23/11/2008

Carlos do Carmo

Depois de Frank Sinatra, só para melhor...

Um homem na cidade



Estrela da tarde
(com a participação especial de Ary dos Santos)

Um mundo catita



Estreia hoje, às 23:40, na RTP2

22/11/2008

A voz que ouço

Espera lá. Ainda não.
Não sentes que ainda tens de corrigir alguma coisa?
Mais legumes, menos carne, mais desporto… menos um café por dia! É certo que já aprendeste muito, acredito mesmo que estejas quase lá, mas a verdade é que ainda cometes muitos erros, alguns dos quais nem hesitas em repetir, provando que não aprendeste a lição.
Sabes perfeitamente do que falo, até tens uma lista e tudo!
O presente não se vive no passado e o medo do passado é o mais irracional de todos. De que adianta pensar que vai ser igual, que alguém – ou mesmo tu – vai falhar? É preciso um percurso, uma síntese do que foi feito, mas analisar, esquecer, perdoar, pedir desculpa, amar, compreender… são os verbos mais importantes que tens de estudar exaustivamente. Sim, uma alimentação correcta também é imprescindível. Ah! E estimar os joelhos e as costas, porque são os primeiros a ir à vida.
Vá! Diz comigo: “eu compreendo, tu compreendes, ele compreende”! Isso mesmo.
O meu paternalismo é brincadeira de amigo, daquela que não é para levar a mal, mas é mesmo assim. Só assim podes crescer. Só assim chegas lá.
De resto, tem calma, não te precipites e…
É melhor não dizer tudo, sinto que não devo revelar mais. Estragaria a emoção da viagem. E a viagem é tudo!

...É esta voz que ouço frequentemente que me engana. E engana-me porque eu sei que ela não me é fiel e que diz isto a toda a gente, mesmo àqueles que nunca chegaram lá!


(João Freire)

21/11/2008

Frank Sinatra - Fly Me To The Moon



(porque a Voz merece um vídeo aqui :)

18/11/2008

'Invisible Drum Kit'

'The Piano Player'

A vergonha de não ter vergonha na cara

Há quatro anos, o administrador do Banco de Portugal Manuel Sebastião foi procurador do administrador do Banco Espírito Santo Manuel Pinho na compra de um prédio em Lisboa. Esse prédio era propriedade do Banco Espírito Santo, tendo Manuel Sebastião servido de intermediário numa compra entre o BES e um administrador do BES. Manda a boa prática que um administrador de um banco não se envolva em negócios pessoais com o próprio banco que administra. E manda a lei que o Banco de Portugal supervisione o funcionamento do Banco Espírito Santo.
Manuel Sebastião viria mais tarde a adquirir um apartamento nesse prédio, entretanto remodelado.

Em Março deste ano, o ministro da Economia Manuel Pinho nomeou Manuel Sebastião presidente da Autoridade da Concorrência. A lei exige que a Autoridade da Concorrência seja um "regulador independente". A possibilidade de ela entrar em conflito com o Governo é elevada, sendo no mínimo discutível que um ministro nomeie um amigo pessoal - e seu inquilino - para desempenhar tal cargo. Certamente por achar que não havia nada para esclarecer neste caso, o Partido Socialista chumbou, na sexta-feira, a audição a Manuel Pinho e Manuel Sebastião no Parlamento, pedida pelo CDS-PP.
Estes são os factos. Confrontado com eles, o que é que o primeiro-ministro de Portugal decidiu comunicar ao País? Que não encontra no que foi publicado "nada que seja contra a lei". O que até é bem capaz de ser mentira, mas admitamos que possa ser verdade. Só que José Sócrates não ficou por aí. E acrescentou também não ter encontrado "nada que seja criticável do ponto de vista ético". Ora, isto são declarações absolutamente vergonhosas, e só mesmo por vivermos num país onde a mentira na política é aceite com uma espantosa tolerância é que um primeiro-ministro pode dizer uma barbaridade destas e sair de mansinho.

Se José Sócrates encontrasse um dos seus ministros a tentar arrombar um cofre com um berbequim diria aos jornais que ele estava só a apertar um parafuso. Afinal, também no caso da sua licenciatura o primeiro-ministro não viu nada de eticamente duvidoso nem de moralmente reprovável. Ora, o que me faz impressão não é que esta gente que manda em nós atraia a trafulhice como o pólen atrai as abelhas - isso faz parte da natureza humana e é potenciado por quem frequenta os corredores do poder. O que me faz impressão é o desplante com que se é apanhado com a boca na botija e se finge que se andava só à procura das hermesetas. É a escola Fátima Felgueiras, que mesmo condenada a três anos e meio de prisão dava pulinhos de alegria como se tivesse sido absolvida. Nesta triste terra, parece não haver limites para a falta de vergonha.

