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22/08/2014

What we've got here is failure to communicate


E de repente os moderados é que são os maus da fita.
Obrigam-me a escolher um lado num conflito onde não há inocentes, onde não há leituras simplistas a fazer. Escolher lados numa questão que é marcadamente religiosa é aprofundar diferenças e entrar em modo tribal de "nós contra vós", modelo que, como se vai vendo, não consegue mais do que incendiar os ânimos favorecendo o surgimento de actos de violência de ambos os lados.
Parece-me honesto dizer que mais facilmente escolheria Israel. Somos obrigados a escolher um Estado democrático em desfavor de um Estado terrorista, que é o que a faixa de Gaza, com o Hamas ao leme, é. Escolhidos pelo povo ou não - 44,45% dos votos -, os terroristas mandam em Gaza e, mandando, determinam a política anti-israelita (eufemismo para política de destruição do Estado de Israel) acima de todos os outros interesses, incluindo os seus próprios e os da população, ou seja, mais do que um Estado Palestino, o Hamas quer o fim do Estado Israelita e isso nota-se na forma como gere a Coisa Pública. Na realidade, todo ou quase todo o dinheiro que Gaza recebe - até mesmo o que o Ronaldo enviou para a construção de escolas e hospitais - é invariavelmente desviado para a máquina de guerra terrorista, seja na forma dos famosos túneis ou das armas que recebem (via esses mesmos túneis) e pouco ou nenhum dinheiro é utilizado na organização social, política e jurídica do país. Ao contrário, Israel é um país democrático, uma república parlamentar no médio oriente (!?), considerado pelas organizações mundiais como um país desenvolvido. Seria importante que os humanistas de algibeira  que tanto criticam Israel retivessem isto. Israel tem o direito de se defender e é isso que tem feito (e bem) ao longo de muito tempo, mostrando uma maior preocupação com os interesses dos seus cidadãos. Há, portanto, uma diferença moral inegável entre os dois lados. E é precisamente aqui que começam a surgir as dúvidas em relação ao comportamento de Israel, pois se há essa diferença moral relevante, Israel não se pode dar ao luxo de fazer aos palestinianos o mesmo que critica no Hamas. É certo que o Hamas usa a população como escudo e arma, que provoca o conflito, deturpa as informações, a comunicação e as imagens e que depois recorre à vitimização, apelando à misericórdia internacional, mas também é verdade que o povo palestino tem legítimas aspirações, aspirações essas consagradas nas mesmas resoluções que originaram a criação do Estado de Israel, aspirações que vão desde o desbloqueio de Gaza e desocupação da Cisjordânia ao acesso a recursos essenciais. E Israel não pode esquecer isto quando bombardeia  pouco discriminadamente Gaza porque isso faz com que perca a opinião pública internacional que tende a imortalizar os atentados contra inocentes e não pode também e sobretudo porque não funciona. Sublinhe-se esta última parte. Poderá até funcionar a curto prazo e brevemente, perante o esmagamento quase total do Hamas e de Gaza, mas nunca funcionará a longo prazo e bastará que passem uns meses para os ataques recomeçarem, no mesmo formato ou noutro, num ciclo de vingança pelos mortos do conflito anterior que se repete ad eternum. Exige-se a Israel e aos indefectíveis do seu lado que assumam isso, que assumam que há inocentes genuínos para além das mulheres e crianças com armas, que há palestinianos de Gaza que não apoiam o Hamas nem o terrorismo e que só querem viver em paz e que assumam que acreditam tanto nisso como acreditam que do seu lado há Judeus extremistas que constroem colonatos como estratégia de anexação na Cisjordânia. E assumindo isso é mais fácil ver que a solução passa pela pela negociação quase burocrata das questões que os separam. Claro que não é fácil. Por um lado, os muçulmanos moderados não abundam e a sua doutrina de conquista e expansão não facilita um entendimento, mas basta olhar para a história das religiões para vermos que também o judaísmo evoluiu da ortodoxia para uma vertente mais cultural ou espiritual, se quisermos. Só assim virá a desmilitarização de gaza, o fim do Hamas e a co-habitação, tal como sucedeu com os egípcios e os jordanos, porque, convenhamos, ambos os povos derramaram demasiado sangue para abdicarem daquela terra e, independentemente da racionalização possível sobre quem chegou primeiro ou quem tem mais direitos para lá estar, a terra pertence-lhes.
Por tudo isto e muito mais, talvez não seja preciso escolher um lado. A paz não é uma ponte que se percorre de um lado para o outro mas sim uma ponte que se constrói. De facto, se olharmos para o que está em causa e se formos democratas, não ligarmos às tretas religiosas e se apoiarmos uma solução de dois estados, formos contra o Hamas, contra os colonatos e a ocupação, então, até podemos ser dos dois lados.

