16/02/2010

UNKLE

Um daqueles projectos fenomenais, com participações de artistas consagrados, que valem pela genialidade das ideias, da música e dos vídeos. Estes dois vídeos (o primeiro mais recente, de 2007, o outro mais antigo, de 1998) são brilhantes exemplos disso.




UNKLE/Ian Astbury - Burn My Shadow




UNKLE/Thom yorke - Rabbit In Your Headlights

12/02/2010

Uma breve história da democracia em Portugal

Mário Soares foi o primeiro. Apoiou-se na fama conquistada após a revolução de Abril, aliou-se depois ao CDS e não durou mais do que três anos, devido a desentendimentos entre os dois partidos que constituíam o governo. Ramalho Eanes nomeia então Nobre da Costa, num período conturbado de constantes Moções de Confiança rejeitadas pela Assembleia da República, que viria a vitimar ainda Mota Pinto, sucedido por Maria de Lourdes Pintasilgo, vítima da dissolução da Assembleia da República. Seguiu-se-lhe Sá-Carneiro, outro coligante, que viria a falecer no contexto que se conhece, sendo substituído interinamente por Freitas do Amaral, e depois por Pinto Balsemão, aquele que seria o primeiro a apresentar a sua demissão ao Presidente-da-República. Segue-se Mário Soares, o omnipresente, num governo a dois com o PSD, que viria a decidir o seu fim antes da chegada do grande e do único a completar, não um mas, os dois mandatos: Cavaco Silva. No entanto, também ele saiu do poder debaixo de críticas relativamente ao controlo da comunicação social, nomeadamente da televisão pública. Louvemos apenas a capacidade de acabar o segundo mandato, pois nunca, até hoje, isso foi conseguido. Guterres, afundado no pântano que ajudou a criar, demitiu-se, abandonando o país mais tarde para um alto cargo nas Nações Unidas. Durão Barroso durou dois anos no país da tanga, fugindo assim que pôde para a Presidência da Comissão Europeia. Santana Lopes nem aqueceu o lugar, apesar de ter deixado no curto espaço de tempo em que esteve à frente do Governo o mesmo rasto de dúvidas e suspeições relativamente à promiscuidade entre a política e os grandes grupos económicos que os outros governantes. Depois veio Sócrates e tudo permaneceu igual, com um primeiro mandato tranquilo, em que as suspeições e o número de casos foram escalando, até ao segundo mandato que agora agoniza e que, de certeza, não vai tardar em capitular.

A história da democracia em Portugal é curta. Seria bom que esse facto explicasse tudo o que de mal se passa no nosso país, nomeadamente na sua componente pública. A verdade é que não se vislumbram melhoras. A promiscuidade entre o poder político e o económico é tal que se alimentam um ao outro – os políticos de amanhã são os altos funcionários das grandes empresas de ontem e os altos funcionários das grandes empresas de amanhã são os políticos de ontem.
Sendo assim, uma democracia que tende a ser uma democracia para toda a gente, apenas o é na base de uma democracia ocidental baseada em demasia na assistência-social, com tudo o que de bom e mau isso acarreta, uma democracia que corre sempre o risco de fomentar a alienação e a não acção, nivelando por baixo, afundando assim um país numa espiral descendente que apenas deixa escapar os bem preparados e os "bem preparados".

Vivemos num país governado pelas informalidades. É a cunha, a mão negra… navegamos na zona da incerteza, numa zona em que o interesse pessoal impera. Assim se explicam os atentados às liberdades pessoais, assim se explicam os abusos de poder e o tráfico de influências, assim se explicam - ao menos isso - todas as suspeições. Não é só quem tem olho que é rei, porque todos vemos o que acontece e todos sabemos o que acontece, mas é sim quem tem olho e poder económico para agir ou para apoiar a acção.
Virá o tempo em que o mercado, depois de regular-se em benefício próprio, devorando tudo à volta, começará a devorar-se a ele próprio, deixando o nada, porque se é verdade que existe uma mão invisível para impedir que a crueldade impere (Adam Smith), também é verdade que essa mão invisível necessita de uma ética de mercado e de um conjunto de valores na sociedade (Adam Smith) que vão escasseando.
Num mundo de globalização total, em que a vida de um país é definida por leis extrínsecas e os números imperam sobre as pessoas, é difícil haver ética, é difícil haver um conjunto de valores que identifique a base do mercado, os clientes, e os seus reguladores. Sem valores, impera a crueldade. Isto é verdade para qualquer país, mas é mais verdade num país com uma curta história democrática.


(João Freire)

Deolinda - Movimento Perpétuo Associativo


Alguns dados, nomeadamente os nomes e ordem cronológica dos Governantes, foram recolhidos da Wikipédia, na página dos Governos Constitucionais de Portugal

06/02/2010

Ana Moura no Theatro Circo em Braga


Foi esta mulher, ontem, que me levou aos fados.

Ana Moura - Os Búzios


Ana Moura - O fado da Procura


Ana Moura - O que foi que nos aconteceu 

(Só faltou esta)

Foto retirada daqui

05/02/2010

'The Old Game' - Cena final do filme "Confessions of a dangerous mind"



"I came up with a new game-show idea recently. It's called the old game. You got three old guys with loaded guns onstage. They look back at their lives, see who they were, what they accomplished, how close they came to realizing their dreams. The winner is the one who doesn't blow his brains out. He gets a refrigerator." 


