31/10/2008

Justificações

"Nunca te justifiques. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam"

(Provérbio árabe)

30/10/2008

Hospedeira de Bordo



Este post é dedicado a um Comissário de Bordo da Emirates que também se farta de saltitar, tocar no carrinho e correr para a galley... "so busy!" AHAHAHA.




Honeyroot - Nobody Loves You (The Way I Do)




Spasiba Roman.

29/10/2008

Amor totó

É um amor irracional, um amor cheio de “mas” e “ses”, um amor unilateral e ascendente, é um amor de seguidor e crente religioso, um amor de fã, um amor sicofanta e incontestável, é um amor de língua de fora e rabo a abanar, é um amor de corno que aceita tudo, um amor que subsiste para além da morte cerebral, é um amor ligado às máquinas, é um amor burro, inocente e ingénuo, um amor de cantorias, assobios e piruetas, um amor chato, palerma, tonto… um amor ‘parvinho alegre’! É um amor de palmadas no rabo e orelhas e lábios trincados, um amor de sussurros, de diminutivos, de flores colhidas no campo e beijos atirados ao ar, um amor descomprometido e desinteressado que não diz muito sobre aquele que ama, mas muito mais sobre aquele que é amado. É um amor de totó.

(João Freire)

...

gosto de ouvi-la dizer: "When i´m throwing punches in the air"

27/10/2008

Quase

"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba como um orgasmo! I rest my case."

Woody Allen

Acho que foi a coisa mais interessante que este gajo disse um dia. Mas, não está perfeita. E neste caso, neste caso Woddy, não me devias ter feito a desfeita, de me voltares a tentar enganar com as tuas merdas a atirar para o filosófico que à primeira vista até parecem verdades inquestionáveis. Então quando dizes, "Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila!", certamente SÓ pensaste no tamanho do bebé, depois feto e a seguir embrião e células, mas o que também deverias ter questionado e que acaba por igualmente ficar mais pequeno é o útero da mamã, ao qual tu chamas de "quarto/spa". Logo, o quarto não fica maior porque o espaço é "ajustado" proporcionalmente ao tamanho do feto. O quarto, é assim do mesmo tamanho para ele, desde bebé a óvulo, e toda esta frase, e infelizmente, todo este texto perde um pouco porque tu és, invariavelmente demasiado sexista.

26/10/2008

Tempo

"Era do Avô [o relógio] e, ao dar-mo, meu pai disse: – Quentin, dou-te o mausoléu de toda a esperança e de todo o desejo. É mais do que penosamente provável que o uses para obter o 'reductio absurdum' de toda a experiência humana, e que descubras que as tuas necessidades individuais não serão mais satisfeitas do que foram as suas ou as do seu pai. Dou-to não para que te lembres do tempo, mas para que o possas esquecer de vez em quando por momentos, e para evitar que gastes o fôlego a tentar conquistá-lo. Porque as batalhas nunca se ganham. Nem sequer são travadas. O campo de batalha só revela ao homem a sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e loucos."


in O som e a fúria, de William Faulkner

25/10/2008

Rob D. - Clubbed to Death



(Faz parte da O.S.T do filme The Matrix, dei-lhe alguma atenção, só quando a ouvi
aqui, mas depois de ver este vídeoclip, com o Rob, que corre sabe-se lá para que braços, sabe-se lá porque motivo e que é tão meio ukra, tão meio irish, tão maxilares delineados e olhar carregado... É. Acho que vou passar a ver e ouvi-la mais por aqui. Pena não estar completa e ser só um edit com menos 4 minutos de correria subversiva. :D)

E quando não sabemos mesmo, mesmo, mesmo em quem votar?

24/10/2008

Auto da Humidade

À Farsa seguinte chamam Auto da Humidade. Foi fundada sobre várias mulheres, que trabalhando no mesmo local, tudo as incomoda, principalmente o contacto entre elas. Foi feita em Lisboa e não será representada. Era de 2008 anos.