Guns N' Roses - Civil War

13/02/2012

Uma grande anedota

- "I have one joke about God. I'd like to try it on you."
- "Go for it!"
 - "OK. So a guy commits suicide. And he goes to heaven, ok? And he gets to heaven. And God greets him there, and the guy said, «I'm so surprised I'm here. First of all, I thought there was no God. Second of all, I thought if you killed yourself, you know, you were damned forever.» God said, «You know, that's a complicated issue. Everybody at least thinks about ending it, you know, killing themselves at some point.» And God says, «Even I've thought of it.» The guy said, «Can I ask, why didn't you do it?» And God said, «What if this is all there is?»


No vídeo (que vale a pena ver na íntegra) a anedota começa ao minuto 5:10.

14/11/2011

Voar

Num tempo em que duvidamos de tudo, importa não esquecermos do que somos capazes de fazer.



Há mais vídeos, nomeadamente este, em que ele passa junto a uma montanha através de uma catarata, e este, a sua última proeza, em que atravessa uma gruta numa montanha na China. Espectacular.

10/11/2011

Toda a gente deveria ter cancro

Toda a gente devia estar perto de morrer. Claro que depois tinham de sobreviver, senão não adiantava de muito, mas estar perto da própria morte sem ser por uma conceptualização longínqua que normalmente acontece aos outros, de certeza que seria recompensador para muita gente. Muitos continuariam a ser as mesmas bestas, mas de certeza que haveria mais pessoas... melhores pessoas. Este senhor que fala aqui em baixo é uma dessas pessoas melhores do que a maioria. Vejam tudo que vale a pena e lembrem-se que ele é uma pessoa normal, como qualquer um de nós, com a sua família, amigos, mas com um cancro incurável, numa corrida contra o tempo e todas as paredes de tijolo,para realizar todos os seus sonhos de infância.



Para o desafio de Novembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Sonhos".

18/10/2011

Prisão austríaca de 5 estrelas

(como visto no blog)


"
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The Apple Store in Vienna A prison in Styria, Austria. (More pics)

If you look at these figures comparing crime in Austria and crime in the U.S. you’ll notice something odd: although the U.S. has higher crime rates in virtually every category (murder, forcible rape, robbery, aggravated assault, etc…) the Austrians triumph in one category: burglary. But why? Why is the rate of burglaries in Austria a whopping 40% higher than in the U.S.? I’ll tell you why: because Austrian minimum security prisons are fucking awesome! If you’re in Austria, and have a working brain, you should be trying to get into one right now!

* * *

austrian-cell.jpg
Commit the right crime, and this could be your cell!

Hell, I live just a few kilometers from the border and I’m seriously considering heading over there this weekend and doing some serious damage. What’s the worst that can happen? Either I come back with a new kick-ass flat-screen television or they send me to some place like the Justice Center Leoben and I get a few months of all-inclusive paid vacation. It’s win-win!

* * *

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Fun games of ping-pong help show you the error of your ways.

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Indoor soccer teaches you that what you did was wrong because it’s likeagainst society.

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No costly, monthly membership fees for you at this glorious gym! Feel the burn! Rrrrr!

* * *

I know what you’re thinking. You’re thinking: “Michael, you’ve made a pretty convincing argument so far and, truth be told, I wouldn’t mind hurting an Austrian or two and maybe picking up some new Bose speakers in the process. But what about the fact that you’re restricted in prison? Aren’t you isolated from your loved ones there? That doesn’t sound like fun.”

Well, verily I say unto you: “Guenther (if your name is Guenther — otherwise substitute your own name instead) Austria’s enlightened prison authorities fully understand your concerns and they’re ready to help. That’s why they’ve set up some awesomely comfortable rooms for your conjugal visits.”

* * *

conjugal.jpg
Aw, hell yeah!

You see? What kind of five-star prison wouldn’t have a love shack, baby? And afterwards, keep in mind that there’s no time for fighting or arguing or anything. Your partner goes home and you retire to your balcony to rest and reflect on your long day of ping-ponging and ding-donging.

* * *

reflect.jpg
Life can be cruel to people who aren’t in Austrian prisons.

By now you’re probably saying to yourself: “Well, Michael, I’ve got my ski mask on, my crowbar in hand and I’m ready to roll — are you sure there are no downsides to this place?”

And to that I’m afraid I have to say that, yes, Guenther there are. There’s always a catch to everything, isn’t there? For Leoben it’s this: you’ll probably have to spend a lot of time with an AustrianSozialpädagogin (literally: “one who doesn’t know shit from shinola“) and you’ll have to do a lot of reflecting and do stuff like write poems about why you took that dude’s rolex. You’ll also be exposed to the word “auseinandersetzen
(to “confront” or “deal” with an issue) thousands of times. Like in some Stalinist show trial, you’ll have to admit that the reasons you stole that kid’s Playstation are: your sense of alienation from modern life, an unsupportive family structure, an unclear concept of right and wrong, Austrian society in general, and the moviePirates of the Caribbean 2 in particular.

