Haja Alguém Que Apoie a Minha Ideia!
-
Quando se começou a pagar pelos sacos plásticos, porque poluíam o planeta,
eu achei que esta era, apenas, mais uma maneira de ir buscar dinheiro aos
bolsos...
26/06/2009
25/06/2009
23/06/2009
19/06/2009
Cuba

Um dos melhores e, ao mesmo tempo, frustrantes aspectos das viagens que vou fazendo por sítios tão exóticos desse mundo... como Braga, Lisboa, Caldas da Rainha ou Montemor-o-velho, é a descoberta de que onde quer que esteja, independentemente do país, da sua língua ou cultura, tudo é mais ou menos igual naquilo que é a essência dos povos, do bom ao mau, nas pessoas e nos locais, acabando eu por estar lá, nesses sítios, da mesma forma que estou em Portugal, pensando lá nas mesmas coisas que penso quando estou cá, como, por exemplo, na constatação da minha recém-descoberta calvice. Há diferenças certamente e são essas que nos captam a atenção, mas é percebendo essas diferenças ténues entre povos que entendemos a humanidade e a força do que nos une a todos enquanto raça. Há coisas que não mudam e que são iguais em todo o mundo.
Tudo o resto faz parte de uma conta elaborada que fazemos com nós mesmos. Há o positivo e o negativo e é a diferença entre essas parcelas que ditará se a viagem foi boa ou não. Isto é verdade para uma viagem a Cuba como o é para a viagem que é a vida.
Em Cuba há muita coisa positiva, desde logo o povo, que é sempre prestável e simpático, mas também o clima e as praias, a fruta e as bebidas típicas, os carros antigos que populam as cidades, a arquitectura colonial e do período pós-revolucionário e até a imagem panfletária da liberdade de Marti, nas pinturas que invadem as paredes, com Cienfuegos, Guevara e Castro a despontar, uma imagem que, apesar de anacrónica, acaba por nos tocar. Nisto tudo, Cuba é cor e é ritmo, e essa é a marca cubana caribenha que tem a sua epítome na capital, Havana. Mas há também o lado negativo, desde a decadência de um sistema político que força a pedinchice na forma dos ginetero(a)s, eternos negociantes de tudo, que perseguem os turistas em troco de uma moeda ou duas (sem que haja insegurança - virtudes de um regime militarista -, nem tão pouco antipatia), vivendo em casas degradas que não são completamente suas, comendo o que a restrição de alimentos não proíbe, conduzindo carros que mantêm a todo o custo e que, inevitavelmente, acabam por não ser completamente seus, sendo utilizados como táxis sobre os quais, como em tudo o resto no ainda país de Fidel, acabam por incidir impostos estatais que impossibilitam qualquer prosperidade individual.
Os cubanos não se queixam, adaptam-se, permitindo-se ao luxo de se orgulharem do seu país perante o mundo (contributo da repressão americana, que instila a rivalidade nos dois povos e que é bem visível por toda a ilha, em especial no jogo de crianças que todos os dias se desenrola no ecrã da casa de interesses norte-americana, bem perto do famoso Hotel Nacional, onde surgem mensagens contra o regime, de pronto respondidas, de forma igualmente infantil, pelo astear das dezenas de bandeiras revolucionárias cubanas que a todo o custo tentam tapar as letras escritas a vermelho que vão passando do outro lado do arame farpado). Talvez - sem essa petulância americana e orgulho saloio por parte do governo cubano - não existisse tal antagonismo que impede o diálogo e a harmonia. Mas desenganem-se os que confundem orgulho pela noção de um país e o conformismo. Os cubanos não aceitam tudo e há um sentimento de frustração bem presente, nomeadamente no que diz respeito à castração das liberdades mais básicas, e que invade grande parte da população, mas cabe-lhes a eles, os cubanos - e é isso que os americanos, desde Kissinger, não entendem -, decidir e agir sobre o seu futuro enquanto povo.