Entram nela estas figuras:

Luísa - A bipolar
Mónica - A querida
Té - A vizinha
Sónia - A miúda
Dina - A filha
Deolinda - A inchada
Helena - A bimba
Magda - A síndroma de tourette
Carmen - A sensata
Cátia - A adolescente
Antónia - A anã muda
Elisa - A desonesta
Lurdes - A justa

Parque de estacionamento da Empresa Humidade. Manhã.

Todas com excepção da Antónia - Bom dia!
Antónia acena com a sua mãozinha.
Sónia - Opá... os meus pais descobriram que fumo e querem levar-me à igreja para ser benzida!
Luísa - A sério? Mas porquê?
Sónia - Porque enquanto viver com eles, tenho que seguir as suas regras. Senão põem-me fora de casa. E eu tenho 18 anos. Não posso ir viver com o meu namorado.
Cátia - A minha mãe não me diz nada a esse respeito. É claro que se importa com isso, mas se sou eu que compro o meu tabaco e se sou eu que o fumo, desde que não fume ao pé dela e em casa, é na boa.
Sónia - Pois. Mas os meus pais são uma seca. Têm uma mente que parou de se desenvolver há 1500 anos.
Todas com excepção da Antónia - Ahahaha
Antónia sorri.
Luísa - Meninas, então! Trabalhar, trabalhar!

Elisa está na Sala dos Favos de Mel com Lurdes.

Elisa - Estou tão cansada. Estou de directa. Ontem fui a um concerto de hard-rock e cheguei a casa por volta das 6h. E dói-me a cabeça...
Lurdes - Ena! (mantém-se ocupada com o favo de mel, que desloca de um lado para o outro para ver a consistência do pólen)
Elisa - Não gosto nada como a Helena deixou a sala dos Favos.
Lurdes - Nem eu. (etiquetando com o seu nome a colecção de favos manuseados por ela)
Elisa - Está tudo sujo de mel, as ventoinhas estavam desligadas, as luvas usadas foram deixadas em cima das bancadas e as persianas que comprou não deixam entrar luz nenhuma. Deveria ter aberto as janelas quando saiu... estou tão cansada...
Lurdes - A Helena é uma bimba que não sabe mais. Estas bancadas que comprou no Ikea são tudo menos práticas. Sempre que cá vem, deixa isto feito em merda.

Toca o telefone. E Elisa que tinha ainda as mãos desocupadas, atende-o, soltando um "Ai" antes de levantar o auscultador.

Na secção de compotas e outros doces, Cátia e Té ajudam-se mutuamente.

Té - Esta compota com cerejas da Cova da Beira, está a vender bem. Hoje já telefonaram 1500 vezes para encomendar mais.
Cátia - Ya! Também eu falei com 1200 compradores novos. Passas-me o tabuleiro?
Té - Toma.
Cátia - Obrigada.

Mónica - Bom dia meninas!
Té e Cátia - Bom dia.
Mónica - Já atenderam muitos telefonemas?
Cátia - Telefonemas e visitas. Muitas vendas vamos fazer hoje.
Mónica - Que bom! Assim é que é!

Na recepção.

Carmen, Antónia, Dina e Magda, arrumam o escritório e o balcão de atendimento ao público.

Dina - Hoje a minha mãe vai passar por cá para levar uns doces.
Carmen - Ai sim? Que bom... amanhã vais tomar um pequeno-almoço de luxo.
Dina - Sim.
Carmen - São uma delícia.

Magda entretida com os mails de clientes, solta um "Porra"

Carmen - Então rapariga?!
Magda - Foda-se! Esta merda está lenta! Porra.
Luísa, que entretanto entrou - Ó menina Magda, tens que ter mais tento na língua. Nunca se sabe quando algum cliente pode entrar. Controla-te. Eheheh..
Magda - Sim. Desculpa.
Antónia sorri.