Ugh. Now that I think about it, it’s actually not worth it. And even if you’d like to go, the place is booked to capacity: 205 “prisoners” at the moment. It’s probably harder to get into this place than it is for a woman to join the Vienna Philharmonic.

Still, if you have to go to prison — choose Austria!

UPDATE: Welcome, kottke.org readers! If any of you are planning a pan-Austrian crime spree this summer, let me know because I’d love to come visit you at this place. (Not a conjugal visit, though. Just to see it from the inside.)"



11/09/2011

I went to brush something off my cheek and it was the floor*

Talvez seja necessário bater no fundo quando se está a chegar ao fundo. O fundo pode ser um catalisador de uma recuperação em grande. Há qualquer coisa de reconfortante na constatação de que nada pode ficar pior do que está e isso alarga os nossos horizontes. Só quando sacudimos o pó e olhamos à volta é que tomamos o assunto nas nossas mãos e fazemos alguma coisa para sair do buraco onde nos metemos, procurando as melhores possibilidades, arranjando soluções, descobrindo caminhos e atalhos que nos levem de novo ao cimo e à luz. Muita gente é ajudada quando está à beira do fundo e nunca chega a esse fundo regenerador, na realidade, cada vez é mais difícil bater no fundo, porque numa sociedade tão bem inter-ligada através de meios de assistência e comunicação omnipresentes, qualquer pessoa que não nos conhece para além do que superficialmente mostramos através de letras e imagens num ecrã está disposta para uma palavra de ânimo, para uma mãozinha que nos segura e apoia antes de cairmos. A pena, a caridade influem negativamente nas pessoas na medida em que as acomodam à vida que levam, habituando-as a uma sobrevivência pacífica na dependência, à estagnação na miséria, a deixarem-se estar. Mas a revolta é precisa, a indignação é precisa e estarmos fartos de algo é o primeiro passo para mudarmos. Muita gente emigrou, acabou relações, despediu-se do emprego, deixou algum vício [ou até entrou em incumprimento, se levarmos a coisa para a escala macro-económica. Avé Islândia], porque não havia outra solução, seja porque foram encostados à parede por familiares ou amigos, por uma condição médica, o que seja! Ou até simplesmente porque interiormente essa situação atingiu níveis de insustentabilidade insuportáveis.
Às vezes o nosso caminho passa por buracos, uns mais fundos outros menos, mas só atravessando esses buracos nós mesmos podemos seguir em frente.

Alice In CHains - Down in a Hole


Reaproveitado para o desafio de Janeiro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Metamorfose

*A citação foi ouvida e vista no programa No Resevations de Anthony Bourdain. O Google diz-me que o seu autor é Raymond Chandler. Numa tradução livre, quererá dizer algo como "ia para sacudir alguma coisa da minha face e era o chão."

08/09/2011

A necessidade de ocupar o cérebro ou tudo aquilo que fazemos para agradar às mulheres

Procuramos durante toda a vida manter o cérebro ocupado, mesmo que o façamos sem saber. É impossível vivermos sem fazermos nada, é impossível existir alguém que consiga estar meros minutos sem fazer nada e é por isso que existem televisões nos quartos e livros nas cabeceiras das camas… e é por isso que procuramos constantemente alguém com quem compartilhar essas mesmas camas. Dêem-me alguém que esteja uma hora sentado num quarto e eu apresento-lhes um insano. Nada tão perigoso como um homem deixado a sós com os seus pensamentos. Perseguimos, queremos, desejamos milhentas coisas mas só o fazemos para saciar o nosso cérebro, acalmando-o... Amansando-o! Assim surge a música, os livros, as viagens, o desporto, a escola, o trabalho, o amor, a família, os amigos, a religião, assim surge tudo. Senão morríamos devagarinho, numa espiral de depressão impulsionada pelos nossos pensamentos avulsos que nos anularia até à morte. A vida e aquilo que se chama de felicidade faz-se da superação de etapas bem definidas que se foram cristalizando à custa dessa necessidade de ocupação, mas também se faz de experiências novas que vamos acumulando para estimular esse vórtice de sensações e reacções químicas que constituem o cérebro. É essa sede voraz que nos move, conduzindo-nos pela rotina, fazendo-nos evoluir até à superação.



P.S. - Alguns dos excertos apresentados não são reais, como por exemplo aquele em que aparece alguém a correr sobre a água, que era uma campanha de marketing, como se pode ver aqui. É impossível que algo com a massa e estrutura de uma pessoa consiga andar sobre a água... já um gato!

