Birdwatching, (7) Outono
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Trazemos as cores do sol sem que tenhamos pedido
E nas asas, o voo que os homens cobiçam.
Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) e Tentilhão-comum (...
16/10/2008
15/10/2008
Queria pedir-te para me tirares uma fotografia enquanto olho para ti, pois de certeza que conseguiria retratar o amor
Já não sei o que sinto.
O amor resvala frequentemente na direcção do ódio, aproximando-se perigosamente da indiferença. A compreensão, o compromisso e aceitação e até o afecto entre duas pessoas ficam pelo caminho e nada volta a ser como era. Fica sempre a mágoa e pior do que isso, fica sempre um sentimento latente de reconquista que nenhum quer concretizar mas para o qual ambos contribuem. Há sempre um lado que se sente bem com a imagem de si no outro e que luta por manter essa luz por perto para o animar e aquecer e depois há o outro lado que tem sempre algo a provar, que sente que falhou e que procura manter a face. Ficam as dúvidas que se instalam umas em cima das outras, duvida-se do que se sente e até daquilo que se sentiu quando se falava em amor. Como acontece esta transformação?
O amor é uma inequação, uma desigualdade que só é verdadeira com certos valores das variáveis, mas que ninguém conhece. O amor conterá paixão, amizade, individualidade, compreensão, confiança, luta, vontade, sexualidade e tudo o resto que alguém possa lembrar, mas nunca constituirá uma fórmula fixa com um desenvolvimento objectivo e linear. Eu sempre pensei que nunca me apaixonaria, que sempre iria conhecer primeiro a pessoa e depois enamorar-me por esse conhecimento, mas também já saltei de cabeça para o desconhecido e ninguém poderá dizer-me que uma forma será mais correcta do que a outra. À sua maneira, ambas tiveram sucesso e ambas fracassaram. O amor pode começar de uma forma e acabar logo de seguida ou começar da mesma forma e funcionar pela eternidade. Isto é verdade para o princípio do amor como para o fim. Importa o que fica, o que aprendemos e um recém-descoberto amor por nós próprios, mas perde-se um pouco da magia. De facto, quanto mais falo com pessoas de idade avançada, mais me convenço de que o amor enfabulado, aquele de que são feitas as histórias de princesas e príncipes, se transforma em vários amores pequeninos que se distribuem pelos filhos, pelos netos, pela vida e, claro que também, pelo conjuge, e vai desvanecendo até ficar uma memória daquilo que se fazia quando se amava e não do que se sentia. É um amor, mas um amor diferente. Ninguém duvidará que o amor na velhice não assenta na paixão e na sexualidade como acontece aos 17 anos. Claro que todos queremos a magia e o querer, essa vontade partilhada terá até muito a ver com o sucesso da manutenção de um amor pela vida, mas a desmistificação do amor também fará bem às pessoas, obrigando-as a reflectir nas suas escolhas e a tomar um papel activo na construção do amor. Numa vida de facilidades, alguma luta e trabalho fazem bem. E melhor do que acreditar na magia é tornar todos os momentos mágicos. Acreditar que as coisas podem acontecer sem fazermos por isso é simplista, denegrindo a própria ideia de amor.
O amor é um sentimento superlativo de afecto relacional. Tudo isto e só isto.
(João Freire)
Cat power - Love and communication
Recordado para o tema "Paixão" num desafio da "Fábrica de Letras"
O amor resvala frequentemente na direcção do ódio, aproximando-se perigosamente da indiferença. A compreensão, o compromisso e aceitação e até o afecto entre duas pessoas ficam pelo caminho e nada volta a ser como era. Fica sempre a mágoa e pior do que isso, fica sempre um sentimento latente de reconquista que nenhum quer concretizar mas para o qual ambos contribuem. Há sempre um lado que se sente bem com a imagem de si no outro e que luta por manter essa luz por perto para o animar e aquecer e depois há o outro lado que tem sempre algo a provar, que sente que falhou e que procura manter a face. Ficam as dúvidas que se instalam umas em cima das outras, duvida-se do que se sente e até daquilo que se sentiu quando se falava em amor. Como acontece esta transformação?