Para o tema "Velhice", num desafio da "Fábrica de Letras", acompanhando esta, esta, esta e esta participação.

28/01/2010

Um pouco de cor

O seu cabelo vermelho destoava no meio da cinzenta rotina citadina, tornando-a visível aos sorrisos de alguns e aos olhares abertos de suspeição de outros. Ela seguia em frente, sorrindo sem o mostrar, reparando nos outros, nos que olhavam para si e nos que olhavam o chão, notando que poucos levantavam a cabeça, procurando algo... sempre à procura.
(Que procuras?).
Não sabia o que procurava. Tinha um sonho que a envergonhava.
- Desiste.
E dúvidas
- Desiste!
Muitas dúvidas, que, por sua vez, a enraiveciam.
Decidiu tirar uns dias. Pediu ao marido que a ajudasse. Ao menos ele nunca lhe tinha dito...
- Desiste.
Ainda que não dissesse nada de todo.
Ele ficaria com as crianças, sem perguntar nada - até porque era só um fim de semana - e ela voltaria Domingo à noite.
Pegou nos sacos, despediu-se dele enquanto as crianças dormiam e saiu.
Não passou da porta. Não havia nada para decidir. Tudo estava decidido há muito tempo.
- Está decidido.
Há dias em que nada acontece e nada do que possamos fazer consegue contrariar essa vontade superior. Dias que se transformam em semanas, meses e anos… uma vida de possibilidades, uma vida com mais perguntas do que respostas, mas uma vida apesar de tudo, uma vida com tudo lá dentro, de bom e mau, na esquizofrenia tão característica da natureza humana. Só o que falta conta. O fim é a marca do que fomos e pouco há para além do que é esperado de nós pela nossa condição. Ficam as certezas.
- Se não for uma escritora viajante, serei uma viajante que escreve, se não for uma apaixonada em viagem, serei uma viajante apaixonada, mas sempre a escrita, sempre a paixão e sempre a viagem.


Foge Foge Bandido - Ninguem é quem queria ser


(João Freire)

Reaproveitado para o desafio de Novembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Sonhos".

25/01/2010

Um intervalo de Conan O'Brien

Vejo o Conan O'Brien (neste caso o Late Night with Conan O'Brien) desde meados dos anos 90, quando ainda tinha antena parabólica e os episódios que a MSNBC passava ainda eram mais atrasados do que aqueles que os canais portugueses têm vindo a transmitir. O programa dele fez parte do meu desenvolvimento enquanto adolescente, jovem adulto e cidadão do mundo. Não é exagerado dizer isto. Por isso e por saber que ser apresentador do The Tonight Show era um sonho para ele, fico triste pelo rumo que a situação entre a estação, Jay Leno e Conan o Brien tomou. Jay Leno poderia (deveria) ter actuado melhor, poderia ter dito que não aceitava voltar para o programa, mas é conhecida a sua relação quase obsessiva com o programa (agora fazem sentido as piadas de Conan, que dizia, meses antes da mudança, não acreditar que jay Leno deixasse mesmo o The Tonight Show). Como resultado, um dos melhores apresentadores da Late Night ficará na história como o apresentador que menos tempo (7 meses) esteve à frente dos comandos do programa que é uma instituição do humor e da programação televisiva mundial. Perde a NBC. Como parte do generoso contrato de rescisão, Conan fica proibido de apresentar programas no espaço de 7 meses. É um intervalo longo, mas apenas um intervalo.


Último episódio do The Tonight Show with Conan O'Brien


Deste último episódio, ficam os melhores momentos dos 7 meses e fica a canção final: Free Bird, com Ben Harper, com Will Ferrel e sua mulher, com Beck, com o Gajo dos ZZ Top, os membros da banda e Conan O'Brien a tocar guitarra.

23/01/2010

"Fun Theory"

15/01/2010

É já na próxima segunda-feira que estas duas campanhas publicitárias, da agência omdesign, começarão.
Ambas promovem o uso do preservativo tanto em relações estáveis como ocasionais, e pela primeira vez, dá-se destaque às relações homossexuais.





em estéreo

11/01/2010

5 manias

O desafio, proposto pela Mary Brown, é o seguinte:

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."

Não sou uma pessoa com muitas manias, pelo menos não ao ponto de conseguir encontrar cinco rapidamente. Mas, como todas as pessoas, tenho as minhas idiossincrasias e particularidades. Sendo assim...


  • Desde logo, tenho a mania, aquela mais corriqueira e habitual, a mania de ser esperto, a mania de ser engraçado, a mania de que escrevo bem ou de que sou o melhor condutor do mundo... Essa mania.
  • Depois, como a desafiadora disse (apesar de não me conhecer), tenho a mania de ser do contra, habitualmente numa discussão sobre quem não está presente (ocupando o seu lugar); quando os argumentos se esgrimem e é necessário uma refutação dos mesmos para se chegar a uma conclusão mais sólida ou... só porque sim. Chama-se a isso fazer o papel de advogado do diabo e eu faço-o na perfeição (lá está a tal mania de que falava ao princípio).
  • Tenho também a mania de ler na casa-de-banho. Habitualmente, tenho cinco ou seis livros na casa-de-banho e, normalmente, leio até ficar com a perna dormente.
  • E, por último... sei lá... roo as unhas (onicofagia, dizem aqueles que têm a mania)