D. Misérias
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Um dia bate-nos à porta tudo o que fizemos. Acredito que a D. Misérias
pensasse que não e por isso dedicou-se há quase 30 anos a desviar o que
pertencia à ...
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16/05/2012
Façam o que fizerem, façam-no bem.
Muita gente se aborrece com a vida, com o trabalho e as rotinas diárias, ignorando que a maior parte da nossa vida é preenchida com essa mesma vida corriqueira e, sobretudo, com as pessoas que a preenchem. Se queremos ser felizes temos de tornar esse grande bocado da nossa vida no melhor possível, dispensando talvez as fantasias que nos acenam de longe. O que estes jovens fizeram, para além do momento youtube, foi tornar o dia daquelas pessoas que estavam a ouvir um dia um bocadinho (muito) melhor. Palmas para eles.
30/08/2011
Fujam... cá para dentro.
Toda a gente gosta de ver fotografias das férias das outras pessoas. Toda a gente! Ou não...
Uma cabra.

Um jardim.

Uma tentativa de suicídio com mortal encarpado à retaguarda

A foto da praxe!

Um calhau.

Dois calhaus.

Calhaus organizados de forma a impressionar uma mulher.

... um calhau voador, vá.

Um buraco de onde extraem calhaus.

Uma paragem para descansar e uma vaca.

Sumo de lima... ou algo com lima.

Uma estrada ladeada de flores.

Um cão a guardar uma praça.

Montras em Braga... ou Barga.

Uma nuvem esquisita.

Um pterodáctilo.

Mais calhaus.

Água fria.

Um calhau congelado... e com dor de cabeça.

Uma cadela a sacudir a água.

Casal romântico em plena observação de baleias ao largo dos Açores.

Amigos... mais ou menos.

Um chapéu.

The Naked And Famous - Young Blood
Para o desafio de Agosto da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Fugir".
P.S. - Convém dizer que o mérito das fotos é repartido por Bruno Carvalho (Deco), Luis Filipe (Hulk), Ricardo Dias (Ricardinho) e Inês Vilela, sem alcunha, porque as gajas nunca têm.
Uma cabra.
Um jardim.
Uma tentativa de suicídio com mortal encarpado à retaguarda
A foto da praxe!
Um calhau.

Dois calhaus.
Calhaus organizados de forma a impressionar uma mulher.
... um calhau voador, vá.
Um buraco de onde extraem calhaus.

Uma paragem para descansar e uma vaca.

Sumo de lima... ou algo com lima.
Uma estrada ladeada de flores.

Um cão a guardar uma praça.

Montras em Braga... ou Barga.

Uma nuvem esquisita.
Um pterodáctilo.

Mais calhaus.

Água fria.

Um calhau congelado... e com dor de cabeça.

