25/01/2010

Um intervalo de Conan O'Brien

Vejo o Conan O'Brien (neste caso o Late Night with Conan O'Brien) desde meados dos anos 90, quando ainda tinha antena parabólica e os episódios que a MSNBC passava ainda eram mais atrasados do que aqueles que os canais portugueses têm vindo a transmitir. O programa dele fez parte do meu desenvolvimento enquanto adolescente, jovem adulto e cidadão do mundo. Não é exagerado dizer isto. Por isso e por saber que ser apresentador do The Tonight Show era um sonho para ele, fico triste pelo rumo que a situação entre a estação, Jay Leno e Conan o Brien tomou. Jay Leno poderia (deveria) ter actuado melhor, poderia ter dito que não aceitava voltar para o programa, mas é conhecida a sua relação quase obsessiva com o programa (agora fazem sentido as piadas de Conan, que dizia, meses antes da mudança, não acreditar que jay Leno deixasse mesmo o The Tonight Show). Como resultado, um dos melhores apresentadores da Late Night ficará na história como o apresentador que menos tempo (7 meses) esteve à frente dos comandos do programa que é uma instituição do humor e da programação televisiva mundial. Perde a NBC. Como parte do generoso contrato de rescisão, Conan fica proibido de apresentar programas no espaço de 7 meses. É um intervalo longo, mas apenas um intervalo.


Último episódio do The Tonight Show with Conan O'Brien


Deste último episódio, ficam os melhores momentos dos 7 meses e fica a canção final: Free Bird, com Ben Harper, com Will Ferrel e sua mulher, com Beck, com o Gajo dos ZZ Top, os membros da banda e Conan O'Brien a tocar guitarra.

23/01/2010

"Fun Theory"

15/01/2010

É já na próxima segunda-feira que estas duas campanhas publicitárias, da agência omdesign, começarão.
Ambas promovem o uso do preservativo tanto em relações estáveis como ocasionais, e pela primeira vez, dá-se destaque às relações homossexuais.





em estéreo

11/01/2010

5 manias

O desafio, proposto pela Mary Brown, é o seguinte:

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."

Não sou uma pessoa com muitas manias, pelo menos não ao ponto de conseguir encontrar cinco rapidamente. Mas, como todas as pessoas, tenho as minhas idiossincrasias e particularidades. Sendo assim...


  • Desde logo, tenho a mania, aquela mais corriqueira e habitual, a mania de ser esperto, a mania de ser engraçado, a mania de que escrevo bem ou de que sou o melhor condutor do mundo... Essa mania.
  • Depois, como a desafiadora disse (apesar de não me conhecer), tenho a mania de ser do contra, habitualmente numa discussão sobre quem não está presente (ocupando o seu lugar); quando os argumentos se esgrimem e é necessário uma refutação dos mesmos para se chegar a uma conclusão mais sólida ou... só porque sim. Chama-se a isso fazer o papel de advogado do diabo e eu faço-o na perfeição (lá está a tal mania de que falava ao princípio).
  • Tenho também a mania de ler na casa-de-banho. Habitualmente, tenho cinco ou seis livros na casa-de-banho e, normalmente, leio até ficar com a perna dormente.
  • E, por último... sei lá... roo as unhas (onicofagia, dizem aqueles que têm a mania)



    07/01/2010

    Monica Belluci

    "Batem muitos corações no coração de uma mulher."



    Para o tema "Beleza" num desafio da "Fábrica de Letras", juntamente com o texto O homem que chorava ao barbear-se e a cena final do filme Beleza Americana.

    04/01/2010

    Lhasa de Sela (1972 - 2010)