João Miguel Tavares in Diário de Notícias Online

16/11/2008

Opções

Um dia destes, logo de manhãzinha… ou madrugadazinha, dei por mim a ser vítima de um furto. Eu estava a ser vítima de um furto! E o cenário era este: Um homem de canadianas, ao lado do meu carro a mexer num prato das jantes, aqueles discos prateados que tapam as jantes, e eu olhava para ele da janela. Ora, eu não tenho um carro por aí além - como foi visto e lido neste blogue, é um simples Renault Clio - e, como tal, os pratos das rodas também não são grande espingarda (se é para embarcarmos em expressões populares, embarquemos), até porque a própria ideia desses objectos já não é em si uma ideia luxuosa. Luxo é ter umas jantes especiais. Isso é luxo - Aliás, isso até pode nem ser luxo e ser parolo - digamos que luxo é ter um carro luxuoso. Pratos de jantes são um remedeio ou uma inevitabilidade. No entanto, furto é furto e mais que não fosse por uma questão de orgulho tinha de dizer alguma coisa. Como estava ensonado, apenas disse, da janela até ao outro lado da rua: “o que é que está a fazer?” O homem não disse nada ou murmurou qualquer coisa (estava praticamente a dormir em pé e não me recordo. Não sei se já disse que isto se passou de madrugada?), mas lembro-me que pontapeava o prato, como se estivesse a encaixá-lo de novo por ter percebido que tinha sido apanhado em flagrante. Vesti-me rapidamente e fui confrontá-lo. Ele respondeu ao confronto com cobardia, dizendo que apenas estava a ver o carro, que tinha um igual e tal e que gostava de andar por ali até para ver o pessoal que vinha da discoteca e que roubava antenas dos carros, cadeiras das esplanadas dos cafés e essas coisas. Mas ele? Roubar? Nada! Ele não roubava, até porque era doente (por ter usado esta desculpa é que foi cobarde), tinha sido operado ao coração e mal podia falar. Eu disse que sim, que o percebia e até brinquei com ele, dizendo que o meu carro era melhor e mais bonito do que o dele (são iguais aparte do dele ser a gasolina) e que não adiantava andar a roubar – se andasse a roubar – coisas do meu. Disse estas coisas para ele perceber que eu não era nenhum sonso, mas, obviamente, não sei se funcionou. Deixei-o e fui trabalhar. A meio da manhã o meu pai e chefe diz-me que a minha mãe, que se deslocara ao local do crime, lhe telefonou reportando-lhe que faltavam dois dos ditos tampões (?) ao carro. De imediato comecei a pensar no que faria quando chegasse a casa para reaver o que era meu ou no mínimo castigar o autor do furto dos pratos das jantes. Passaram pela minha cabeça as seguintes ideias:

1ª - Chegar ao pé do carro do outro senhor e simplesmente retirar os pratos do carro dele, dirigir-me ao meu e colocar os pratos no meu carro.
(Nesta primeira ideia, imaginava gente ao meu lado, até mesmo o dito senhor, berrando ou gesticulando perante a minha despreocupação)

2ª - Cagar à porta de casa dele.
(É uma ideia habitual em quesílias, no entanto é também habitualmente infrutífera, é uma ideia que apenas faz sentir bem, estimulando o ego… e o esfíncter)

3ª - Deixar passar… ou quase! E mandar cartas insultuosas durante o tempo que ele levasse a devolver os pratos ou a morrer. Esta ideia era acompanhada de telefonemas às 3 e 4 da manhã, desligando antes que alguém atendesse ou deixando apenas que se ouvisse um intenso e assustador bafo de respiração; assim como o inevitável toque da campainha de casa às mesmas horas.

4ª - Por último, pensei em ir comprar um coelho pronto a cozinhar – quanto mais ensanguentado melhor – e deixá-lo pendurado na porta do senhor com uma faca de mato e um papel no qual se poderia ler: “Isto é o que lhe pode acontecer a si, à sua mulher ou aos seus filhos se não devolver os pratos!”

Claro que quando cheguei a casa e me dirigi ao carro vi que já estava tudo no seu devido lugar. Ao que parece, entre a hora que a minha mãe viu o carro e as horas a que eu cheguei perto dele, o homem terá pensado duas vezes – até porque sabia que eu o tinha visto – e devolveu o que roubara. As ideias ficaram apenas na minha cabeça. E depois não consegui deixar de pensar qual teria adoptado?

(João Freire)

12/11/2008

Lutar ou não lutar?

"Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor."

Dizem que é do William Shakespeare

Mafalda Veiga - A Gente Vai Continuar (Versão de uma canção do Jorge Palma, com o próprio a tocar piano)



Ela no palco, ele em casa.
Gosto dela, até já a fui ver ao vivo e não fossem as más companhias dela gostaria mais. Tem aquilo a que se convencionou chamar uma cara fofinha.


P.S. - Sim, o público bate palmas (esse mau hábito dos públicos) durante uma canção que assinala o fim triste de uma relação e a tentativa de seguir em frente após esse fim. Sem dúvida que as palmas ajudarão nisso! Enfim. Acho que não se devem bater palmas (como forma de acompanhamento) a não ser que as peçam, mas, caso tenham de bater, ao menos que o façam numa canção alegre.