Uma cadela a sacudir a água.
Casal romântico em plena observação de baleias ao largo dos Açores.
Amigos... mais ou menos.
Um chapéu.
The Naked And Famous - Young Blood
Para o desafio de Agosto da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Fugir".
P.S. - Convém dizer que o mérito das fotos é repartido por Bruno Carvalho (Deco), Luis Filipe (Hulk), Ricardo Dias (Ricardinho) e Inês Vilela, sem alcunha, porque as gajas nunca têm.
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09/06/2010
A importância de (não) correr atrás de algo até à exaustão
Não gosto de jogos. Não quero dizer que não os faça – às vezes é impossível – mas não gosto da forma como me sinto quando entro neles. Talvez por isso, por efectivar esse meu desdém em relação às matérias de jogo onde ele não deva existir, deixei de correr atrás de algumas coisas. O amor não é um jogo, a amizade não é um jogo, a confiança nunca pode ser um jogo. Numa corrida há sempre alguém que não quer ser alcançado e só aí é legítimo tentarmos contrariar essa vontade de fuga perseguindo esse alguém até à exaustão*. Todas as outras corridas são insensatas, todos os outros jogos são desnecessários. Para quê jogar quando algo vale a pena. Às vezes um não é apenas um não e ninguém deve desprezar a bondade por trás de uma palavra que aparenta tanto negativismo. A sinceridade, por vezes também sobrevalorizada, magoa, mas é bem melhor do que o engano. Não há nada de positivo no engano. O engano retarda o sofrimento, abrindo lugar a expectativas e ilusões que mais tarde ou mais cedo se desvanecem, deixando um vazio denso que nos corrói de dentro para fora. A bola não anda de um lado para o outro quando um lado permanece quieto. E apesar de todo o sofrimento, a verdade é que mesmo quem desdenha o jogo sente falta do arremesso, seja porque o espera ou porque está habituado a ele, mas todos os jogos têm um fim e, apesar das atribulações e peripécias que lhe são características, há sempre um alívio regenerador no fim.
(João Freire)
*The Crawl
Para o tema "Estava vazio.." num desafio da "Fábrica de Letras".
(João Freire)
*The Crawl
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um lado cada vez menos amargo,
vale a pena ver
24/02/2010
Selos
Este selo é embaraçoso, Mary, mas aceito-o como prova de algum apreço que sentes por mim e que muito me alegra, mas avisando-te que só aceito uma coisa tão embaraçosa porque foste tu, o que responde ao teu apreço demonstrando o meu apreço por ti. Que feitio! Até no apreço tenho de responder!
Dizer uma coisa que gosto em mim? É difícil dizer só uma, porque há tanta coisa em que sou excepcional, algumas dessas coisas, como a beleza, pelas quais nem tenho grande responsabilidade, mas tendo em conta as limitações a que me sujeitaram e só podendo escolher uma... terei de escolher a humildade.
Dizer uma coisa que gosto do blogue que me ofereceu o selo? Este selo, que não é tão embaraçoso como o outro, mas que para lá caminha, foi-me oferecido pela Mary e pelo Pete, pelo que terei de dizer algo para cada um.
Sendo assim, gosto do blogue da Mary, porque ela parece ser boa pessoa, escreve bem e gosta de discutir comigo. Sobre o blogue do Pete, que não conheço, dá para ver que tem o mesmo interesse por videojogos que a minha irmã (ver barra lateral no blogue dela) e que é seguramente boa pessoa, porque justificou a escolha do meu blogue para o selo com a seguinte frase: "Porque é um blog com assuntos reais que nos despertam interesse."
(João Freire)
Elvis Presley/JSL - A Little Less Conversation
28/01/2010
Um pouco de cor
O seu cabelo vermelho destoava no meio da cinzenta rotina citadina, tornando-a visível aos sorrisos de alguns e aos olhares abertos de suspeição de outros. Ela seguia em frente, sorrindo sem o mostrar, reparando nos outros, nos que olhavam para si e nos que olhavam o chão, notando que poucos levantavam a cabeça, procurando algo... sempre à procura.
(Que procuras?).
Não sabia o que procurava. Tinha um sonho que a envergonhava.
- Desiste.
E dúvidas
- Desiste!
Muitas dúvidas, que, por sua vez, a enraiveciam.
Decidiu tirar uns dias. Pediu ao marido que a ajudasse. Ao menos ele nunca lhe tinha dito...
- Desiste.
Ainda que não dissesse nada de todo.
Ele ficaria com as crianças, sem perguntar nada - até porque era só um fim de semana - e ela voltaria Domingo à noite.
Pegou nos sacos, despediu-se dele enquanto as crianças dormiam e saiu.
Não passou da porta. Não havia nada para decidir. Tudo estava decidido há muito tempo.
- Está decidido.
Há dias em que nada acontece e nada do que possamos fazer consegue contrariar essa vontade superior. Dias que se transformam em semanas, meses e anos… uma vida de possibilidades, uma vida com mais perguntas do que respostas, mas uma vida apesar de tudo, uma vida com tudo lá dentro, de bom e mau, na esquizofrenia tão característica da natureza humana. Só o que falta conta. O fim é a marca do que fomos e pouco há para além do que é esperado de nós pela nossa condição. Ficam as certezas.
- Se não for uma escritora viajante, serei uma viajante que escreve, se não for uma apaixonada em viagem, serei uma viajante apaixonada, mas sempre a escrita, sempre a paixão e sempre a viagem.
(João Freire)
Reaproveitado para o desafio de Novembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Sonhos".
(Que procuras?).
Não sabia o que procurava. Tinha um sonho que a envergonhava.
- Desiste.
E dúvidas
- Desiste!
Muitas dúvidas, que, por sua vez, a enraiveciam.
Decidiu tirar uns dias. Pediu ao marido que a ajudasse. Ao menos ele nunca lhe tinha dito...
- Desiste.
Ainda que não dissesse nada de todo.
