06/12/2008

Parvoices

"Fiquei parvo. Levo os dias a ficar parvo, aliás."

(António Lobo Antunes in Crónica Com Um Sorriso, Visão 6 de Dezembro de 2008)

05/12/2008

Como saber que a relação com o outro acabou em 90 segs

Política de bigode

Em Portugal protesta-se pouco, já o tenho dito a quem quer ouvir. E não ironizo. É a mais pura das verdades. É certo que, em pleno clima de contestação no sector do ensino, dizer que se protesta pouco possa parecer ridículo, mas não é. E não é por uma simples razão: porque em Portugal não se protesta com boas ideias, mas sim com muita política* – a eterna discussão entre a quantidade e a qualidade, portanto, ou, nas palavras desse magnânime politólogo que é o senhor Quique Flores, “corre-se muito, mas nem sempre bem”. E ora bem, respeitando a analogia, é esse o sentido da minha crítica à forma de protesto que se faz em Portugal, que é, nalguns casos, abundante, mas raras vezes precisa e eficaz (Também não me desresponsabilizo). Os professores podem ter toda a razão do Mundo, mas apresentarem-se a terreiro, sob a batuta do sindicalista de bigode**, o senhor Mário Nogueira, com números recordes de participantes, parece-me, no mínimo, curto. E sei que haverá várias razões para discordarem com o modelo de avaliação, sei também que todos afirmam e reafirmam que não dispensam uma avaliação coerente, mas não consigo dissociar a partidarização da questão, desde logo, devido à concomitância eterna dos sindicatos com o Partido Comunista Português – e todos vimos o mesmo delegado Sindical de bigode ao lado dos seus camaradas no congresso do PCP, mas sobretudo pela intransigência nas negociações que transparece para a opinião pública e os pedidos de demissão da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, porque, por muita higiene política e ética que se possa ter, é inegável que tais artifícios não sejam mais do que simples armas de arremesso político, catapultas, por exemplo, à custa dos professores, que são arremessados com fins eleitoralistas. Proteste-se, mas com qualidade.


*A política de que se fala no texto não é a grande política, a filosofia política propriamente dita (antes fosse!), mas será a politiquice, numa definição mais pejorativa, logo, mais correcta.
**Recordo-me de alguém me dizer: "nunca confies numa pessoa de bigode", do latim Non confiare bigodum (?). Foi um conselho de alguém ou ouvi em qualquer lado, mas marcou-me e ficou para sempre, daí falar com alguma desconfiança do senhor Mário Nogueira, de quem não tenho a mínima razão de queixa, a não ser, lá está, essa desconfiança. A parte do Latim é treta, mas, no entanto, se querem latim e conjunto capilar facial, fica esta: Barba non facit philosophum***
*** Deve ser o primeiro texto no qual um asterisco tem o seu próprio asterisco, mas urge referir que tal necessidade por línguas mortas se deve à inveja pessoal. João Freire,
Desde 1980 a copiar a mana, que também pôs no seu blogue uma expressão em latim no fim do texto de 29 de Novembro

(João Freire)

03/12/2008

Ana Moura - O Fado Da Procura



(gosto :)

28/11/2008

Ai a memória...

"This is a moment that will live in history as long as history books are written."

(Gordon Brown)

Fala a Loucura:

Depois de ler o Crest© neste texto, cada vez mais acredito que há muita gente louca a ser tomada por sã, ou então, há muita gente que pensa que encontrou a verdade, mesmo sendo "lebre". Em ambos os casos, devem pensar que são garimpeiros com sorte, e por isso, toca de espalhar aos 4 cantos, as pérolas que só aos imberbes chegam, como tablóides sensacionalistas.
"O fim da blogosfera", mas o que é isto?! Nem no meu dicionário online nem no meu corrector ortográfico do blog a palavra "blogosfera" aparece! Sendo assim, como pode acabar algo que nem sequer existe?! (Ah! Valha-nos a Wikipédia) Então existe e não é coisa pequena para vir um iluminado qualquer dizer que está para acabar, pois assim lhe foi dito conforme as escrituras.



Lembro-me do "Elogio da Loucura" do Erasmo de Roterdão, um livrinho pequeno, coberto de sátira, e que aconselho a todos aqueles que ainda se consideram espantados de existir :)
Deixo o final do ensaio, que me parece demasiado actual e propositado:

AVISO PARA QUEM AINDA NÃO LEU: CONTÉM SPOILERS!

"Acontece que voltam os seus sentimentos? Protestam que positivamente não sabem de onde vêm nem se existem somente na alma ou também no corpo, nem se estarão acordados ou dormindo. E de tudo depois que viram, ouviram, disseram, ou não se recordam ou fazem uma ideia tão confusa como se tivessem sonhado. Só sabem de uma coisa: que se acham felicíssimos no seu delírio. Eis porque sofrem a convalescença do cérebro e tudo sacrificariam de bom grado para serem perpetuamente loucos nessas condições. No entanto, toda essa felicidade não passa de uma tenuíssima migalha da mesa celeste: imaginai, agora, o que não será o eterno banquete!
Mas parece que, sem refletir no que sou, vou ultrapassando há bastante tempo todos os limites. Por conseguinte, se tagarelei demais e com demasiada ousadia, lembrai-vos de que sou mulher e sou a Loucura. Ao mesmo tempo, porém, não vos esqueçais deste antigo provérbio dos gregos: Muitas vezes, também o homem louco fala judiciosamente. A não ser que pretendais que, nesse provérbio, não estejam incluídas as mulheres, pois eu disse homem e não mulher.
Esperais um epílogo do que vos disse até agora? Estou lendo isso em vossas fisionomias. Mas, sois verdadeiramente tolos se imaginais que eu tenha podido reter de memória toda essa mistura de palavras que vos impingi. Em lugar de um epílogo quero oferecer-vos duas sentenças. A primeira, antiquíssima, é esta: Eu jamais desejaria beber com um homem que se lembrasse de tudo. E a segunda, nova, é a seguinte: Odeio o ouvinte de boa memória. E, por isso, sede sãos, aplaudi, vivei, bebei, oh celebérrimos iniciados nos mistérios da Loucura."

27/11/2008

Excerto de um livro que era para ser


O meu doce lado amargo
A sua moral é, para além de conveniente, conivente. A minha, para além de tudo isso, também é inconveniente… com ela. Quem ganha? Ninguém. Quem perde? Os dois e nada do que possamos dizer consegue ultrapassar a inevitabilidade da nossa incompatibilidade. Há coisas assim. Amizade, amor, negação, raiva, indiferença, maldade, parvoíce, felicidade, tristeza… Tudo. Nunca admitiremos o mal que fizemos um ao outro. Culpo-a por não compreender que uma luta só é justa entre iguais. Culpo-me por nunca ter conseguido chegar até ela. Fica a culpa, penosamente.

(João Freire, 2007)

Reaproveitado para o desafio de Dezembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Indiferença".

Sophie Delila - Nature Of The Crime

23/11/2008

Carlos do Carmo

Depois de Frank Sinatra, só para melhor...

Um homem na cidade



Estrela da tarde
(com a participação especial de Ary dos Santos)

Um mundo catita



Estreia hoje, às 23:40, na RTP2