Maybe if you surrender - you think - maybe if you let youself go in the vastness of all this salty blue...
But no, you would never do such thing. Breathe in… out. breathe in…hold it… dive!
Down there you know that the average time a human can sustain is breath under water is approximately 3 minutes, you also know that you will need that sort of time if you don´t want to be caught – short for “if you want to survive and not being killed in the most groosom way”.
What you don´t know, and they don´t tell in that stupid little fact book that you used to read so often is how they estimate that average.
And one simple question keeps haunting you: "Do them snorkling guys, guys that hold their breath for 10 minutes and then some, count for the average?"
Racionalization is a bitch.
And you can only hold it in. Maybe if i let myself go...
"Wer mit Ungeheuern kämpft, mag zusehn, dass er nicht dabei zum ungeheuer wird. Und wenn du lange in einen abgrund blickst, blickt der Abgrund auch in dich hinein."
"Quem luta com monstros deve velar para que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti."
Partindo do quadro 'Automat', de E. Hopper, onde uma mulher bebe café com uma luva calçada, uma personagem ganha vida e corpo na sobreposição de várias mulheres transversais à 2ª Guerra Mundial, umas reais outras ficcionadas, de Hannah Arendt a Etty Hillesum, passando pela controversa Leni Riefenstahl. A acção decorre nos tempos sombrios da Guerra, começa muito antes segundo a protagonista, e fala sobre a história de amor entre um homem e uma mulher.
A Mulher sempre presente em palco estabelece neste monólogo, escrito por Paulo Alexandre Lage e adaptado por Sofia Berberan, uma conversa com o seu amante onde faz as perguntas e responde por ele. Ela é judia e ele um nazi. Nada é claro, quem é a vítima e quem é o carrasco, ambos, em última análise, o foram em algum momento. O Homem não diz uma palavra, a Mulher pergunta e responde. É deixado espaço para os vários cenários possíveis, terá, na realidade, aquela conversa alguma vez tido lugar? Estará a mulher a ensaiar o que dirá ao seu amante? Ou, procurando a sua última hipótese de redenção, terá ela imaginado aquela conversa?
Ficha Técnica: Encenação Texto: Paulo Alexandre Lage Adaptação: Sofia Berberan Interpretação: Zia Soares
Em exibição no Auditório Carlos Paredes a partir de 1 de Abril ou em qualquer outro lugar numa data a combinar, pois caso haja interessados, o encenador, que por acaso conheço, demonstrou todo o interesse na descentralização da sua peça. Sendo assim, caso estejam interessados ou conheçam o Presidente da Câmara Municipal da vossa cidade, da vossa agremiação de bairro ou de qualquer outra associação, manifestem o vosso interesse, porque o encenador e todos os que trabalham com ele precisam do dinheirinho para desenvilverem mais projectos de elevado interesse cultural. Garanto-vos.
Aproveitando para responder a algumas comentadoras deste post, assim como a todas as outras (centenas, milhares, quem sabe) que possam ter dúvidas sobre a minha intenção, passo a esclarecer.
Sempre conheci mulheres de alta-manutenção. A verdade é essa. Não vejo que isso possa ser interpretado negativamente, pois não era esse - de todo - o objectivo. A única coisa que tal nomenclatura quererá significar será que as mulheres actuais não se conformam com a sorte que lhes calha, seja no que diz respeito a elas próprias ou com aquilo que as rodeia e isso é tão verdade para as coisas superficiais, como para as coisas mais profundas da existência humana… mas será sem dúvida verdade para os homens que essas mulheres escolhem para ter à sua volta. A assumpção de uma mulher de alta-manutenção pretende ser uma manifestação de liberdade da mulher e não - como entenderam quase todas as comentadoras do tal texto - da sua opressão.
Mulheres de alta-manutenção deveriam ser todas as mulheres, não porque precisassem de ser apaparicadas superficialmente (ou não apenas, porque não me parece que haja mal nenhum nisso), mas porque exigem mais a todos os níveis e porque não aceitam nada que as diminua enquanto seres humanos e enquanto mulheres. Quero, por exemplo, que a minha sobrinha, que é o ser feminino mais próximo de mim enquanto criatura em desenvolvimento, seja uma mulher de alta-manutenção. Quero que ela não aceite que os homens a conquistem com duas palavras, que não seja fácil perante o charme superficial dos homens que a quererão levar – infelizmente – para a cama e, quando aceitar alguém, quero que aceite alguém que faça tudo para ver um sorriso na cara dela, alguém que esteja disposto a anular-se para que ela seja feliz, alguém de quem ela possa gostar e não alguém que lhe bata ou que a trate como algo menos do que aquilo que ela é: uma mulher. No fundo, quero para ela alguém que tenha de lhe dar - e esteja disposto a dar-lhe - muita manutenção.
Quando eu disse que todas as mulheres que conheci são mulheres de alta manutenção, quis apenas dizer que todas elas exigiram sempre muito de mim - o que ajudou a tornar-me num homem melhor -, não porque fossem superficiais ou ocas, mas porque queriam o melhor para elas e eu sempre as admirei por isso, ainda que em alguns casos isso me tenha feito sofrer.