    Lhasa de Sela - Los Peces


    Tindersticks/Lhasa de Sela - Sometimes it Hurts


    Stuart Staples/Lhasa de Sela - That Leaving Feeling



    Lhasa de Sela - De cara a la pared

    29/12/2009

    A menina dos olhos vermelhos

    E havia nela uma tristeza terna e outonal. Sorria como se lutasse para não chorar, chorava sempre que ninguém a via. Não tinha uma razão. Se pensasse muito nisso, talvez encontrasse uma, mas todo o raciocínio se perdia no primeiro sal de uma lágrima. Quando estava só, quando se deitava, quando acordava e ouvia a chuva a escorrer, quando tinha frio, quando visitava a sua aldeia de infância, quando ouvia um velho falar… sempre os olhos vermelhos, cavados fundo na cara e pesados. Lera nalgum lado que “o problema da felicidade é que toda a gente a merece” e guardava essa frase na sua cabeça como uma máxima que fazia todo o sentido em si. Todos merecemos, mas nem todos a conseguimos, pensava, o sofrimento advém da dúvida de não sabermos se vamos ser uns ou outros. Somos tristes, pobres… falta-nos sempre algo, nem que tenhamos de procurar à força esse algo para nos sentirmos infelizes, pois também não há bem que sempre dure e sorrir sempre deve ser difícil, imaginava ainda no preâmbulo de uma nova lágrima.
    E toda ela era olhos vermelhos, olhos vermelhos que se aproximavam das pessoas como se procurassem algo e tivessem em si a tristeza da perda. E procurava: procurava nas outras pessoas a compreensão… enfim, que chorassem como ela. Procurava então os olhos vermelhos, pois para ela só quem chora poderá sentir.

    Ornatos Violeta - Chuva



     (João Freire)

    24/12/2009

    Os Marretas - For what it`s worth (cover)

    For what it`s worth... Boas festas.



    O original, dos Buffalo Springfield, é este.

    21/12/2009

    Porque é que alguém escreve?

    - Às vezes farto-me das palavras, de tudo isto que é esta escrita inócua... Porque é que alguém escreve?
    - Porque gostam.
    - Não, não é isso…
    - Vem-me à memória aquele adágio que diz que “quem não sabe fazer, ensina”!
    - E é isso que eu sinto. Tenho noção que sou melhor no meio das palavras do que no meio das pessoas…
    - E talvez sejas fraco por isso. Somos idiotas por não ter coragem de fazer aquilo que queremos e pensamos… todos somos idiotas por causa disso.
    - Ninguém faz tudo o que quer, ninguém é assim tão livre. Se fôssemos livres agarrávamos o que queríamos com as duas mãos sem nunca largar independentemente das consequências e eu não vejo muita gente a fazer isso, aliás, acho que haveria muitos crimes se assim fosse.
    - Talvez...
    - E não me venham dizer que não tenho coragem quando estão sentados numa secretária a receber ordens durante oito horas miseráveis.
    - Tu é que disseste que a escrita é inócua.
    - Eu ainda tenho noção que sou fraco e aí me redimo. Ficam as palavras, a memória da pessoa que sou no que não fiz.
    - Não queria chatear-te.
    - Não me chateias. Distrais-me! Mas não me chateias.
    - Pareces chateado.
    - A verdade é que nada disto vai de encontro àquilo que eu dizia. Isto será a finalidade da escrita.
    - Então qual é a confusão?
    - Eu gosto de escrever para exteriorizar sentimentos e essa treta psicológica e também gosto de escrever pelo que transmito naquilo que escrevo, mas acho que muito do gosto que tenho advém do jogo que é a escrita, pois há muitos jogos naquilo que tentamos transmitir a quem o tentamos transmitir e a forma como o transmitimos...
    - Sim, a escrita é uma brincadeira da imaginação em que os blocos de construção são as palavras...
    - E os sons!
    - Sim.
    - Gosto, por exemplo, da palavra cinismo e não sei porque é que gosto dela, nem do que gosto nela ao certo, mas gosto e uso-a muito. E é este aspecto mais mecânico e orgânico da escrita que me interessa!
    - Ah.
    - Por isso não me venhas dizer que é uma forma elaborada de comunicação e essas tretas, porque não é isso.
    - Que estranho!
    - Eu sei que a escrita, por si só, é muito importante e entendo-a, entendo até quem lê, porque se aprende muito, mas o processo de escrita, o processo de autor… isso é que eu não entendo. Aliás, estes factos apenas adensam o enigma: O que é a escrita no grande esquema das coisas que é o universo? Aquele conjunto de letras, de palavras, espaços e pontuação que criam narradores, personagens e universos imaginários? Que sentido tem tudo isto?
    - Já estás a chegar ao ponto de pensares demasiado...
    - E escrevemos para nós ou para os outros?
    - Talvez escrevamos para nós e para os outros.
    - A ideia imbecil de que podemos estar a ajudar alguém, nem que seja pela parte do simples e efémero prazer da leitura, e o gosto de sermos lidos e apreciados não podem ser a explicação.
    - Procuras explicações, mas recusas as tuas próprias hipóteses...
    - E o que os outros pensam terá importância?
    - Já nem me ouves...
    - Será que gostam, será que não gostam… e que ideia tem de nós aquele que nos lê?
    - Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Cala-te!
    - O que foi?
    - E o que é que isso tudo interessa?
    - Agora sim, tens razão. Já me calei!

    (João Freire)



    Nine Inch Nails - The Mark Has Been Made



    Para o "tema livre" num desafio da "Fábrica de Letras".