Historicamente, os cubanos já provaram que têm capacidade para sonhar e actuar em conformidade com os seus desejos de liberdade, foi isso que Fidel, Raul, Che, entre outros camaradas fizeram quando partiram do México a bordo do Granma (em exposição no Museu da Revolução ao lado dos destroços de aviões americanos abatidos aquando da tentativa de invasão naquela que ficou conhecida pela invasão da Baía dos Porcos) em direcção a cuba, mas fazer a revolta é substancialmente diferente de governar e essa lição já está bem aprendida pelo povo cubano.
Se a viagem foi boa? Claro que foi bom, mas (o maldito mas), apesar de tudo, há um sentimento que está sempre presente: o sentimento de estarmos a ajudar a perpetuar o estado das coisas.
(João Freire)
11/06/2009
A coragem na cobardia
Acho que começará com o sol a entrar pelos buracos da persiana, o afastar dos lençóis, o sentar na berma da cama e coçar alguma parte do corpo (talvez o peito do pé, mesmo na junção com a perna), o espreguiçar, levantar e caminhar até à casa-de-banho… Acho que será assim! E será aí nesse instante que tudo se decide – Tudo sobre o que é a nossa vida e o que vamos fazer com ela. Depois, grande parte do dia será dedicada à normalidade rotineira do quotidiano: coisas práticas como tomar banho, lavar os dentes, tomar o pequeno-almoço, sair e trabalhar. Mas de certeza que algures nesse dia haverá um sorriso, uma gargalhada até, que ninguém compreenderá, mas que será a epifania da própria existência, um último alívio que confirma a decisão. Pode haver também uma parte de apreensão, nervosismo e até alguma tristeza… admito que alguém possa chorar nestas circunstâncias, mas penso que o sentimento de alívio será mais comum. Tudo o resto será esparso, dependendo da forma escolhida - eu escolheria uma rápida -, nunca dispensando muita preparação e algum trabalho manual, terminando tudo (como quase sempre termina) com um corpo rígido e uma carta de despedida num tom invulgarmente doce.
(João Freire)
(João Freire)
09/06/2009
07/06/2009
Hoje fez-se história

Federer venceu Roland Garros e eu vi!
Se existiam dúvidas, elas desapareceram hoje, dia 7 de Junho de 2009. Federer é o melhor tenista de sempre!
Ah! E parece que também houve eleições.
06/06/2009
30/05/2009
Um lado cada vez menos amargo
Foi o que senti.
- E não devia
Tu sabias… tinhas a certeza que falavas com ela pela última vez!
- Eu estava ao teu lado
E mal conseguias conter as lágrimas.
A sua cara, o corpo… tudo diminuto. Parecia que encolhia à nossa frente, menos os olhos, que eram grandes e fortes, secos e duros, como ela!
- Como se fosse talhada de um carvalho.
Mas quando começou a dizer, em jeito de despedida, que fôssemos sempre amigos
- Eu e tu.
Tu saíste disparada, rebentando em lágrimas.
Ao dizer-lhe a ela que sim, que eu e tu seríamos sempre amigos, dividindo o olhar entre aquela senhora pequena e a tua sombra soluçada na parede do corredor…
- E não devia.
Senti que um acordo inviolável se escrevera.
E muito do que esse acordo previa ainda se mantém.
Sinto
- E não devia.
Que tenho de te proteger, compreender e aceitar, mesmo quando mais ninguém o faz, mesmo se mais ninguém o fizesse, e se, por um lado, isso me eleva perante ti
- E, mais uma vez, não devia
Por outro, confunde tudo o que possa sentir
- Bom ou mau!
Bom ou mau.
É injusto para ti, que não pediste nada, que não sentiste
- Nem sentes
Nada!
Aposto que, sabendo, me livrarias desse compromisso.
Mas um acordo é um acordo.
- As partes intervenientes disseram o que tinham a dizer naquele momento.
