O objectivo deste post, antes da ESPN retirar o vídeo, era projectar o jogo de Domingo (1 de Fevereiro de 2009) entre Nadal e Federer. Previa eu que se iria fazer história. Por um lado, Roger Federer tentava igualar o recorde de Pete Sampras ao conseguir 14 títulos de Grand Slam; por outro, Nadal, impedindo o recorde de Federer, tentava mostrar ao Mundo que também ele pode vir a ser considerado o melhor de sempre. Já bateu Federer em quase todas as superfícies: Terra batida, onde Nadal é seguramente o melhor de sempre, na relva de Wimbledon, no ano passado, onde Federer era rei há já cinco anos, naquele que foi considerado um dos melhores jogos de sempre e no Plexicushion (que é o terreno do Open Australiano depois de substituir o rebound ace). Falta o DecoTurf do Open Americano. No entanto, fica sempre a dúvida que impediu que no Domingo se fizesse história. Quem é afinal o melhor? Nadal bateu Federer, mas fica a dúvida se há mérito e superioridade de ténis ou apenas um ascendente psicológico inexplicável. Federer fez mais um ponto que Nadal em termos absolutos, fez mais pontos no serviço do adversário e fez mais Winners. Apenas as regras específicas do Ténis impediram que não fosse Federer o vencedor. É fraca desculpa, eu sei, mas temos de esperar por Roland Garros, Wimbledon (que Nadal venceu no ano passado, mas à custa da recuperação de Federer) e pelo Us Open, no qual Nadal ainda não venceu.
Afinal, ainda não se fez história...
Fica este vídeo para mostrar porque é que tanta gente gosta do Federer.
O problema disto tudo é... em parte, haver pessoas que dizem “o problema disto tudo”, porque normalmente são as mesmas pessoas que dizem “o que faz falta é um Salazar em cada esquina para manter a ordem” - e toda a gente sabe que as pessoas que dizem isso são precisamente as pessoas mais desordenadas que existem e que não fazem a mínima ideia de qual seja o problema - mas dizia eu: o problema disto tudo é a falta de educação. Tudo o que se passa de mau na nossa sociedade, desde os conflitos internacionais às filas do centro de saúde, é um problema de educação, de má educação neste caso, que tem as suas raízes na mais tenra das idades. Os culpados? Todos, porque todos nós em determinada altura somos responsáveis pela transmissão de valores aos outros, seja enquanto amigos, pais, avós e restantes familiares, colegas de trabalho, superiores hierárquicos, qualquer coisa, estamos sempre a imprimir valores nos outros e a receber essa mesma impressão. Por sermos mal-educados, por não nos terem ensinado a dizer obrigado quando recebemos algo ou bom dia quando chegamos ao pé de alguém, é que nos tornamos em bestas irracionais que apenas vivem para si, sem pensar nos outros. Assim se explica, por exemplo, que as pessoas queiram trabalhar o menos possível, mas ao mesmo tempo quererem ser milionárias. Aliás, estas pessoas têm tanta consciência da sua inutilidade que nem milionárias querem ser, contentando-se apenas em ser ricas.
- “Nem precisava do primeiro prémio - nem mereço, pensarão -, bastava-me o segundo”
E basta sempre o segundo prémio, desde que dê para viver e montar um negociozito para não apanhar sustos na velhice.
Uma pessoa que não se importa com os outros não vê mal nenhum em estar à conversa com um colega enquanto as pessoas se vão arrumado em magotes numa sala de espera. É o cúmulo da desresponsabilização. E ninguém tem nada que ver com os horários. A hora de abrir é a hora de começar a preparar tudo para preparar o início da preparação do trabalho e se alguém quiser ser atendido tem de esperar porque: - "Ainda agora abri!" A hora do fecho é normalmente antecipada. Começa quando se faz a caixa, começa quando se pendura a bata e varre o chão ou se apagam as luzes e já não se pode atender nada nem ninguém, já não se faz mais um c@r#lho, como dizem nas Caldas da Rainha. Fecha a loja, fecha o consultório, a repartição de finanças, a sucursal, o que quer que seja, fecha!