17/06/2011

Carreira contributiva de felicidade

As pessoas deviam ser felizes. Não sempre, ou melhor, não desde logo, não desde o início, pelo menos, porque isso era capaz de desgastar, mas como um caminho normal, como se de uma reforma se tratasse depois de uma carreira contributiva para a caixa. Claro que íamos recebendo ao longo da vida, mas quanto mais contribuíssemos, mais recebíamos. algo do género do Carma (Karma). Assim seria melhor. E eu lembro-me de pensar que era assim que as coisas funcionavam quando era novo: As pessoas ficariam inevitavelmente mais ricas e mais felizes… isso seria normal. E eu dizia muitas vezes “quando eu for rico”, como se isso fosse um dado adquirido. Mas não é certo. As pessoas não ficam inevitavelmente ricas e felizes como eu pensava. Muita gente vive uma vida inteira sem ser feliz e isso não devia ser permitido. Custa ouvir algumas pessoas no vídeo que se segue dizer que nunca foram felizes, que não se deviam ter casado, que deviam ter feito tanta coisa que ainda não fizeram quando simplesmente já não têm muito tempo. Ainda é tempo, ainda há tempo… mas pouco.



(Também custa ouvir aqueles que dizem que gostavam de ir à Lua, acrescentando de seguida que nunca foram)

07/05/2011

Um pouco de patriotismo não faz mal a ninguém. *

"Em resposta à anunciada intenção da Finlândia não alinhar no empréstimo da União Europeia a Portugal, eis um vídeo capaz de levantar o moral de qualquer português. E onde não faltam umas quantas alfinetadas aos nossos amigos finlandeses..."




* Mesmo que no final nos saiba a muito. O pessoal não está habituado...

P.S. (depois de aturada discussão noutras plataformas) - É certo que tem incorrecções, inexactidões, suposições, etc e tal, e tem alguns aspectos que podem ser conotados com uma perspectiva demagógico-nacionalista (se estiverem muito inclinados para aí. Muito inclinados, mesmo), mas é convicção dos autores deste blogue que a política tem pouco interesse no que à comédia e a vídeos engraçados diz respeito e o ponto principal a reter é esse: é um vídeo engraçado. Claro que também apreciamos o facto deste vídeo assentar em informação sobre Portugal que muita gente desconhece de facto, alguma até colocada numa perspectiva negativa, como o facto de sermos o país com mais títulos de um "desporto que não se pratica em mais lado nenhum" ou o facto de sermos o único país que nunca ganhou o festival da Eurovisão, naquilo que poderá ser visto como uma crítica às nossas próprias representações...  Mas se olharmos para este vídeo como algo simples, que alia até algum conhecimento a um fino humor - veja-se o exemplo da secção respeitante ao vinho Rosé, "We invented Rosé, we sell Rosé, we don't drink Rosé" -, ganharemos mais, até porque aprendi uma ou duas coisas que desconhecia ao ver este vídeo. A discussão relativamente ao futuro de Portugal é uma reflexão pertinente, claro, mas não é este vídeo o culpado da situação a que chegámos e os criativos que o fizeram não serão os inimigos do desenvolvimento de Portugal... mas cada um com a sua.

30/04/2011

Incendiários

Através da arte, da política, da manifestação social, da loucura, do desespero. O mais difícil é acender o rastilho.
 
(Este vídeo pode ser considerado demasiado gráfico e violento)