O amor é uma inequação, uma desigualdade que só é verdadeira com certos valores das variáveis, mas que ninguém conhece. O amor conterá paixão, amizade, individualidade, compreensão, confiança, luta, vontade, sexualidade e tudo o resto que alguém possa lembrar, mas nunca constituirá uma fórmula fixa com um desenvolvimento objectivo e linear. Eu sempre pensei que nunca me apaixonaria, que sempre iria conhecer primeiro a pessoa e depois enamorar-me por esse conhecimento, mas também já saltei de cabeça para o desconhecido e ninguém poderá dizer-me que uma forma será mais correcta do que a outra. À sua maneira, ambas tiveram sucesso e ambas fracassaram. O amor pode começar de uma forma e acabar logo de seguida ou começar da mesma forma e funcionar pela eternidade. Isto é verdade para o princípio do amor como para o fim. Importa o que fica, o que aprendemos e um recém-descoberto amor por nós próprios, mas perde-se um pouco da magia. De facto, quanto mais falo com pessoas de idade avançada, mais me convenço de que o amor enfabulado, aquele de que são feitas as histórias de princesas e príncipes, se transforma em vários amores pequeninos que se distribuem pelos filhos, pelos netos, pela vida e, claro que também, pelo conjuge, e vai desvanecendo até ficar uma memória daquilo que se fazia quando se amava e não do que se sentia. É um amor, mas um amor diferente. Ninguém duvidará que o amor na velhice não assenta na paixão e na sexualidade como acontece aos 17 anos. Claro que todos queremos a magia e o querer, essa vontade partilhada terá até muito a ver com o sucesso da manutenção de um amor pela vida, mas a desmistificação do amor também fará bem às pessoas, obrigando-as a reflectir nas suas escolhas e a tomar um papel activo na construção do amor. Numa vida de facilidades, alguma luta e trabalho fazem bem. E melhor do que acreditar na magia é tornar todos os momentos mágicos. Acreditar que as coisas podem acontecer sem fazermos por isso é simplista, denegrindo a própria ideia de amor.
O amor é um sentimento superlativo de afecto relacional. Tudo isto e só isto.
(João Freire)
Cat power - Love and communication
Recordado para o tema "Paixão" num desafio da "Fábrica de Letras"
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13/10/2008
Teorias da Conspiração
Por causa deste post, lembrei-me deste filme.
É uma excelente produção, com grandes verdades... ou não.
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12/10/2008
Finalmente descobri a definição de amor
"O amor é um sentimento superlativo de afecto relacional"
(João Freire)
(João Freire)
Caminhos a percorrer
O amor que ele lhe tinha ficou para trás em troca da esperança de se encontrar, pois sabia que as dúvidas que lhe impunha a ele nunca deixaram de ser as suas. No entanto, quase sem querer, sentia-lhe a falta de manhã, da respiração quente antes de acordar, e de noite, antes de adormecer, dos beijos no ombro que agora não a tocavam e das palavras, palavras que só ele lhe dizia depois de a chamar por aquele nome que só ele conhecia, que ela não ouvira mais. O silêncio instalara-se naquela casa que lhe era estranha e com ele o vazio e um desinteresse generalizado. Olhava frequentemente para a porta, procurando a emoção de algo novo ou imaginando que ele entrava com o seu sorriso inocente de quem ama sem pedir nada em troca. Mas nada de novo aparecia para lhe dar um pouco de emoção e ele também não entrava, de facto, até se afastava mais, afastava-se a milhares de quilómetros e ela apenas podia suspirar, tentando não perguntar em voz alta o que é que estava a fazer ali. Tinha saudades de tudo e era frequente encontrar-se a um canto a chorar pela família e pelos amigos, aquelas entidades estranhas que nos lembram do melhor que há em nós. Tantos nomes para tantas pessoas e a recordação de alguém em todos os momentos, desde um objecto que servira de prenda de anos a uma qualquer situação que vivia, e uma tristeza avassaladora. Mas há coisas a fazer - é isso que ela pensa -, tortuosos caminhos a percorrer na busca de um sentido e a resolução de um espírito aventureiro, um espírito maior sem medo de ser feliz, que transforma as lágrimas que escorrem pelo rosto num alimento saboroso à sua vontade de continuar.