Ele ficaria com as crianças, sem perguntar nada - até porque era só um fim de semana - e ela voltaria Domingo à noite.
Pegou nos sacos, despediu-se dele enquanto as crianças dormiam e saiu.
Não passou da porta. Não havia nada para decidir. Tudo estava decidido há muito tempo.
- Está decidido.
Há dias em que nada acontece e nada do que possamos fazer consegue contrariar essa vontade superior. Dias que se transformam em semanas, meses e anos… uma vida de possibilidades, uma vida com mais perguntas do que respostas, mas uma vida apesar de tudo, uma vida com tudo lá dentro, de bom e mau, na esquizofrenia tão característica da natureza humana. Só o que falta conta. O fim é a marca do que fomos e pouco há para além do que é esperado de nós pela nossa condição. Ficam as certezas.
- Se não for uma escritora viajante, serei uma viajante que escreve, se não for uma apaixonada em viagem, serei uma viajante apaixonada, mas sempre a escrita, sempre a paixão e sempre a viagem.
Foge Foge Bandido - Ninguem é quem queria ser
(João Freire)
Reaproveitado para o desafio de Novembro da Fábrica de Letras, subordinado ao tema "Sonhos".
02/12/2009
Bife em molho de pimenta num vestido branco
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – pensou –, como reagiria ela e o seu namorado informático ao ver este molho escuro espalhado naquele vestido branco?”
Nada do que se passava àquela mesa se assemelhava ao Natal. O natal não é, ou, como ela conjurava na sua mente, “não pode ser um grupo de recém-amigos, emparelhados em casais à volta de uma mesa, para comemorar uma data que não lhes diz nada!”
Lembrava-se de um outro natal, lembrava-se dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, de berros disseminados dos pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrava-se da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
Esse é que seria o verdadeiro Natal.
Olhava em redor e via caras desconhecidas, pintadas dentro dos contornos perfeitamente delineados a negro, que se contrapunham ao brilho da fileira de dentes branca que usavam como uma figura de estilo no requintado discurso; caras resplandecentes em cima de fatos alinhavados com mestria, pretos e cinzentos, ora camisa branca, ora vestido preto, gola engomada, salto alto, bainha, botões, relógio, decote, cinto, brinco e colar, cabelo, cabelo, gel e cabelo… mais cabelo, equilíbrio e gala. E lembrava-se ao mesmo tempo das suas próprias correrias ruborizadas e ofegantes de menina, do suor na testa que molhava o cabelo, da prima desdentada que se ria em desafio, apresentando ao mundo a ridícula soma de três dentes com a idade de 9 anos, as camisas desfraldadas, mais cabelo suado, uma palma de um adulto na testa com medo da febre e mais correrias, tudo isto enquanto sorria levemente, mexendo com o garfo no seu prato molhado de grãos de pimenta.
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – tornou –, como reagiria ela e o seu namorado informático?”
Sorriu com malícia.
Reminiscência após reminiscência, evocava aqueles dias de Dezembro, podia jurar que sempre iguais, com a mãe a passar ferro, o irmão bebé a brincar com algo novo e insignificante, o outro irmão na rua a desmontar uma bicicleta nova para arranjar uma mais velha que estava pendurada na parede da garagem, o pai sempre a trabalhar, uma panela de pressão no bico maior do fogão, a missa na televisão, o lume na lareira e tudo sempre assim, porque a missa não podia nunca estar na lareira, nem a panela na televisão, da mesma forma que o seu irmão não podia manter algo novo intacto por muito tempo, a natureza das coisas, portanto! E ela a pedir à mãe para ir aos tios, que ainda faltava receber presentes, sem, no entanto dizer que ainda faltava receber presentes, mentindo-lhe que tinha uma coisa para dizer à prima, e depois nem via a prima, entregando um saco com prendas que também não via, aguando os olhos até receber o seu saco (e dos seus irmãos), com as suas prendas, e sempre uma boneca, sempre coisas para pintar e uma agenda, uma agenda que morreria com uma entrada apenas:
“19 de Fevereiro:
Hoje nevou.
Eu e os meus irmãos fomos brincar para a rua.
Foi divertido."
E sempre muitos papéis e o seu barulho.
- Mas só em casa – exclamava a tia de dedo em riste.
E só em casa é que abriam. E brincavam, riscavam, sujavam, esperavam pela neve, brincavam de novo até as rodas do carro se gastarem, o cabelo da boneca se arrancar, as folhas do bloco de desenhar se riscarem, muitas vezes sem a neve aparecer.
- E a neve sem aparecer – dizia alguém.
E continuavam, ao contrário do pai que se sentava ao lume e ria…
- É meu – dizia um.
- É meu – dizia o outro.
…E ralhava.
Eventualmente seria dela – recordava, num assomo de superioridade perante os irmãos –, mas os irmãos nunca se importam com juízos de facto no que diz respeito à posse de brinquedos.
Depois os avós, “mais uma boneca, uma nota, uma pista de carros para os dois idiotas, um par de meias” e sempre as mesmas contas de somar e subtrair, para comparar com o ano anterior.
E tudo igual.
Podia jurar que era sempre igual, que recebia sempre os mesmos presentes embrulhados no mesmo papel e que os dias eram sempre iguais e a mãe a passar a ferro, os miúdos à volta dela já com os brinquedos, o pai a trabalhar e a neve… às vezes neve, outras vezes sem neve, mas sempre igual.
E enquanto se lembrava disto começou a chorar. O seu namorado (também) informático perguntou-lhe, discretamente, o que se passava.
- Opá – disse, emocionada, para que todos a ouvissem – estava aqui a lembrar-me do Natal em minha casa quando era miúda.
E todos, sem excepção se lembraram dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, dos berros disseminados de pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrando-se também da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