14/04/2011

04/04/2011

"Os cabrões lá ganharam" - Uma teoria unificadora do desportivismo

Estou em casa à espera que ninguém me incomode por causa do Porto ter ganho o campeonato. É normal. Uns ganham, outros perdem, uns vangloriam-se, outros chateiam-se, acusando os outros de não serem tão nobres quando eles são na hora da vitória. Mas não são. São todos iguais, somos todos a mesma merda de que são feitos os sonhos e os fracassos. É claro que todos achamos que somos diferentes, que somos melhores, mas tivesse eu ganho o campeonato e estaria neste momento a chatear todos os portistas que conheço, mesmo aqueles com quem não falo regularmente. Esse é o papel do adepto.
O desporto é assim: um lado ganha, outro lado perde, uns ficam contentes e os outros tristes. A nobreza na hora da derrota só existe para quem não compreende a essência do desporto. Respeito os adversários, acho que devem existir e daí faço o raciocínio que não os devo matar. Apenas isso. É tudo uma questão do que é aceitável e do que não é. Parece básico mas não será bem assim, como se viu hoje nos arredores do estádio da Luz. A verdade é que muita gente não compreende um aspecto importantíssimo do desporto: Sem adversários não há competição e sem competição não há desporto. Pode haver qualquer coisa... no circo não há adversários, por exemplo, no teatro também não, mas, havendo outras coisas, não há desporto seguramente. Muita gente tenta racionalizar a discussão clubística como se fosse possível convencer o nosso interlocutor que a nossa equipa é melhor do que a deles e aí é que está outro erro crasso. Claro que muito do que é referido como "paixão clubística" é sinónimo de ignorância, ainda assim, importa avisar que não existe nenhum caso documentado de alguém que, após ter ouvido os argumentos do seu interlocutor, tenha dito: "Realmente, estes argumentos técnicos e históricos que apresentas nesta discussão fazem sentido. O meu clube é inferior ao teu e amanhã de manhã vou rasgar o meu cartão de sócio e mudar de clube". Ninguém. Nenhuma racionalização é mais forte do que aquela assente na irracionalidade e a escolha de clube é a epítome da irracionalidade e não adianta tentarem subverter esta certeza natural, porque tal tentativa apenas conduz ao agravamento dos métodos argumentativos, isto é, à violência. A violência é apenas uma forma exagerada dessa racionalização inconsequente. Daí não fazerem sentido os debates semanais na televisão e rádio de interlocutores dos principais clubes de futebol, pois estes só alimentam e amplificam as discussões anteriormente infrutíferas e inofensivas de café, transformando-as num baluarte da razão aparente, acendendo frustrações e ódios recalcados que extravasam nos adeptos com consequências gravosas. Perguntem a algum membro das claques dos principais clubes de futebol o porquê de fazerem o que fazem e todos lhes darão alguns raciocínios (muitos fornecidos por esses comentadores de regime), uns mais lógicos, outros menos, claro, mas nenhuns suficientemente válidos para justificar as suas acções mais visíveis nesses estádios de futebol que se vão enchendo de medo e sangue. Sendo assim, importa dizer aos eternos idiotas que agridem, atiram objectos, insultam e que promovem a violência em geral que o desporto é o que acontece lá dentro do campo, com casos, injustiças, suor, lágrimas, risos, derrotas e vitórias características do próprio jogo e que nada do que acontece lá dentro pode ou deve ser alterado por aquilo que alguém faz cá fora.
Deixem o deporto, com a glória e o insucesso, para os desportistas e a alegria a a tristeza, com bocas, piadas, até insultos como os que titulam este texto, mas sem violência, para os adeptos.

(João Freire)

Faith No More - Ricochet

"It's always funny until someone gets hurt and then it's just hilarious!"

19/03/2011

Lições de vida por sociopatas eruditos e taxistas revoltados

Cena do filme "Collateral"



Audioslave- Shadow of the Sun





(Com legendagem, a pedido de várias famílias)