Admito que nestas coisas da blogosfera não dê para entender muito bem algumas coisas que se dizem (escrevem), muitas vezes porque faltam sons e imagens para ilustrar essas palavras e neste caso terá sido minha a culpa, porque parti do pressuposto que o que disse seria facilmente entendível, mas acredito também que às vezes deixamos que as nossas experiências pessoais influenciem a forma como vemos e lemos estas coisas e aí a culpa já não é minha. Irrita-me, ainda que não muito, porque não sou muito dessas coisas e tento perceber de onde vem essa energia que me irrita, que pensem erradamente sobre mim e sobre o que digo e irrita-me porque tenho a perfeita consciência de que sou melhor do que a maior parte das pessoas. Sim, sou arrogante. Eu tenho defeitos. Sou melhor do que a maior parte das pessoas mas não sou perfeito.
Começou a manhã com um suspiro. Acordou, deu voltas na cama e olhou o negro do seu quarto escuro completamente fechado, quase selado. Abominava o branco e a claridade excessiva, pelo que gostava de estar assim, resguardada do que os outros pensariam da sua natural estranheza por baixo dos grossos cobertores e lençóis. Era um bem-estar incomum e raro para ela. Não deixava entrar ninguém como não deixava entrar luz naquele quarto preenchido com um silêncio denso, enquanto o seu cérebro despertava no meio de algumas considerações avulsas sobre o tempo e a forma com as tardes se sucediam às manhãs até que a noite a levasse à cama num ciclo que se renovava inexplicavelmente. Fazia-lhe falta um sentido para tudo, fazia-lhe falta sentir.
Sua mãe bateu à porta do quarto, como de costume, e chamou-a.
Na sua cabeça chamava-lhe velha e não gostava dela.
Levantou-se na escuridão, percorrendo às apalpadelas os cinco passos até à casa-de-banho, para depois acender a luz. O seu retrato no espelho era neutro e ela olhava para ele como se procurasse algo… Talvez as caras das vozes com quem discutia na sua cabeça, o barulho enlouquecedor no silêncio.
Pegou na lâmina e fez um corte no antebraço. Funcionava para se acalmar, funcionava para acalmar as vozes. Ao lado da ferida no braço, cicatrizes, umas antigas outras recentes, mostrando as tentativas de lidar com o seu ‘problema’, e as veias azuis que ela contemplava profundamente, sentindo-as latejar, apertando a mão com força para que se vissem melhor.
Diagnosticada, internada, normalizada, passara dois anos fora de casa, entre quartos brancos e salas almofadadas que a impediam de se magoar… e a claridade opressiva. Por isso lhe era difícil encontrar lâminas pela casa, por isso a sua mãe entrava de rompante em certas ocasiões, por isso ela chorava sem emitir nenhum barulho ou líquido, sempre um olhar neutro e muita confusão na sua cabeça, como se a sua mente fosse o burburinho de uma cozinha atarefada de um restaurante popular.
O arrastar de móveis e o bater de portas na outra divisão indicava-lhe que tinha mais algum tempo de solidão. Apenas quando o barulho cessava é que sua mãe chegava, mas fazia tempo que não lhe investigava os braços, fazia tempo que ela se preocupara, afinal, bastava um sorriso para que a desculpasse das provas dos medicamentos tomados que antes lhe exigia severamente.
Como sua mãe, que regozijava com os progressos, ninguém na família alargada ou conhecidos em geral diriam que se passava algo com aquela rapariga, fingindo desconhecer que os problemas mais difíceis de todos nós são aqueles que nos atormentam por dentro. Para toda a gente basta uma aparência de felicidade nos outros, para toda a gente serve uma inócua pergunta, “tudo bem?”, seguida de uma resposta ainda mais inócua, “sim”. Não fossem as caixas de lítio compradas por sua mãe numa farmácia do outro lado da cidade de três em três meses e nenhum problema existiria. Daí a estranheza da população quando, após a hospitalização da mãe, aquela rapariga saiu à rua nua como uma criança inocente no seu corpo de 26 anos.
Claro que sua mãe morreu. As pessoas morrem sempre nestas histórias tristes que se contam de ouvir dizer. E naquele dia, antes mesmo de virem os senhores da segurança social e do hospital, apenas restou o silêncio na casa. Todas as janelas estavam fechadas. No quarto, sentada na beira da cama, olhando um espelho grande na parede, uma rapariga e uma lágrima apanhada com um dedo inquisidor para o qual olhou, vendo-o molhado, a prova de que apesar de tudo sentia.
Sempre conheci mulheres de alta manutenção. Pensava eu que era sorte minha... ou azar. A verdade é que todas as mulheres se aborrecem facilmente, como este anúncio do desodorizante Axe (em inglês Linx) Twist tão bem ilustra, e se é difícil mantê-las interessadas, a verdade é só uma: só nos interessa manter interessadas aquelas de que gostamos e se gostamos delas é porque merecem todo o nosso esforço.
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