- Como seria se atirasse este bife ao vestido branco da Rita?
(João Freire)
Texto subordinado ao tema "Natal" num desafio da "Fábrica de Letras".
Nada do que se passava àquela mesa se assemelhava ao Natal. O natal não é, ou, como ela conjurava na sua mente, “não pode ser um grupo de recém-amigos, emparelhados em casais à volta de uma mesa, para comemorar uma data que não lhes diz nada!”
Lembrava-se de um outro natal, lembrava-se dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, de berros disseminados dos pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrava-se da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
Esse é que seria o verdadeiro Natal.
Olhava em redor e via caras desconhecidas, pintadas dentro dos contornos perfeitamente delineados a negro, que se contrapunham ao brilho da fileira de dentes branca que usavam como uma figura de estilo no requintado discurso; caras resplandecentes em cima de fatos alinhavados com mestria, pretos e cinzentos, ora camisa branca, ora vestido preto, gola engomada, salto alto, bainha, botões, relógio, decote, cinto, brinco e colar, cabelo, cabelo, gel e cabelo… mais cabelo, equilíbrio e gala. E lembrava-se ao mesmo tempo das suas próprias correrias ruborizadas e ofegantes de menina, do suor na testa que molhava o cabelo, da prima desdentada que se ria em desafio, apresentando ao mundo a ridícula soma de três dentes com a idade de 9 anos, as camisas desfraldadas, mais cabelo suado, uma palma de um adulto na testa com medo da febre e mais correrias, tudo isto enquanto sorria levemente, mexendo com o garfo no seu prato molhado de grãos de pimenta.
“Como seria se atirasse este bife ao vestido da Rita – tornou –, como reagiria ela e o seu namorado informático?”
Sorriu com malícia.
Reminiscência após reminiscência, evocava aqueles dias de Dezembro, podia jurar que sempre iguais, com a mãe a passar ferro, o irmão bebé a brincar com algo novo e insignificante, o outro irmão na rua a desmontar uma bicicleta nova para arranjar uma mais velha que estava pendurada na parede da garagem, o pai sempre a trabalhar, uma panela de pressão no bico maior do fogão, a missa na televisão, o lume na lareira e tudo sempre assim, porque a missa não podia nunca estar na lareira, nem a panela na televisão, da mesma forma que o seu irmão não podia manter algo novo intacto por muito tempo, a natureza das coisas, portanto! E ela a pedir à mãe para ir aos tios, que ainda faltava receber presentes, sem, no entanto dizer que ainda faltava receber presentes, mentindo-lhe que tinha uma coisa para dizer à prima, e depois nem via a prima, entregando um saco com prendas que também não via, aguando os olhos até receber o seu saco (e dos seus irmãos), com as suas prendas, e sempre uma boneca, sempre coisas para pintar e uma agenda, uma agenda que morreria com uma entrada apenas:
“19 de Fevereiro:
Hoje nevou.
Eu e os meus irmãos fomos brincar para a rua.
Foi divertido."
E sempre muitos papéis e o seu barulho.
- Mas só em casa – exclamava a tia de dedo em riste.
E só em casa é que abriam. E brincavam, riscavam, sujavam, esperavam pela neve, brincavam de novo até as rodas do carro se gastarem, o cabelo da boneca se arrancar, as folhas do bloco de desenhar se riscarem, muitas vezes sem a neve aparecer.
- E a neve sem aparecer – dizia alguém.
E continuavam, ao contrário do pai que se sentava ao lume e ria…
- É meu – dizia um.
- É meu – dizia o outro.
…E ralhava.
Eventualmente seria dela – recordava, num assomo de superioridade perante os irmãos –, mas os irmãos nunca se importam com juízos de facto no que diz respeito à posse de brinquedos.
Depois os avós, “mais uma boneca, uma nota, uma pista de carros para os dois idiotas, um par de meias” e sempre as mesmas contas de somar e subtrair, para comparar com o ano anterior.
E tudo igual.
Podia jurar que era sempre igual, que recebia sempre os mesmos presentes embrulhados no mesmo papel e que os dias eram sempre iguais e a mãe a passar a ferro, os miúdos à volta dela já com os brinquedos, o pai a trabalhar e a neve… às vezes neve, outras vezes sem neve, mas sempre igual.
E enquanto se lembrava disto começou a chorar. O seu namorado (também) informático perguntou-lhe, discretamente, o que se passava.
- Opá – disse, emocionada, para que todos a ouvissem – estava aqui a lembrar-me do Natal em minha casa quando era miúda.
E todos, sem excepção se lembraram dos gritos irritantes de crianças andrajosas num jantar em que ninguém está calado, do choro gutural de um bebé privado de um brinquedo, dos berros disseminados de pais a mandar calar os filhos e dos filhos assustados, que num salto apontam culpados que não eles, lembrando-se também da comida e bebida, de gargalhadas sonoras, vidro partido de algo caro ou barato entornado de uma mesa, talvez a mesa das crianças ou não, papel de embrulho rasgado pelo chão, quedas e brinquedos partidos.
- Como seria se atirasse este bife ao vestido branco da Rita?
(João Freire)
Texto subordinado ao tema "Natal" num desafio da "Fábrica de Letras".
17/10/2009
04/09/2009
Ninguém responde não quando se pergunta se está tudo bem
Quando alguém nos diz que está triste ou, sem o dizer, nos manifesta isso mesmo de qualquer forma, não cria em nós nenhum sentimento positivo em relação a essa pessoa!
(A pena será o sentimento mais distante do amor e do respeito)
Cria, sim, um sentimento positivo em nós, que estamos melhor, que não estamos tristes, que não estamos dispostos a dizer tanto de nós para nada, que não caímos, enfim, na vergonha de nos despirmos em público.