A culpa não é do sistema, ou melhor, não é só do sistema, seja esse sistema o bancário o de saúde, o de Segurança Social ou qualquer outro, a culpa é das pessoas mal-educadas que atravessam esses sistemas de cima a baixo. São essas pessoas que olham para os outros como algo inferior, como algo que tem de se sujeitar à vontade do mecanismo deficiente que compõem, que dizem “volte amanhã”, “agora tem de aguardar”, “não posso”, “vou passá-lo ao meu colega” quando não tem de voltar amanhã, quando não tem de aguardar, quando não tem de ser passado ao colega! São estas pessoas que tocam a buzina aos outros quando estes fazem alguma alarvidade automobilística mas que ignoram as buzinadelas dos outros, reagindo até com incompreensão aos seus motivos
-“O que é que queres? Passa por cima"
São estas pessoas que entre não abrir falência e comprar um Aston Martin escolhem o carro, porque vêem a empresa como uma extensão de si e o lucro como dinheiro de bolso. São estas pessoas que acusam os outros com as mãos manchadas de tudo o que suja. - “Se fossem mas é ver dos grandes e dos políticos.” Mas essas pessoas são “os grandes e os políticos”, os doutores e os engenheiros e os banqueiros e os magnatas das petrolíferas e multinacionais, que despedem, que aumentam os preços, que fazem outsorcing e Lay-off, que oferecem tachos, permitem cunhas, recebem luvas e guardam sacos, que cospem no chão e deitam lixo pela janela do carro, que “têm de passar à frente”, que dão pontapés a animais crianças e velhos, que falam da vida dos outros, que atendem primeiro as pessoas ao telefone do que as que se dignaram a deslocar-se ali, que têm sempre razão, que sabem tudo e deixam o carro em segunda fila quando há um lugar vazio a dez metros “só porque demora pouco”... penso até que serão sempre as mesmas pessoas. Se não forem, há, no entanto, um sentimento que as une: o desrespeito pelos outros. São, enfim, estas pessoas que não aprendem e que não se desenvolvem enquanto seres humanos, cidadãos e trabalhadores.
Mal-educadas!
...E que levam as outras ao desespero e a um sentimento de frustração derreante – o sentimento generalizado de que não vale a pena a honestidade.
Há uma revolta por fazer, um “Chega!” por gritar e começa a ouvir-se um burburinho lá ao longe, uma multidão que se junta e caminha forte na calçada do desenvolvimento, sem medo, armada com palavras e bombas – a bem ou a mal.
(João Freire)
Nota: Poder-se-ia pensar numa solução, no simples ensinamento ao longo da vida da cidadania. Porque não uma disciplina escolar (não uma disciplina inócua como as que se vão acumulando nos currículos escolares, mas uma verdadeira disciplina preparada por psicólogos, sociólogos, educadores, etc) que leccionasse o conjunto de leis, direitos e deveres importantes ao cidadão, que mostrasse formas e exemplos correctos de actuar na escola, na rua ou no trabalho, desde os aspectos mais corriqueiros como a simples cortesia perante os outros às formas de liderança, trabalho em grupo, e resolução de conflitos? Quão bom seria se se ensinasse as crianças sobre a forma correcta de reclamar a má prestação de um serviço!
Os homens, ao tornarem-se no que as mulheres sempre quiseram - e todos fomos atropelados pelo que elas queriam - acabaram por sabotar-se a eles mesmos. As mulheres querem o prazer de manufacturar os seus homens, construí-los à sua medida, corrigi-los e melhorá-los e não uma obra acabada que apenas lhes mostra os seus próprios defeitos; ou, então, que eles sejam tudo o que elas querem quando elas querem. Ou a auto-destruição ou a perfeição. A coerência é aborrecida.
Ela, Linda Riss, era bonita e inteligente, ele, Burton Pugash, era advogado, conhecia muita gente famosa e até tinha um avião. Apaixonaram-se e viveram momentos fantásticos. Depois Linda descobriu que Burt – era assim que ela o tratava –, para além de tudo o resto, era também casado com Francine Rifkin. Ele pediu-lhe desculpa, disse até que ia divorciar-se e tempos depois mostrou-lhe o papel que comprovava o fim do casamento. Ela aceitou-o de volta, não deixando no entanto de desconfiar, o que a fez retirar o número do documento a fim de confirmar o tal desfecho matrimonial. Em boa hora tomou essa decisão, descobrindo que o documento havia sido falsificado. As mentiras acumulavam-se. Mais ou menos por essa altura, Linda recebe um telefonema de Francine que lhe diz que sabe de tudo o que o marido faz mas que não se importa e que nunca lhe há-de dar o divórcio. Linda não aguenta mais e afasta-se para a Florida, onde começa uma relação com um elegante jovem, Larry Schwartz, que a faz esquecer do seu passado turbulento. Mas Burt não descansa, continuando a mandar mensagens para Linda de teor diverso, ora narrando o seu amor incondicional ou ameaçando-a de morte. Burt era assim, diriam alguns, afinal, tinha sido ele a levar Lisa a um médico para comprovar se ela ainda seria, como lhe afirmava, virgem. Era. E foi este homem insano que Lisa e Larry encontraram à sua espera no alpendre de casa dos pais de Lisa. Diz o próprio Burt que nesse dia tinha uma pistola no bolso e que tinha ido ter com eles para os matar. Valeu-lhes, nesse caso, a sua fraqueza. No entanto, algum tempo depois, uma semana antes, mais ou menos, antes do casamento de Linda e Larry, batem à porta anunciando uma encomenda para a Lisa. Ela atende, sob o olhar de sua mãe que está atrás dela, abrindo a porta antes de esticar o cabelo num nó francês.