11/03/2011

Revolucionários reaccionários

Faz-me muita confusão Irrita-me que apareçam cada vez mais vozes contra a manifestação de dia 12. Não me estranha que haja gente contra, porque uma pessoa vai aprendendo ao longo da vida que há gente para tudo, mas, concorde-se ou não com a manifestação, não se pode certamente fazer dela aquilo que ela não é, ou seja, uma manifestação de uma geração contra as outras gerações. Poderá discutir-se isso, eu tenho argumentos importantes nessa discussão, mas que toda a gente perceba que isso não é o que interessa discutir agora.
Tem-se assistido nos últimos dias a vários debates sobre a manifestação e em todos eles relevaram, não o estado do país nem a questão dos recibos verdes ou as possíveis soluções para alguns desses males que afectam, maioritariamente, os jovens, e também os outros cidadãos, numa transversalidade geracional que deveria envergonhar toda a gente, mas sim o escalonamento do sofrimento por geração ao longo dos diferentes períodos históricos que vão desde o passado vivo mais longínquo ao presente."Quem sofre(u) mais?" Perguntam os vários analistas e comentadores, baseando-se nos dados mais irrefutáveis. Não respondem, concordando no entanto que, seja a geração que for, não será certamente a geração dos 30.
E o que se pode dizer a isto?
Têm razão. Podemos dizer que sim, que provavelmente têm razão e que não é a geração dos 30 que está "mais" à rasca. E depois podemos perguntar o que é que isso interessa? O que visam conseguir com esta contra-manifestação? Se são os velhos sem pensões ou com pensões tão baixas que têm de andar no meio do lixo à procura de comida que estão à rasca ou se são os nossos pais e tios de 40/50/60 anos "muito jovens para a reforma, muito velhos para aprender um novo ofício", concordaremos que mais do que uma questão geracional é uma questão nacional, e, sendo assim, não deveriam também eles juntar-se à manifestação?
A sério que não percebo esta corrente reaccionária que vem desde o Marcelo Rebelo de Sousa, passando pelo Miguel Sousa Tavares, até à Constança Cunha e Sá, sem esquecer os jornalistas que se desviam do que é essencial e que não fazem as perguntas difíceis, todos eles contestatários do Governo, e que vêm agora reagir contra quem quer fazer alguma coisa ao nível dessa contestação.
O nome da manifestação não será o mais correcto, por ventura. Concordo plenamente, mas há que convir que foi meia dúzia de pessoas a tomar o primeiro passo e a fazer alguma coisa para que a situação mude, independentemente da sua capacidade de Marketing e mobilização. Campanhas apelativas e demagógicas, que apelam a tudo e todos, são feitas pelos partidos (veja-se o caso do Tea Party, nos Estados Unidos), mas será isso o mais desejável? É isso que querem? Para quê discutir miudices quando se pode aproveitar este movimento para discutir coisas importantes. Quem faz birra afinal? Onde está o mal de haver uma manifestação de pessoas insatisfeitas que querem pedir aos governantes que trabalhem mais e melhor, que querem apresentar soluções, que querem dizer para contar com eles? Haverá mal algum em pressionar o governo para que tome medidas, mesmo que se facilite o despedimento dos célebres "in" do sistema contratual, para acabar com os recibos verdes dos que estão "out"? Haverá mal algum se as pessoas exigirem, como se vê na Suíça, um tecto nas reformas e nos salários de toda a gente e das empresas públicas, a fim de aumentar as pensões mais baixas, por exemplo? Haverá mal na sugestão do fim das empresas municipais que sugam dinheiro e contraem empréstimos a fim de esconderem as dívidas municipais, para aumentarem os sacos coloridos que escondem e dividem entre amigos? Eu acho que não, mas há pessoas, muitas pessoas, infelizmente, que continuam a ver o desenvolvimento social de um país ao nível do poder conquistado e não do partilhado. Ou se manifestam contra o que está mal e apresentam soluções ou acham que está tudo bem, mas não critiquem quem está a fazer alguma coisa POR SI E PELO PAÍS só porque não gostam da retórica ou dos cartazes quando cada vez mais se assistem a episódios, que são sintomas de quebras sociais que tendem a agravar-se e a fazer ruir o espírito social e comunitário de um país com consequências imprevisíveis.
E porque não sair agora e aproveitar para ajudar a contestar, surgindo com ideias, apoiando as dos outros, criticando as ideais erradas, quase como se se tratasse de um amigo bêbado que vai para a pancada, e ajudar nos protestos e ajudar o amigo bêbado que apesar de trôpego, tem alguma razão? E afinal, quem estará a fazer uma birra?

(João Freire)



P.S. - Post baseado num comentário a um post, com um texto que anda a circular na net, num blogue que sigo e do qual gosto.

09/03/2011

Uma perspectiva diferente

 

Aquilo somos nós. Ali se encontram todas as pessoas que conhecemos, todos os locais que visitámos e tudo o que aprendemos ao longo do caminho. As memórias de infância, os sorrisos e as lágrimas, os beijos e os pontapés no cú, tudo o que nós somos e sonhamos ser, as nossas crenças e o conhecimento que adquirimos, as virtudes e os defeitos. Ali está a vida, a sua biologia, química e física, a essência e a consciência - algumas vezes inflamada outras vezes oprimida - do que somos, mas sempre essa presença da nossa própria importância que nos enche e nos distancia de tudo e todos os que nos rodeiam, uma força criadora e altamente destruidora, o potencial e a frustração, a arte e a guerra. Dali não saímos. Aquilo também é a nossa alma, o nosso Deus e o céu. Aquele é o nosso tempo. Ali nascemos, ali vivemos e ali inevitavelmente morremos.

(João Freire)

Cinematic Orchestra - To Build a Home


P.S. - Inspirado numa outra perspectiva de Carl Sagan.