E, por ser prometido, nunca deixou de ser sincero.
- Claro.
E mesmo agora…
- Mesmo agora…
O sentimento amargo começa a desvanecer
- Desculpa
Desculpa.
Que se lixe.
(João Freire)
- E não devia
Tu sabias… tinhas a certeza que falavas com ela pela última vez!
- Eu estava ao teu lado
E mal conseguias conter as lágrimas.
A sua cara, o corpo… tudo diminuto. Parecia que encolhia à nossa frente, menos os olhos, que eram grandes e fortes, secos e duros, como ela!
- Como se fosse talhada de um carvalho.
Mas quando começou a dizer, em jeito de despedida, que fôssemos sempre amigos
- Eu e tu.
Tu saíste disparada, rebentando em lágrimas.
Ao dizer-lhe a ela que sim, que eu e tu seríamos sempre amigos, dividindo o olhar entre aquela senhora pequena e a tua sombra soluçada na parede do corredor…
- E não devia.
Senti que um acordo inviolável se escrevera.
E muito do que esse acordo previa ainda se mantém.
Sinto
- E não devia.
Que tenho de te proteger, compreender e aceitar, mesmo quando mais ninguém o faz, mesmo se mais ninguém o fizesse, e se, por um lado, isso me eleva perante ti
- E, mais uma vez, não devia
Por outro, confunde tudo o que possa sentir
- Bom ou mau!
Bom ou mau.
É injusto para ti, que não pediste nada, que não sentiste
- Nem sentes
Nada!
Aposto que, sabendo, me livrarias desse compromisso.
Mas um acordo é um acordo.
- As partes intervenientes disseram o que tinham a dizer naquele momento.
E, por ser prometido, nunca deixou de ser sincero.
- Claro.
E mesmo agora…
- Mesmo agora…
O sentimento amargo começa a desvanecer
- Desculpa
Desculpa.
Que se lixe.
(João Freire)
25/05/2009
Lisboa
O encanto de Lisboa é a sua grande falha. Lisboa é a luz do sol nas fachadas brancas das casas do bairro alto e de Alfama, Lisboa é o Castelo e a Graça, com os eléctricos a descerem as ruas serpenteantes, olhando de soslaio o Panteão e a Sé, ouvindo uma viola algures. Lisboa é o cheiro a aldeia de uma cidade que teima em agarrar-se ao seu passado provinciano sem se esquecer da modernidade das gentes que a populam no intervalo de uma bica no chiado... e Lisboa é o rio. Mas Lisboa tem medo, um medo fundado no passado, na suspeita de, à partida de cada barco, regressarem vários a reclamar aquilo de que fomos à procura há quinhentos anos a bordo de naus e caravelas ou o medo daquele terramoto (sem dúvida o terramoto), que abanou a memória da cidade até ao presente, impregnando-o de imagens de maremotos e valas cheias de corpos a arder num fim de tarde de muitos gritos e dor, afastando assim a cidade e as suas pessoas do rio, como amantes desavindos. Lisboa olha para o rio de longe e de cima, do alto e da segurança do miradouro da Senhora do Monte e do Adamastor, colocando entraves à proximidade como demonstração da sua resolução – terá sido grande o amuo! –, renunciando à harmonia de tempos idos. Lisboa, ao contrário do Porto, não abraça o rio: afasta-o secamente, virando a cara com vergonha, tristeza e apenas a reminiscência de algum amor, reclamando ao mesmo tempo a sua beleza e intangibilidade, à medida que o sol baixa, num perpétuo cor-de-laranja do entardecer, quando parece ouvir-se um choro a acompanhar um acorde final na viola.
(João Freire)
Lisboa que amanhece - Sérgio Godinho
Um Homem na Cidade - Carlos do Carmo
(João Freire)
Lisboa que amanhece - Sérgio Godinho
Um Homem na Cidade - Carlos do Carmo
Subscrever:
Mensagens (Atom)