E depois há pessoas para as quais nenhuma resposta é a correcta, pessoas para quem nada parece certo e quanto mais dizemos, mais fazemos ou escrevemos... pior é.
Quem conseguir dizer o que está certo, à pessoa certa, no momento certo, sem falar de mais ou de menos (o que seria a quantidade certa), atingirá a felicidade, ajudando a espalhá-la.
(João Freire)
(A pena será o sentimento mais distante do amor e do respeito)
Cria, sim, um sentimento positivo em nós, que estamos melhor, que não estamos tristes, que não estamos dispostos a dizer tanto de nós para nada, que não caímos, enfim, na vergonha de nos despirmos em público.

E depois há pessoas para as quais nenhuma resposta é a correcta, pessoas para quem nada parece certo e quanto mais dizemos, mais fazemos ou escrevemos... pior é.
Quem conseguir dizer o que está certo, à pessoa certa, no momento certo, sem falar de mais ou de menos (o que seria a quantidade certa), atingirá a felicidade, ajudando a espalhá-la.
(João Freire)
19/07/2009
Não leia livros de auto-ajuda... e outros conselhos avulsos
Concentre-se, choque, dê nas vistas, destaque-se, endireite-se, estabeleça contacto visual, não diga sim muito rápido, não mostre tudo, invista tempo, seja original inteligente e engraçado, vista-se de acordo com a ocasião (bem, mas não demasiado), não faça dramas, lide com a adversidade, pense no que é importante, sorria.
(João Freire)
(João Freire)
28/04/2009
"Eles andem aí!"
Levibora - baixo
Mané Piton - outras vozes, sons, orgão, palminhas, e outras coisas
Toninho Cascavel - guitarra
João Jibóia - voz, sons e coisas electrónicas
Lauro Cobra d'Água - voz, dança e saltos mortais
juntos, formam o Agrupamento Musical Lauro Palma e aqui deixo algumas das suas pérolas.
uma mosca sem valor (poema de António Aleixo)
famel
ao vivo e a cores, este sábado no bairro alto, no Festival Shuffle no Espaço Interpress. (Rua Luz Soriano, 67 - Metro: Baixa-Chiado)
Mané Piton - outras vozes, sons, orgão, palminhas, e outras coisas
Toninho Cascavel - guitarra
João Jibóia - voz, sons e coisas electrónicas
Lauro Cobra d'Água - voz, dança e saltos mortais
juntos, formam o Agrupamento Musical Lauro Palma e aqui deixo algumas das suas pérolas.
uma mosca sem valor (poema de António Aleixo)
famel
ao vivo e a cores, este sábado no bairro alto, no Festival Shuffle no Espaço Interpress. (Rua Luz Soriano, 67 - Metro: Baixa-Chiado)
21/03/2009
Happyness - by the green monster of the river
- What do you want to know - he asked her promptly.
- How to be happy - she repplied.
The green beast turned away, leaving his pointy, spiny back to her, as he gazed upon the horizon, with the river to one side of them, and the sun, grabbing the mountains with his strong fingers, in the other.
- Well, that's easy - he went on, opening his arms in a cross - keep it simple!
The girl laughed, as if she was expecting more.
- That's it - she said, in a cinic, almost obnoxious, way -, that's what you've got to say?
- Life should be sipped as a juice in a foreign and exotic country: if you like it, even if it's strange or weird or made with a sexual part of an animal, you drink the rest, if you don't, you continue and try other things, drink other juices... other sexual parts of animals mixed with fruits. You should never ask too much, go too deep, demand too much of others... and you should be kind to your knees, as the song says.
- What song?
- See - said the beast, irritaded - there you go with the questions. I´m thinking hapiness... not songs!
Surely stunned with the enfuriating tone in the monster's voice, the girl raised her eyebrows in content, as if she realized in the bluntness of his voice the truth. She was starting to see a fantastic value for the money she spent. Never before had a green monster such as that been more praised by her due to the words coming out of his mouth.
- Are you happy with the answer or do you want to know anything more?
She understood the words of the beast, everything made perfect sense, but she still had doubts about the practicability of what she heard. In her mind, she wondered on how that would reflect on love, on work... on everything.
- Well - insisted the monster, waiting for her reaction.
- But if...
The doubts in her head came out reticently in words, and she din't finished what she was saying, instead, she turned and said: "Ok. Bye!"
(The simplicity in wich she said those words, made the green monster smile)
And then she ran away.
She had learned her lesson.
In "histórias de felicidade dos monstros verdes", por João Freire