(João Freire)
The Sundays - Wild Horses (cover)
Recordado para o tema "Estava vazio.." num desafio da "Fábrica de Letras"
(João Freire)
The Sundays - Wild Horses (cover)
Recordado para o tema "Estava vazio.." num desafio da "Fábrica de Letras"
11/10/2008
A maratona nos jogos olímpicos e a marca de sapatilhas
Antes de partirem para a guerra, aquando das primeiras invasões persas, os gregos (na altura, seriam os atenienses) avisaram as famílias e restantes cidadãos que se não recebessem notícias ao fim de certo tempo, deveriam matar os seus filhos e suicidar-se de seguida porque o atraso significaria a vitória dos persas que acorreriam até Atenas para matar toda a gente da forma mai atroz possível. No entanto, como ganharam, mas mais tarde do que seria esperado, escolheram o melhor soldado para correr até Atenas e dar a notícia a toda a gente antes que fosse tarde de mais. A batalha decorreu em Maratona, que ficava a pouco mais de 42 quilómetros de atenas. Quando o soldado chegou a Atenas, terá dito "Nike", que significa vitória, tendo morrido de seguida por exaustão.
09/10/2008
Algo de muito belo, talvez uma das coisas mais belas que vi
Para ver é favor carregar na imagem
Vi isto pela primeira vez (e é um sítio onde encontro muita coisa boa) nos Dias Úteis, de Pedro Ribeiro
Participação no tema "Velhice" da "Fábrica de Letras"
Vi isto pela primeira vez (e é um sítio onde encontro muita coisa boa) nos Dias Úteis, de Pedro Ribeiro
Participação no tema "Velhice" da "Fábrica de Letras"
07/10/2008
Se é para fazer, é hoje!
"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito: um chama-se ontem e o outro amanhã.
Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
(Dalai Lama)
Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
(Dalai Lama)
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05/10/2008
7 Artistas ao 10º Mês - Gulbenkian

Estive lá na vernissage. Não houve bebidas nem tampouco pastéis, rissóis ou outro tipo de aperitivos. Houve sim muita gente. Muitos amigos e mais desconhecidos.
Já tinha visto alguns trabalhos do João e do Jorge, mas as obras que foram expostas, não conhecia.
Fiquei deslumbrada com o mega "Coreto" do Jorge. Tudo o que se vê, pode ser mexido. Cada gaveta contém uma surpresa. E uma delas até a revista Playboy guarda.
Com o João, já estava habituada às suas manias obsessivas-compulsivas. Podem ver-se esculturas de objectos que antes foram outros objectos com outras finalidades que não estas que expõe.
E se olharmos atentamente para cada uma, para tentarmos ver falhas e enganos, erros e pormenores deixados ao acaso, é apenas uma tarefa inconsequente.
"Criada em 1997 pelo Centro de Arte Moderna com o propósito de revelar jovens artistas portugueses em início de carreira, numa altura em que escasseavam iniciativas desta natureza, a exposição 7 Artistas ao 10º Mês terá em Outubro a sua 6ª edição. De periodicidade bienal, expôs, ao longo desta primeira década, nomes que hoje são valores afirmados no panorama artístico nacional. A selecção dos artistas é confiada a um comissário a quem é concedida total liberdade para definir o conceito e os critérios de escolha dos artistas de cada exposição. A Newsletter falou
com Filipa Oliveira, a responsável pela edição deste ano, que nos explicou as premissas que estabeleceu para conceber esta exposição que abre portas no dia 3 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian. Uma mostra que promete surpreender.
