Há empresas em Portugal que abusam da sua posição dominante no mercado.
Há empresas em Portugal que usam a falta de transparência como forma de negócio.
Há empresas em Portugal que preferem chupar o cliente do que fidelizá-lo.
Há muitas empresas assim em Portugal…
Há uma, por exemplo, que exerce a sua actividade na área das comunicações e que não deixa ninguém indiferente. De facto, quem não tem queixa dessa empresa portuguesa na área das comunicações? Chamemos-lhe comunicações PT para abreviar, uma vez que é uma empresa de comunicações que é de Portugal, mas podíamos chamar-lhe outros nomes. Esta empresa tem vários serviços, entre os quais o da Internet, ao qual estão acoplados várias características e respectivos preços. Assinar é fácil, não custa nem demora mais do que um telefonema. Apenas temos de esperar uns dias e depois é sempre a assapar, como dizíamos na escola quando éramos novos. E é. Não é à velocidade que eles dizem e o tráfego que publicitam está sujeito a intervenções duvidosas (ficam a saber, em jeito de exemplo, que, apesar do serviço que dispomos ser dos mais baratos do pacote, podemos activar o tráfego internacional por apenas um acrescento de uma módica quantia à nossa factura mensal, mas depois quando queremos desactivar essa opção ela não existe. Activar? “Muito bem, clique aqui”. Desactivar? “Ah, não. Isso é preciso telefonar e não sei ao certo se não terá de mandar todos os seus dados pessoais e os do seu gato, uma vez que me disse que tinha um gato – aliás, não me disse, mas eu ouvi-o a miar num dos seus telefonemas e, como sabe, quando tem um gato, tem de enviar todos os dados para a comunicações PT”). Mas é, apesar de tudo, a assapar. O problema nestas empresas, o grande problema, digamos, e na comunicações PT em especial, é mesmo quando queremos cancelar o serviço. Obviamente, porque somos pessoas informadas, consultamos a página da Internet à procura do contracto e dos assistentes visuais que nos informem sobre o que fazer. Quando encontramos, numa sub-página de uma sub-página de um link que quase não tem a ver com a empresa, é-nos dito que um simples telefonema basta. Aqui entram os telefonemas e, pasme-se, aquilo que me parece ser a maior forma de negócio da empresa, pois a chamada é a pagar e todo o enredo do telefonema é feito para nos fazer desperdiçar a maior quantidade de tempo e, logo, pagar mais por isso. Para além disso, sabendo que é a pagar, os utentes não insistem tanto nas dúvidas que têm e as acções de formação que os operadores têm ajudam a lidar com o mais resoluto dos clientes. Fazemos esse telefonema e depois de nos passarem de operador para operador dizem que assim só não dá, que fazem o cancelamento via telefone, mas que precisam dos dados do utilizador, com Bilhete de Identidade e assinatura e só depois de receberem os dados é que podem iniciar o processo de cancelamento que demora 20 dias. Ou seja, é preciso fazer dois cancelamentos. Dirigimo-nos à loja onde pagamos as nossas contas de Internet e dizem o mesmo, que é preciso enviar! Tenho a impressão de que se fosse á sede me diziam o mesmo. Depois mandamos tudo o que pedem, e como pensamos que somos pessoas informadas, até mandamos tudo na forma de uma carta registada com aviso de recepção. Uma semana e meia depois recebemos uma carta - li num fórum da Internet que acontece sempre isto com esta empresa -, e nessa carta diz que falta um documento e que só quando mandar esse documento é que podem iniciar novamente o processo de cancelamento do serviço, ou seja, mais vinte dias. Verdade seja dita que desta vez até facilitam e o envio pode ser feito via fax. Depois, mas neste caso acho que fui só eu, ainda recebi uma mensagem a dizer que “conforme o pedido, o serviço [nome de um anfíbio verde de pequenas dimensões] ADSL iria continuar activo"!
Há empresas que preferem lidar com os clientes como se fossem chulos ou vendedores de Crack e para esses há várias soluções. Que publicidade esperam eles que eu faça do seu serviço? Não saberão eles que há outros vendedores de droga ou que até poderei deixar o vício? Não adianta por isso utilizarem nomes de animais ou de pronomes ou de outra coisa qualquer nos vossos produtos, para esconder a verdade do monstro que está por trás a mexer os cordelinhos, porque toda a gente sabe quem são e a longo prazo são vocês que perdem mais ou, numa linguagem que vocês entendem, que ganham menos.
Há empresas que nunca aprendem.
(João Freire)
*o aroma é cheiro a merd@
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