- How to be happy - she repplied.
The green beast turned away, leaving his pointy, spiny back to her, as he gazed upon the horizon, with the river to one side of them, and the sun, grabbing the mountains with his strong fingers, in the other.
- Well, that's easy - he went on, opening his arms in a cross - keep it simple!
The girl laughed, as if she was expecting more.
- That's it - she said, in a cinic, almost obnoxious, way -, that's what you've got to say?
- Life should be sipped as a juice in a foreign and exotic country: if you like it, even if it's strange or weird or made with a sexual part of an animal, you drink the rest, if you don't, you continue and try other things, drink other juices... other sexual parts of animals mixed with fruits. You should never ask too much, go too deep, demand too much of others... and you should be kind to your knees, as the song says.
- What song?
- See - said the beast, irritaded - there you go with the questions. I´m thinking hapiness... not songs!
Surely stunned with the enfuriating tone in the monster's voice, the girl raised her eyebrows in content, as if she realized in the bluntness of his voice the truth. She was starting to see a fantastic value for the money she spent. Never before had a green monster such as that been more praised by her due to the words coming out of his mouth.
- Are you happy with the answer or do you want to know anything more?
She understood the words of the beast, everything made perfect sense, but she still had doubts about the practicability of what she heard. In her mind, she wondered on how that would reflect on love, on work... on everything.
- Well - insisted the monster, waiting for her reaction.
- But if...
The doubts in her head came out reticently in words, and she din't finished what she was saying, instead, she turned and said: "Ok. Bye!"
(The simplicity in wich she said those words, made the green monster smile)
And then she ran away.
She had learned her lesson.
In "histórias de felicidade dos monstros verdes", por João Freire
10/03/2009
Mind the gap*
Estamos vivos
E continuamos à espera, à procura...
De costas voltadas, lá e cá
Podia ter sido bem diferente...
Um minuto roubado ali, nas despedidas, outro mais à frente, na mudança do metro…
Três horas intermináveis.
Sem nenhum lugar para ir
Tudo fechado, tudo escuro, tudo desconhecido…
uma calma cintilante e uma brisa demoníaca.
...E o frio!
Ao menos temos companhia.
Estamos vivos!
Lá e cá...
Caminhos diferentes,
O mesmo destino.
Estamos vivos
E continuamos.
* - Londres, 9 de Março de 2009, é madrugada e a Lúcia faz anos. Procuramos um código no escuro: A51 Stansteed. Ao meu lado, uma rapariga esconde-se do frio por baixo do meu saco de cama. Nota para mim próprio: Nunca mais escolhas a viagem de regresso para as 6 da manhã!
(João Freire)
31/10/2008
Justificações
"Nunca te justifiques. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam"
(Provérbio árabe)
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14/09/2008
Parabéns (14 de Setembro de 2008)
Há um brilho que falta no quadro que fizeram de ti. Ninguém sabe que brilho é, mas toda a gente nota a sua falta. Todos aqueles que te conhecem sabem de que brilho falo. Às vezes esse brilho passa despercebido, escondendo-se ou revelando-se a medo, como um gatinho que apenas mostra a cauda, mas basta esperar um pouco e ultrapassar a concha dura, que a sensibilidade e a ausência construíram, para descobrirem esse mesmo brilho no teu olhar e sorriso. Todos os que te conhecem bem gostam de ti. E muito! Sou testemunha disso. Todos reconhecem em ti as virtudes de uma alma generosa. És um anjo e uma rosa para muita gente. Mas cuidado! Estás ainda a crescer, faltam-te percorrer muitos caminhos e, mais do que nunca, tens de estar atenta a tudo. O mundo é um sítio complicado para quem brilha assim e até o sol se deixa tapar pelas nuvens de vez em quando. O Caminho faz-se andando… com o apoio de uns, contra as invejas de outros. O segredo? Nunca deixes de brilhar.
(João Freire)
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25/08/2008
Liverpool
Empty hands search magic hats to discover who they were
Echoes from the past reverb on the dusty walls of imagination
It’s you again, always you and that mischief eyes
What can I do to stop the regret of discovering?
The newness that I don’t live, I left it in the pass along with a wonderful possibility
It’s this faith that ruins everything.
Life is water in a sense
- as much liquid and softness it can adhere