“If I can't have you, no one else will have you, and when I get through with you, no one else will want you."
Foram estas as palavras, não do tal homem fraco, mas de alguém que ele contratou para fazer o serviço: atirar soda cáustica na cara de Lisa.
A vista de Lisa ficou danificada irremediavelmente, a sua cara desfigurada e Burt acabou por ser preso.
Lisa afirmou que ele devia morrer pelo que fez.
O casamento ainda se manteve, mas Larry, sem capacidade para lidar financeira, emocional e fisicamente com o sucedido, desistiu, deixando-a.
Lisa tentou lidar com a dor, forçando-se a viver, continuando a trabalhar e a recuperar milagrosamente. A sua figura manteve-se impecável, não obstante os olhos deformados e erradamente coloridos, daí os óculos escuros que ainda usa ininterruptamente. Viajou pela Europa, conheceu pessoas, tudo o que uma pessoa pode desejar. Eram, apesar de tudo, tempos bons. Houve até uma vez que se aproximou de alguém, mas esse alguém não resistiu a vê-la com os óculos claros, que mostravam os seus olhos (dizia uma amiga que era o teste que ela tinha de fazer). Começou aí o declínio emocional de Lisa.
Sem conseguir encontrar o amor, vê-se de seguida sem emprego e uma mulher que suportara tanto na sua vida parecia agora começar a afundar-se nela.
Burt, por seu lado, na prisão, continuava a mandar cartas para Lisa, chegando ao ponto de cortar os pulsos, afirmando em voz alta, como um louco que a amava, no intuito que essa notícia chegasse até ela. Um dia até teve uma resposta de Lisa, que em jeito de provocação lhe respondeu que se gostava tanto dela que lhe mandasse dinheiro. Ele mandou, aliás, mais do que uma vez, e esse gesto garantiu-lhe, após 14 anos de cárcere, um parecer favorável de liberdade condicional. Saído da prisão, tornou-se uma vedeta, cedendo entrevista após entrevista, na televisão ou na rádio, aproveitando sempre que pode para pedir Lisa em casamento, ao mesmo tempo que os seus amigos falam com Lisa, convencendo-a a encontrar-se com Burt. Eventualmente, ela cede.
Lisa ainda era virgem. Pouco tempo depois estavam casados.
Podia ser aqui o fim, mas a história não acaba assim. Pouco tempo após o casamento com Burt, Lisa perdeu totalmente a visão numa operação ao coração e Burt, o eterno mulherengo, voltou a enganar a sua mulher (desta vez, a própria Lisa), com Evangeline, era esse o seu nome, que mais tarde acusaria Burt de a ameaçar e de ter contratado alguém para a matar! Lisa, no entanto, e contra todas as probabilidades, manteve-se ao lado do seu marido, surgindo em tribunal com uma mala que continha cinquenta mil dólares para o pagamento da fiança. E viveram felizes… e viveram!
Diz ela que o maior castigo que ele pode receber é ser obrigado a viver com ela. Ele diz que há mais ou menos dez anos que não faz nada de mal. Ele tem 82 anos e parece um avô simpático. Ela tem 72 anos e parece uma professora dos tempos antigos, com uns óculos pitorescos e um cigarro longo e fino.
De que falamos quando falamos de amor?
(João Freire)
Beth Orton - I Wiah I Never Saw The Sunshine
P.S. - Post baseado no documentário Crazy Love, cuja banda sonora contém o tema em cima reproduzido.
Fora Tv é o nome de um site de vídeos sobre palestras e seminários para quem gosta de pensar e aprender... ou apenas divertir-se. Vale muito a pena. Para ir lá directamente, é carregar aqui.
Li este e este post, que remetiam para esta notícia sobre a distribuição de telemóveis a albinos da Tanzânia a fim da salvaguarda das suas próprias vidas, não - como seria de esperar - devido aos problemas inerentes a tal condição genética, mas sim pelo brutal assassinato de albinos para a colheita de orgãos e outras partes corporais para a prática de bruxaria.
O político profissional
José Sócrates é um político profissional. Arrebatador na retórica, exímio nos debates, impecável na apresentação, é o produto da excepcionalidade política. E é precisamente por isso que eu não confio nele.
Uma nota de 100 triliões de dólares
No Zimbabwe, a terra daquele maluco sem escrúpulos que nem vale a pena nomear, existe agora, por criação do Banco da Reserva lá do sítio, uma nota de 100 triliões de dólares. Mais uma vez, vi esta notícia aqui.
Já que estamos numa de dar música... Dou-vos esta. Da banda, já conhecia duas músicas. Nada de especial... Esta é a minha 3ª e descobri-a ontem. Acho-a linda.
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T
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