(...)
Onde os descobriu?
A minha pesquisa desenvolveu-se em várias direcções. Falei com os directores das várias escolas de arte no sentido de conhecer os alunos que se tinham destacado nos últimos cinco anos, consultei os portfolios de candidatos a vários prémios de arte, informei-me também sobre os artistas que obtiveram bolsas de arte nos últimos anos, andei por pequenos espaços pelo país, fora dos circuitos expositivos mais óbvios. No fundo, todo o trabalho de comissariado que tenho desenvolvido nos últimos anos (como, por exemplo, no Prémio Ariane de Rothschild) permitiu-me o contacto com centenas de trabalhos de jovens artistas, servindo para realizar e fundamentar esta selecção. Esta mostra vai permitir dar a conhecer o seu trabalho.
(...)
O João Ferro Martins criou uma série de objectos muito diferentes entre si, que têm a música como fonte inspiradora: um contrabaixo danificado, fotografias de esculturas que realiza com moldes de objectos, como por exemplo de uma flauta partida. A peça central da sua peça é um “concerto” de homenagem a Ligeti em que soam 100 despertadores durante alguns segundos, duas vezes por dia. O efeito é quase ensurdecedor."
com Filipa Oliveira, a responsável pela edição deste ano, que nos explicou as premissas que estabeleceu para conceber esta exposição que abre portas no dia 3 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian. Uma mostra que promete surpreender.
(...)
Onde os descobriu?
A minha pesquisa desenvolveu-se em várias direcções. Falei com os directores das várias escolas de arte no sentido de conhecer os alunos que se tinham destacado nos últimos cinco anos, consultei os portfolios de candidatos a vários prémios de arte, informei-me também sobre os artistas que obtiveram bolsas de arte nos últimos anos, andei por pequenos espaços pelo país, fora dos circuitos expositivos mais óbvios. No fundo, todo o trabalho de comissariado que tenho desenvolvido nos últimos anos (como, por exemplo, no Prémio Ariane de Rothschild) permitiu-me o contacto com centenas de trabalhos de jovens artistas, servindo para realizar e fundamentar esta selecção. Esta mostra vai permitir dar a conhecer o seu trabalho.
(...)
O João Ferro Martins criou uma série de objectos muito diferentes entre si, que têm a música como fonte inspiradora: um contrabaixo danificado, fotografias de esculturas que realiza com moldes de objectos, como por exemplo de uma flauta partida. A peça central da sua peça é um “concerto” de homenagem a Ligeti em que soam 100 despertadores durante alguns segundos, duas vezes por dia. O efeito é quase ensurdecedor."
"Pianoforte" de João Ferro Martins.

Pormenor de "Pianoforte"
(Nem na página da Gulbenkian dizem as medidas, mas posso dizer que a parte mais alta do "piano", é da minha altura, um pouco mais alto, vá...)

"Por fim, o Jorge Maciel trabalha com objectos deitados no lixo, como móveis, bicicletas ou sapatos, transformando-os em objectos artísticos. Um coreto de tamanho real feito de vários móveis é a peça central da sua instalação. O interior do coreto estará repleto de objectos retirados do lixo e reciclados, animados por mecanismos que os fazem mover de um modo surpreendente."
Um mega "coreto" que mais parecia uma casa.

(Escusado será dizer as medidas desta obra. Uma vez que tudo aqui é em tamanho real)
Pormenor do "Coreto"

http://www.gulbenkian.pt/index.php?section=8&artId=980
(É pena mostrarem só uma foto de cada obra... mas pronto. Se querem ver mais, apareçam até dia 11 de Janeiro de 2009 na Gulbenkian)
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