in the blue wool that covers the nude bodies of our lust -
Beside me stands a river of gold
Do you feel like swimming?
I’m always one step aside trying to get in, trying to be a part.
Always trying…
Maybe next time.
(João Freire)
Echoes from the past reverb on the dusty walls of imagination
It’s you again, always you and that mischief eyes
What can I do to stop the regret of discovering?
The newness that I don’t live, I left it in the pass along with a wonderful possibility
It’s this faith that ruins everything.
Life is water in a sense
- as much liquid and softness it can adhere
in the blue wool that covers the nude bodies of our lust -
Beside me stands a river of gold
Do you feel like swimming?
I’m always one step aside trying to get in, trying to be a part.
Always trying…
Maybe next time.
(João Freire)
18/07/2008
Camaradagem - Um dos melhores vídeos do Youtube
Como o título "camaradagem" podia pecar, por não representar tudo o que eu acho sobre o vídeo que está a seguir, resolvi acrescentar o que acrescentei (brilhante descrição do óbvio). Na realidade, é mesmo um dos melhores vídeos que eu vi no Youtube e é-o por várias razões. Talvez a música tenha alguma coisa a ver, talvez seja por ser português - genuinamente português - ou se calhar até será pelos planos de filmagem, que conseguiram captar tudo de bom que há naqueles homens, mas há outra verdade paralela a este vídeo: eu não gosto de touradas e até sou daqueles que habitualmente têm pena dos touros. Mas gosto de pôr as coisas no seu lugar e há coisas que para mim têm mais valor do que a vida de um animal, como, por exemplo, a vida humana. Para os defensores dos animais isto pode ser um ataque inqualificável à igualdade de animais e humanos, até pode haver alguém que seja contra a diferenciação que eu fiz entre animais e humanos, pois todos somos animais e essas tretas... O que interessa é que se perceba o que eu quero dizer e o que eu quero dizer é que não considero tudo igual, assim como não considero igual que alguém se envolva numa guerra por causa de uma plantação de transgénicos ou que façam isso por causa de pessoas. Não é igual e, no limite, os defensores de animais, têm de achar que é. Num mundo ideal eu não comeria carne, não destruiria árvores e a minha pegada ambiental seria nula, mas enquanto não conseguir ser ideal, só posso tentar ser melhor e reduzir ao máximo todo o mal que causo no Mundo. A perspectiva nestes casos é uma coisa importante e a adequação entre a luta e a razão pela qual se luta também. De resto até acho que no caso dos forcados eles são olhados de forma diferente, havendo até o costume generalizado de dizer: "Não gosto de touradas, mas gosto dos forcados" Eu costumo dizer isso e este vídeo serve de justificação a essa máxima, pelo que aconselho a ver até ao fim.
Camaradagem
(Agradeço ao Nuno Cardoso por este vídeo. Reconheço que, no meio das dezenas de mails que envia ou reencaminha, aparecem sempre vários que valem a pena. Este é um deles.)
Camaradagem
(Agradeço ao Nuno Cardoso por este vídeo. Reconheço que, no meio das dezenas de mails que envia ou reencaminha, aparecem sempre vários que valem a pena. Este é um deles.)
29/04/2008
12/04/2008
11/04/2008
Os outros
"A day wasted on others is not wasted on one's self."
Charles Dickens
Charles Dickens
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20/03/2008
A curva da felicidade tem a forma de um U
Um estudo envolvendo dois milhões de pessoas em 80 países, incluindo Portugal, constatou um padrão mundial extraordinariamente consistente nos níveis de depressão e felicidade que torna a meia-idade o período mais problemático da vida, noticia a Lusa.
O trabalho, realizado por investigadores da Universidade de Warwick e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, com o título «Terá o bem-estar a forma de U no ciclo da vida?», será em breve publicado na revista Social Science e Medicine, a publicação de ciências sociais mais citada em todo o mundo.
Os cientistas constataram que os níveis de felicidade têm a forma curva de um U, com o ponto mais alto no início e final da vida e o mais baixo na meia-idade. Muitos estudos anteriores do decurso da vida sugeriam que o bem-estar psicológico se mantinha relativamente estável e consistente com o avançar da idade.
Com base numa amostra de um milhão de pessoas no Reino Unido, os investigadores concluíram que os picos de depressão são mais prováveis por volta dos 44 anos, tanto nos homens como nas mulheres. Nos Estados Unidos encontraram uma diferença significativa nos dois géneros, com a infelicidade a atingir o pico por volta dos 40 anos na mulheres e dos 50 nos homens.
