzinho

- Já és um homenzinho.
A partir de certa idade temos de ter atenção. Há um momento, por volta dos 25 anos, em que deixamos de ser imaturos, sobranceiramente aturados, para sermos apenas irresponsáveis, numa censura generalizada bem maior. É quando os nossos actos se qualificam assim, como irresponsáveis, que somos adultos e a partir daí todas aquelas coisas que sem vergonha fazíamos com prazer ou ignorância têm de ser bem pesadas.
- Já és um homenzinho.
Também já não há tempo para grandes sensibilidades: discutir pela posse de um brinquedo, seja ele pequeno ou grande, é impraticável… mesmo que eu o tenha visto primeiro ou chegado primeiro a ele! Os adultos não se zangam (não podem zangar-se!) com coisas pequenas. Alguém que não pagou um copo, comentários desagradáveis que são ditos e outras injúrias, tudo tem de se suportar. O adulto é blasé. O adulto é, genericamente, um idiota com assomos de importância.
- Já és um homenzinho!
Uma das grandes conquistas de ser-se inteligente e de ter passado não sei quantos anos a estudar até ao ponto de ter um título de doutor é permitir-se olhar para os outros sem achar que se deva importar com formalidades. Respeito sim, aquele mútuo, que é bonito, mas não submissão. Nunca submissão. Gostava de manter a imaturidade na minha vida de adulto sem que isso fosse um constrangimento à minha vida em sociedade. Luto por isso.

(João Freire - 2007)

Leonard Cohen - I'm Your Man

09/12/2010

Momentos de 30 anos - Final da Taça dos Campeões de 1990


A efeméride e a constituição das equipas podem ser revistas aqui.
O momento que me fez chorar* pode ser revisto entre o minuto 5 e 6.

*Note-se que tinha apenas dez anos!

Para o tema de Dezembro de 2010 sobre Objectos, pessoas, sítios e acontecimentos, num desafio da "Fábrica de Letras".

05/12/2010

Momentos de 30 anos - O 11 de Setembro

Leonard Slatkin e a orquestra da BBC no diz 15 de Setembro de 2001, com imagens do 11 de Setembro, apresentam a obra 11 de Samuel barber, Adágio para cordas.





Para o tema de Dezembro de 2010 sobre Objectos, pessoas, sítios e acontecimentos, num desafio da "Fábrica de Letras".

29/11/2010

Elogio da parvoíce

Sabemos muito. Sabemos demasiado. Andamos uma vida toda a absorver informação e mais tarde ou mais cedo esse hábito vai tornar-se insustentável. E não é só conhecimento geral, de coisas que acontecem na nossa vida, na vida daqueles que conhecemos e no mundo. É um excesso de conhecimento técnico. Estamos a tornar-nos técnicos de tudo. A escola prepara-nos para uma profissão, afunilando o nosso conhecimento até à especialização, a vida faz o contrário.
Revistas com artigos de Psicologia, Sociologia, Saúde, educação, a televisão cheia de canais de ciência…
Se uma pessoa tiver a sorte (ou o azar) de ver o canal Discovery de madrugada, como eu um dia destes, é capaz de apanhar uma série de programas que se chama How Stuff Works. Aquilo dá a noite toda e ensina – daí o nome – como tudo funciona. Tudo. Eu sei como funciona um porta-paletes hidráulico, sei que é uma sequência de alavancas e que, como tal, uma força pequena aplicada numa longa distância equivale a uma força grande numa pequena distância. É assim. Vendo aquele programa, todos nós percebemos de mecânica, física, química, matemática, biologia, etc. Mas eu não consigo ser mecânico, físico, químico e isso tudo… Ninguém consegue! E isto acarreta duas consequências:
1ª – Conhecimento superficial; o nosso cérebro, embora cheio de potencial é incapaz de armazenar tanta informação de forma a que ela fique acessível integralmente, o que faz com que esqueçamos algumas coisas e baralhemos as outras. De técnicos generalizados, passaremos a analfabetos generalizados.
2 ª – Tique nervoso no sobrolho. É a consequência física visível que eu sinto quando ando com excesso de informação.
Por isso precisamos da parvoíce, por isso precisamos de rir, dessa ginástica da pele que rejuvenesce e dá saúde. Nada de humor inteligente, nada disso. Pura, estúpida e dura parvoíce.