Mónica e Luisa encontram-se no escritório. Falam de Deolinda.
Luísa - Mas ó Mónica, a Deolinda está de baixa porque foi picada por 250 abelhas. Ainda por cima é alérgica à penicilina. Temos que esperar que ela recupere. Bem sei que ela aqui é a nossa Faz-tudo...
Mónica - Precisamos de contratar mais pessoal qualificado. E comprar mais fatos.
Luísa - Também acho. Mas os chefes preferem que aguardemos mais uma ou duas semanas.
Mónica - Mas eu tenho as miúdas todas ocupadas. Não lhes posso pedir mais horas e está a chegar o Natal. Tu sabes que nesta altura toda a gente se lembra dos doces.
Luísa - Ordens superiores minha cara. Não podemos fazer nada. Mas os fatos e máscaras para a sala dos favos de mel têm que ser comprados. E luvas também.
Mónica - Sim.
Luisa - Pois... não sei...
Mónica - Hum?
Luísa - Que foi?

Entretanto numa das casas-de-banho da Empresa.

Sónia - Fofinho? Olha vou sair um pouco mais tarde porque chegaram imensas paletes do Fundão e só hoje temos que conseguir 1500 compotas de framboesas.
Não me posso demorar porque as chefes podem descobrir que estou a telefonar-te daqui. Beijinhus.

Sala dos favos de mel.

Elisa - Fiz agora um comprador de mel na Holanda. O gajo diz que tem uma empresa de catering e que precisa de mel todos os meses.
Lurdes - Que bom...
Elisa - Enquanto estás aí a virar os favos, vou contar à Mónica e à Luísa. Elas vão-se passar.
Lurdes - Eheh... erm... Olha, traz-me umas luvas novas do laboratório se faz favor. Já não há nenhumas aqui.
Elisa - Está bem.

Epílogo:

Dina, Té e Cátia são excelentes vendedoras e são premiadas com o dobro do salário. Continuam na empresa durante as férias de verão.
Luísa e Mónica mantêm Deolinda na empresa apesar desta estar de baixa há quase 1 ano.
Magda tenta uma cura ao síndroma de Tourette nas Caldas da Rainha, durante duas semanas, mas depois de tantas piadas sobre os caralhos de loiça, tanto ela como o marido Rolando, pensam em emigrar para a Suíça e fazer muitos filhos loiros de olhos azuis.
Carmen sobe de posto e agora é encarregada do Laboratório. Nenhum doce, compota ou frasco de mel, sai da empresa sem antes levar o carimbo de qualidade, carimbado por ela.
Sónia sai de casa dos pais porque não quer ser benzida. Mora em Carcavelos com o namorado surfista num loft virado para a praia. Faz 19 anos em Agosto e pensa escrever um livro sobre as suas memórias.
Dina é contratada a full-time e consegue descobrir uma abelha num frasco de mel, só pelo cheiro.
Helena deixa de poder utilizar a sala dos favos de mel sem os Controladores. Um para utensílios Kitsch de fraco poder prático, outro para Higiene e Segurança no Trabalho.
Antónia solta um "Doem-me os braços do peso das paletes" e deixa de ser muda.
Elisa nunca chegou a trazer as luvas para Lurdes e é apanhada por esta a colar por cima dos seus favos etiquetados, o seu nome. Trabalha agora na sala dos favos sozinha e imagina como teria sido tudo melhor se não tivesse enganado a colega.
Lurdes obtém o título de empregada do mês. Recebe das chefes o pin "Melhor Manipuladora
de Favos" e já reúne com os seus clientes no escritório. Tem livre trânsito no Laboratório.
Deolinda fica de baixa por mais 5 anos. Mesmo depois de todos os inchaços passarem, continua a achar-se um enorme Ferrero Rocher. Mantém a mesma medicação por mais um ano e pensa fazer uma viagem espiritual ao Tibete. Vomita sempre que lhe falam em mel.

FIM

(Lúcia Freire)