Num total de 72 países em todos os continentes, o estudo constatou a mesma forma de U nos níveis de felicidade e satisfação com a vida por idade.
Os dois autores, ambos economistas - os professores Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, e David Blanchflower, do Dartmouth College - consideram que o efeito da curva em U tem origem no interior dos seres humanos, já que encontraram sinais de depressão no meio da vida em todos os géneros de pessoas, independentemente de terem crianças em casa, de divórcios ou mudanças de emprego ou rendimento.
«Algumas pessoas sofrem mais do que outras, mas os nossos dados indicam que o efeito médio é muito amplo. Acontece tanto a mulheres como a homens, ricos e pobres, com ou sem filhos», afirma Andrew Oswald, citado no site de informações científicas AlphaGalileo. «Ninguém sabe a causa desta consistência», referiu.
«Para a pessoa média no mundo moderno, a saúde mental e a felicidade chegam lentamente, não de repente num único ano», observou.
«Só quando chega à casa dos 50» - acrescentou - «é que a maioria das pessoas deixa de ser susceptível à depressão. Mais tarde, aos 70, mantendo-se fisicamente em forma, as pessoas, em média, podem sentir-se tão felizes e mentalmente sãs como aos 20 anos"».
O estudo analisou informação sobre uma amostra aleatória de 500 mil norte-americanos e europeus ocidentais a partir do Inquérito Social Geral, nos Estados Unidos, e do Eurobarómetro. Os autores analisaram, também, os níveis de saúde mental de 16 mil europeus, os níveis de depressão e ansiedade numa larga amostra de cidadãos britânicos e dados do «World Values Survey», que contém amostras de pessoas de 80 países.
in Portugaldiario
O trabalho, realizado por investigadores da Universidade de Warwick e do Dartmouth College, nos Estados Unidos, com o título «Terá o bem-estar a forma de U no ciclo da vida?», será em breve publicado na revista Social Science e Medicine, a publicação de ciências sociais mais citada em todo o mundo.
Os cientistas constataram que os níveis de felicidade têm a forma curva de um U, com o ponto mais alto no início e final da vida e o mais baixo na meia-idade. Muitos estudos anteriores do decurso da vida sugeriam que o bem-estar psicológico se mantinha relativamente estável e consistente com o avançar da idade.
Com base numa amostra de um milhão de pessoas no Reino Unido, os investigadores concluíram que os picos de depressão são mais prováveis por volta dos 44 anos, tanto nos homens como nas mulheres. Nos Estados Unidos encontraram uma diferença significativa nos dois géneros, com a infelicidade a atingir o pico por volta dos 40 anos na mulheres e dos 50 nos homens.
Num total de 72 países em todos os continentes, o estudo constatou a mesma forma de U nos níveis de felicidade e satisfação com a vida por idade.
Os dois autores, ambos economistas - os professores Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, e David Blanchflower, do Dartmouth College - consideram que o efeito da curva em U tem origem no interior dos seres humanos, já que encontraram sinais de depressão no meio da vida em todos os géneros de pessoas, independentemente de terem crianças em casa, de divórcios ou mudanças de emprego ou rendimento.
«Algumas pessoas sofrem mais do que outras, mas os nossos dados indicam que o efeito médio é muito amplo. Acontece tanto a mulheres como a homens, ricos e pobres, com ou sem filhos», afirma Andrew Oswald, citado no site de informações científicas AlphaGalileo. «Ninguém sabe a causa desta consistência», referiu.
«Para a pessoa média no mundo moderno, a saúde mental e a felicidade chegam lentamente, não de repente num único ano», observou.
«Só quando chega à casa dos 50» - acrescentou - «é que a maioria das pessoas deixa de ser susceptível à depressão. Mais tarde, aos 70, mantendo-se fisicamente em forma, as pessoas, em média, podem sentir-se tão felizes e mentalmente sãs como aos 20 anos"».
O estudo analisou informação sobre uma amostra aleatória de 500 mil norte-americanos e europeus ocidentais a partir do Inquérito Social Geral, nos Estados Unidos, e do Eurobarómetro. Os autores analisaram, também, os níveis de saúde mental de 16 mil europeus, os níveis de depressão e ansiedade numa larga amostra de cidadãos britânicos e dados do «World Values Survey», que contém amostras de pessoas de 80 países.
in Portugaldiario
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