01/03/2011

Dos parvos e parvas ao risco de dispersão

Haverá parvos que estudaram e são escravos? Claro que sim. Haverá parvos a escrever para o Destak? Claro que sim. O bom da parvoíce é o seu pendor democrático e maleável. Cabe em todo o lado, ataca todo o tipo de gente, e não é raro ver pessoas sãs a tomar atitudes parvas. Não são parvas mas fazem parvoíces. Claro que a linha entre uma deontologia e ontologia da parvoíce é ténue e por vezes indecifrável, mas quero acreditar sinceramente que no caso do editorial da Isabel Stilwell foi apenas um texto parvo. É a generalização que me custa e eu que estudei a ciência da generalização importo-me com esse aspecto, pois quando se diz que “se estudaram e são escravos, são parvos de facto”, está-se a colocar toda a gente que estudou e se encontra em precariedade no mesmo saco, desde logo os parvos, que existirão também, e os outros que, tendo gasto “o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar”, aprenderam muita coisa mas não conseguem entrar no mercado de trabalho, por muito que procurem. Claro que não são escravos no sentido literal da palavra, nem sequer estão queimados do sol, pois trabalham, não andam de tanga, recebem algum dinheiro e até têm alguns luxos, como o direito à manifestação e à Internet, e perdoe-se os jovens e os “Deolinda” que a conduziram ao engano do sentido da palavra escravo. Terão utilizado uma palavra exagerada para designar uma preocupação que não tem nada de exagero. A verdade é que muita gente estudou o caparro durante anos, pensando que essa via podia permitir-lhe uma vida melhor, para no fim descobrir que essa vida não chegaria tão facilmente. E ninguém compreendia esse facto. O aumento exponencial de licenciados contrapunha-se a um tempo não muito longínquo em que todos os Doutores se empregavam ao sair das Universidades. Esse é que era o tempo dos verdadeiros Doutores, que ainda hoje utilizam esse vocábulo como nome próprio. Agora, mesmo procurando, indo a consecutivas entrevistas, chorando, lutando, arranjando outros trabalhos, consegue-se, mas demora mais tempo, custa mais e recebe-se menos, ao abrigo de contratos que não oferecem regalias nenhumas, mantendo os Licenciados à tangente do mercado de trabalho real. Mas não se pense que é só a precariedade ou uma dor de crescimento dos jovens, que são os jovens a lutar por si. Não, a ferida vai mais fundo. É certo que é um movimento propulsionado pelos jovens, um movimento que nasce na comunicação entre os jovens, mas é um movimento de partilha, de partilha de histórias de indignação que afectam a todos, das crianças aos velhos, um movimento que comunga da constatação de que caminhamos para algo pior e de que é preciso fazer algo quanto antes. Assim nasce uma manifestação. Mas o que farão os jovens, perguntar-lhes-ão debaixo dos holofotes, debaixo de sorrisos, enquanto os vêem a gaguejar com os cartazes na mão cheios de reivindicações avulsas. E a resposta terá de ser: nada! Não temos de fazer nada, ninguém, para além dos políticos, tem de fazer nada, para isso os elegemos. Podemos ajudar, podemos discutir soluções e levá-las ao conhecimento de quem de direito, podemos continuar a trabalhar para aumentar a produtividade do país, mesmo naqueles empregos de merda que nos sufocam, mas nós não temos de governar. Há no entanto algo que podemos fazer e esse terá de ser o objectivo da manifestação que se avizinha. Há que mostrar que há muita coisa mal, que ninguém está satisfeito e que eles têm de governar melhor, e é esse o único “basta” que pode ser gritado dia 12, lembrando-lhes que têm de governar para o povo e não apesar do povo. A verdade é que a democracia, nos moldes em que se tem apresentado em Portugal, não tem funcionado (basta ver uma discussão parlamentar para perceber isso). Todos nós estamos habituados a trabalhar com pessoas de quem não gostamos, debaixo de ideias que não defendemos, mas todos fazemos o nosso trabalho, trabalhando para o sucesso da nossa organização e da tarefa que temos em mãos. Mas na política isso não acontece. Não há clareza, não há rumo, não há transparência e não há seguramente um compromisso político pelo bem comum. O poder, mais do que uma ferramenta, é o objectivo – é essa a ideia que passa para os cidadãos – e, quando se alcança, o poder não se usa em favor do bem comum, mas apenas e só em favor… E isso é que tem de acabar, é isso que basta e é esse grito que importará fazer dia 12..


(João Freire)

15/02/2011

A loucura dos loucos



A loucura de que os loucos falam não é a mesma de que outros falam habitualmente. A loucura de que eles falam nem se fala, propriamente… sente-se. Nós, os que não somos loucos, falamos de uma loucura saudável, que nos influencia, mas não nos controla, mas a loucura não é nada disso. A loucura é um peso que esmaga e atemoriza através de um ruído, uma imagem ou um toque, é uma confusão constante impregnada de medo, um ímpeto descontrolado que nos leva ao nosso pior, é o não saber, não querer e não se importar... é o não sentir, sentindo tudo. É a dor. Só anseia pela loucura quem nunca a experimentou e essa é a nossa loucura.


Right Where It Belongs - Nine Inch Nails


Para o tema de Fevereiro de 2011, Loucura, num desafio da "Fábrica de Letras".