28/11/2010

Allez Federer

Não é nenhum dos Grand Slams. Será o quinto torneio mais importante do ano, aquele que reúne os melhores 8 jogadores da temporada. Roger Federer ganhou o Masters Final de Londres frente a Nadal, cedendo apenas um set na competição, precisamente frente a Nadal (6-3, 3-6, 6-1). É a quinta vitória no Masters, igualando o recorde de Pete Sampras e Ivan lendl. Para o ano ainda há Federer!

24/11/2010

A ninguém lhes parecem os seus defeitos demasiado graves, especialmente o defeito de não considerarem os seus defeitos demasiado graves.

Sou uma pessoa detestável.
Não sei se quero ter filhos. Tenho a certeza de que não quero animais de estimação. Chegam, conquistam o nosso carinho, desprezam-nos, morrem… ou morremos nós! Amor desperdiçado.
Tenho alguma inveja de quem tem sorte na vida. Pode ser inveja do carro, do dinheiro… mesmo que seja dos meus amigos… Se calhar, principalmente quando são os meus amigos - é fácil deixar-mo-nos levar pela inveja.
Gosto que o meu trabalho seja reconhecido. Da mesma forma, também o meu altruísmo e carácter filantropo devem ser referenciados abundantemente pelos beneficiários e espectadores. Eu sou daqueles que gosta de deixar passar as pessoas nas passadeiras e se sente bem por isso. Convém que agradeçam com um gesto, um acenar, ou um obrigado gesticulado. Não o fazendo, são umas bestas ingratas.
Sou preconceituoso na medida em que acho que alguns preconceitos têm razão de ser, como por exemplo as capacidades automobilísticas das mulheres.
Sou orgulhoso, como aqueles que apontam os seus defeitos em forma de elogio, mas também sou teimoso, arrogante e vingativo. "Não sou vingativo, mas quem mas faz paga-mas".
Gosto de corrigir as pessoas e quando me engano… Nunca me engano!
Gosto de discutir. Alimento-me de discussões e recorro ao passado para as ganhar. Normalmente ganho-as, não sei se por mérito intelectual ou cansaço do adversário, o que faz com que também seja chato.
Sou parvo nas brincadeiras, roçando não poucas vezes o mau gosto.
Cometo erros atrás de erros e quando finalmente os corrijo (ou tento) não tardo nem hesito em voltar a cometê-los.
E sou do Benfica.

(João Freire)

Radiohead - Creep

Stone Temple Pilots - Creep

Beck - Loser


Para o tema "Transparência" num desafio da "Fábrica de Letras".

*O título do post remete para uma citação de Carlos Marzal, um poeta espanhol

22/11/2010

14/11/2010

As pessoas más

Gosto de pessoas más, do avô que puxa o cabelo do neto, do tio que dá um pontapé no rabo de um sobrinho, da irmã mais velha que goza com o choro do mano. São gestos envergonhados de amor.

Gosto de pessoas más que entram nas discussões sem ter medo do caminho que podem levar, gosto de pessoas que discutem sem paternalismo com crianças, velhos, doentes ou pessoas pouco inteligentes. Isso é igualdade e respeito.

Gosto de pessoas más que dizem obrigado, bom dia e com licença, mas que se recusam a falar da chuva, da crise ou da vizinha. São pessoas que dão valor às palavras.

Gosto de pessoas más que magoam sem querer e agem como se nada se passasse. Inocência.

Gosto de pessoas más, de pessoas com má-cara que são sempre do contra, pessoas que dizem aos amigos o que eles têm de ouvir e não o que eles querem e esperam ouvir, pessoas que ajudam e apoiam, mas que deixam cair e esperam que os outros se levantem sozinhos sem dizer nunca eu bem te avisei.

Gosto de pessoas más… gosto de tudo nas pessoas más. Acho-lhes piada. Só não gosto quando são más.

(João Freire)

Lovage - Book Of The Month