12/02/2011

Mind The (generation) Gap - Uma revolução diferente

Houve um tempo em que o sistema educativo de Portugal funcionava, um tempo em que as crianças aprendiam na escola a identificar os rios todos de Portugal de Norte ao sul, da nascente à foz - contando com os afluentes, claro -, assim como os nomes das províncias de aquém e de além-mar e sabiam a tabuada de trás para a frente e de frente para trás, de cor e salteado.
Uma quarta classe bem tirada nesse tempo equivaleria hoje a uma licenciatura.
Era um país melhor, num tempo melhor, com gente melhor lá dentro, com trabalho, saúde e dinheiro.
Tretas!
Foi nessa altura que nascemos.
Esse mundo era o nosso país, orgulhosamente fechado, onde tudo era produzido e tudo era consumido, onde todos os que arranjavam trabalho, de aprendizes a mestres, garantiam um emprego para a vida, com direitos e regalias, uma família, um carro e uma casa.
Com a liberdade, um estado social ao nível dos melhores, e Portugal na bolina rumo ao desenvolvimento.
Tínhamos tudo à mão de semear, uma mão beijada, sem trabalho nem esforço e tudo graças a essas gerações que tinham combatido lá fora e cá dentro por nós, seus filhos e netos, e pela liberdade e prosperidade de Portugal. E nós, esses mesmos filhos e netos, não lhes dávamos o devido valor. Não sabíamos nada, diziam. Crescemos em Portugal com esse estigma, mas apenas estávamos desinteressados. Estudámos até tarde sem nos preocuparmos em ter um trabalho aos 20 e uma família constituída aos 30, ouvíamos música e saíamos à noite com os amigos, a geração dos doutores e engenheiros que não sabia o que era a vida real.
Entretanto o mundo real transformava-se e Portugal acompanhava essa transformação. A adesão à CEE, os fundos europeus, a moeda única, o mercado global, um castelo de cartas apoiado em nada que viria a desmoronar-se.
A geração que conquistara tanta coisa perdera tudo. A escola que os ensinara tão bem não os preparara para este novo mundo para lá de Vilar-Formoso, cheio de tecnologia e informação, o trabalho que tanto cultivaram era deslocado para um país longínquo e a vida que planearam desde a infância fugia-lhes debaixo dos pés para nunca mais voltar.
Os jovens por outro lado habituavam-se facilmente a este novo mundo de telemóveis, Internet e recibos verdes (a precariedade sempre fizera parte da vida profissional deles). Os novos trabalhos pareciam feitos à medida deles.
Uma geração de Doutores e Engenheiros a trabalhar no atendimento ao cliente, a servir mesas, a distribuir panfletos nas caixas de correio, a vender de porta-a-porta, até a trabalhar na agricultura! E sempre a precariedade.
Os mais velhos, incapazes de lutar neste novo mundo que lhes fugiu ao controlo, demasiado velhos para trabalhar e ainda longe da idade da reforma, olham agora para os seus direitos adquiridos com alívio, reformando-se mais cedo, afundando ainda mais o sistema que conduziram desde o seu apogeu à falência, à custa de uma geração cheia de deveres mas que nunca terá os mesmos direitos.
Mas há uma revolução que se avizinha. Não será a revolução de golpe-de-estado que vemos anunciada a cada dia quando sobe a gasolina ou se instalam os pórticos nas SCUT, mas uma mais importante, uma revolução moral, apolítica, assente em valores filosóficos e não económicos.
Nunca perceberam que o nosso desinteresse era condescendente.
E será esta geração, a geração que vos serve às mesas, atende os telefones e lhes vende o pacote de TV, telefone e Internet a protagonizar essa revolução, fazendo o seu trabalho, o melhor que sabe, mostrando-se preparada para fazer qualquer coisa, em qualquer lugar, em qualquer condição, ocupando passo-a-passo os lugares de poder de um mundo que já não é o país, um mundo tecnológico, interligado, que exige os mais variados conhecimentos, um mundo no qual a tabuada terá pouca importância e a nascente do rio Mondego não terá nenhuma… e fá-lo-emos muito melhor, a recibos verdes, se for preciso, para lhes pagarmos as reformas.

(João Freire)

Revolution - Jim Sturgess

03/02/2011

Coisas que vou aprendendo nestes dias

Sobre a Justiça
Os julgamentos resolvem-se sempre com uma refeição e um acordo entre a defesa e a acusação A diferença entre o sistema português e, por exemplo, o americano, é que neste último a refeição acontece antes da papelada, do tempo perdido e do dinheiro gasto.

Sobre festivais
Super Bock Super Rock (SBSR) ou Optimus Alive? Até agora, o SBSR está à frente.

Sobre o acordo ortográfico
Alguma comunicação social diz que há problemas no Egipto, outra parte diz que há problemas no Egito e há outra parte ainda que, mais precavida nestas discussões, diz que há problemas no Cairo.

Sobre o Facebook
 Tenho recebido avisos de que fui inscrito em grupos de várias pessoas, na sua maior parte grupos elogiosos, como "top" "amigos", etc. Não sabia que a constituição desses grupos era pública. Felizmente que não pus em prática a constituição dos meus grupos "amigos" e "pessoas que não interessam nem ao menino Jesus".

Sobre passeios
Já passeei com cães, já passeei com sobrinhos, mesmo bebés... mas o sorriso delas é sempre mais aberto quando nos vêem de braço dado com a avó.


No Hay Problema - Pink Martini Orchestra